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Nova Acrópole
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Na Índia, perto de uma aldeia, vivia uma enorme serpente que trazia aterrorizados os seus habitantes, porque com a sua picadela matava todos os que passavam por ali. Fartos da situação, uma delegação de aldeãos acorreu a um sábio para protestar contra o mal que representava a serpente.
O sábio foi visitar o ofídio e esteve a falar com ele um bom bocado de tempo, reprovando a sua péssima conduta… Poderia saber-se o que tinham feito os aldeãos para os obsequiar com as suas mortais mordidas? A que se devia esse comportamento tão agressivo? O sábio conseguiu fazer a serpente reflectir, que jurou emendar-se… E cumpriu a sua palavra.
Desde esse mesmo dia, deixou de ser a serpente que era. O aterrorizante réptil parecia mais uma espécie de verme verde fraca, branda e flácida. Perdeu toda a sua força e por não se arriscar, não ousava sequer devorar uma miserável lesma. Os aldeãos, que já tinha esquecido como se comportava anteriormente a serpente, troçavam da sua fraqueza e diziam-lhe:
-Para que queres umas presas carregadas de veneno se nunca as usas!
As crianças, sempre que passavam por ela, atiravam-lhe pedras e davam-lhe pontapés.
Ao fim de uns anos de ter mudado de vida, a serpente cansou-se de ser maltratada e arrastou-se como podia até à casa do sábio. E desta vez foi ela quem apresentou os seus problemas.
Eu fiz tudo o que me pediste, mas sinto-me como se tivesse perdido a minha verdadeira identidade. Os aldeãos não me têm o respeito que antes lhes inspirava o meu aspecto e as minhas presas esfumaram-se. Desprezam-me, dão-me pontapés e o meu coração dói.
Que pensas de tudo isto?
O que eu posso dizer é muito simples – respondeu-lhe o sábio: Eu pedi para não morderes os aldeões sem mais nem menos, mas por acaso te proibi de silvares?
Conto da Índia recompilado por Elena Sabidó










