RELIGIÃO OVIMBUNDU

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Nova Acrópole

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 Os Ovimbundu são um grupo étnico de origem bantu que constitui 40% da população de Angola, ou seja, uns 5 milhões de habitantes e a sua linguagem é o umbundo.

Os ovimbundu afirmam que descendem de FETI, o primeiro homem, que caiu do céu e cujo nome significa “princípio”. Este bom homem começou a deambular a terra, a qual encontrou cheia de animais e plantas, mas sem nada como ele. Vítima do tédio e da tristeza, e para sair dela, decidiu caçar animais, e assim o fez com um hipopótamo e, vigiando uma nova presa, viu sair das águas uma bela mulher a quem chamou TCHOYA, que significa “ornamento, perfeição”. Apaixonou-se por ela e vários meses depois “uma bela manhã o murmúrio do bosque foi despertado pelos gritos de uma criança, (…) e não houve um só pássaro no céu e animal na floresta que não felicita-se seus pais por este feliz acontecimento” e saúda-se este “primeiro nascido”, a quem chamaram NGALANGI. Pouco tempo depois nasceu a sua irmã, “a que chega”, VIYÉ que é a origem do tronco humano, mãe de todas as raças de habitam a região do Bié (Angola).

O nome do Deus é SUKU, palavra que não tem significado na sua língua, mas por vezes, os nomes dos reis incorporam este termo. Ele criou as montanhas, o céu, os rios e o ser humano. E com Ele (ou com os espíritos dos antepassados) comulga o rei na sua “cabana de meditação” onde jamais pode ser interrompido e ninguém pode entrar. As marcas pintadas na porta do santuário indiciam e advertem os espíritos que o rei está sozinho consigo mesmo, que este é um recinto sagrado.

“Outras versões dizem que no princípio tudo era água e que dela foi criado tudo quanto existe. O homem lançado desde acima foi quem fez com que a terra aparecesse e a caça começasse. Outra diz que tudo começou com um cordeiro de atributos humanos que caminhou sobre as rochas, deixando marcas de animal e homem ao mesmo tempo”

Existem ideias de reencarnação, ou melhor, de metempsicose. Diz-se, por exemplo, que os leões são a encarnação de um homem poderoso e os adivinhos investigam a causa da morte de um leão e “falam” com ele através da paliçada quando um deles ronda a aldeia. Ambos grunhem e finalmente o leão abandona a aldeia, dizem. Quem retorne de uma caça bem-sucedida e com trofeus ou provido com mel, deve deixar parte num túmulo, em sinal de agradecimento. Ao que parece, apesar de não se referirem explicitamente aos espíritos das árvores, quando se vai construir a cabana de uma pessoa importante, a primeira árvore a ser abatida não deve cair violentamente.

Realizam-se sacrifícios para apaziguar os espíritos e o feiticeiro, ao consagrar uma estátua de madeira, induz o espírito para que entre na referida imagem. Estas esculturas em madeira, vivificadas, são de grande utilidade para o ferreiro no seu trabalho metalúrgico-mágico. Há inclusive uma imagem especifica que pode mostrar aos viajantes o bom caminho quando o feiticeiro a consulta. OSANDE é o espirito que “traz boa sorte e faz bem à gente” e ONDELE, que prejudica, só o poderoso OCIMBANDA pode lutar com ODELE e neutraliza-lo. Existe um pássaro nocturno chamado Esuwi que pode fazer com que “o espírito morra pela segunda vez” e isto se traduz para algum ser humano em desgraça ou doença.

Não existe uma noção clara de pecado, como repreensão moral de um ser superior, mas de um crime que deve ser castigado: ou seja, não há pecado, mas redenção, restabelecimento da justiça. Castiga-se o que contradiz as leis da tribo, mas não se considera pecado. Por exemplo, o adultério é um crime semelhante ao roubo, mas não um pecado; é castigado, mas não se diz que está mal. E o Deus supremo, SUKU, não castiga ninguém nem dá ordens directas. A única palavra semelhante ao conceito de pecado é ekandu. O assassinato é o pior ekandu, dizem. “Ekandu é fazer a alguém ou algo passa-lo mal”. Encaminhar um estranho pelo mau caminho é ekandu. Atirar um animal ao fogo é ekandu. Tem relações sexuais com a irmã da esposa é ekandu; o homem como tal não é considerado culpado, mas a tribo inteira deve pagar à tribo da vítima por essa má conduta. Ofensas sexuais a crianças são, no geral, castigadas com a morte. Quando alguém morre, e ao ritmo do tambor e dança, cantam “Deus me defraudou com a vida”, ou seja, “deu-me e agora cobra”

 

Jose Carlos Fernández

Director Nacional da Nova Acrópole em Portugal

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