A Geometria Sagrada e o Sentido da Vida

Nova Acrópole

22 Outubro 2022 | 19:00 - 20:00

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Por José Carlos Fernández, diretor da Nova Acrópole em Portugal

O nosso planeta Terra no infinito não é mais do que um ponto no espaço; a duração das nossas vidas no tempo infinito é um momento, um ponto no tempo. A vida é uma sucessão de curvas, como um rio com os seus meandros. A própria existência é uma espiral, que desde uma semente oculta, como a de uma árvore, se abre mais e mais.

A retidão ou a moral impõem linhas que nos torcem, que demarcam caminhos que não sejam vítimas das paixões nem das circunstâncias, leis internas, como diria Kant. As existências, como as linhas, retas ou curvas, cruzam-se, aportando cada uma à outra, o seu mistério. A geometria da proporção áurea, como a dos fractais, estabelece um vínculo de união entre o todo e as suas partes. A diagonal de um quadrado e a de um pentágono são incomensuráveis com os mesmos e, porém, as superfícies que o geram não. O ponto une, a linha separa. As paralelas, como as almas imortais, só se encontram no infinito. Os pontos interrelacionam-se através de linhas de tensão definidas por ângulos e nascem triângulos que expressam a realidade mental em formas, que se fazem volumes como nos sólidos platónicos, de Platão, que depois se convertem na base dos Elementos, no seu sentido esotérico: a Terra (Cubo), a Água (Icosaedro), o Ar (Octaedro), o Fogo, (Tetraedro) e Espaço (Dodecaedro). As figuras derivadas do cone expressam as curvas da vida, na sua expressão mais pura: a parábola, a hipérbole e a elipse; a espiral nasce do seu próprio movimento.

Por fim, na geometria, que é sagrada quando é símbolo do divino e do que está mais além da nossa própria razão, falamos de marcos que dão sentido à vida, como as formas que se dissipam na areia da onda que se retira e fala-nos da imensidade do mar que as causou e da sua própria respiração. Não é, assim, difícil encontrar na geometria, de um modo intuitivo e ainda racional, o sentido da vida.

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