A Nova Acrópole de Lisboa e de Oeiras-Cascais celebraram o Dia Mundial da Filosofia 2018 com uma sessão comemorativa nos Paços do Concelho de Lisboa. Instituido pela UNESCO em todo o País, este ano teve como tema geral “Filosofia e Voluntariado”.
A actividade, realizada com o apoio institucional da Comissão Nacional da UNESCO, iniciou-se com uma visita guiada pelos Paços do Concelho a cargo da Dra. Maria Louro, Técnica Superior da Secretaria Geral da Câmara Municipal de Lisboa e seguiram-se as comunicações sobre:
«A importância da Filosofia»
Anna Ormeche, Técnica Superior da Comissão Nacional da UNESCO em Portugal
«Nova Acrópole como voluntariado»
Por José Carlos Fernández
Escritor, investigador e Director Nacional da Nova Acrópole
«O voluntariado como vocação natural do ser humano – do ervegetismo ao ubuntu»
Por Paulo Alexandre Loução
Escritor, investigador do Instituto Internacional Hermes
A Dra. Anna Ormeche, falou da necessidade vital da filosofia para o ser humano. Considerou a Filosofia uma ferramenta essencial que nos dá chaves e saberes, que facilitam uma maior abertura mental e promovem o diálogo. Falou da filosofia como uma forma de questionar os dogmas que todos temos e permitir que possamos aprender a viver juntos em harmonia.
O Professor José Carlos Fernández começou a sua exposição com a origem etimológica da palavra grega “filosofia”, que significa “amor à sabedoria”, para nos falar da importância desta como elemento de transformação do ser humano no caminho até sabedoria, mas sabedoria não como um intelectualismo eloquente, mas como Alma-Mater do ser humano. Seguidamente falou da Escola de Filosofia Nova Acrópole, que nasceu na Argentina em 1957 através do seu fundador Jorge Angel Livraga, e tem na sua génese o voluntariado, numa altura em que este não era tão popular como é nos dias de hoje. Esta Escola nasce e desenvolve-se através do Voluntariado como uma atitude natural do ser humano e tem como vontade ser útil ao próximo, melhorar o sentido do que fazemos na área cultural, filosófica, social e ecológica.
O Professor Paulo Loução falou de um dos paradoxos do nosso tempo, em que apesar do desenvolvimento tecnológico facilitar a nossa “qualidade de vida” e agilizar os processos produtivos, na prática as pessoas não trabalham menos horas, muito pelo contrário. Então em que nos ajuda a tecnologia? Ficamos mais livres ou mais escravos neste mundo moderno e tecnológico? Somos mais felizes? O que é para nós o sucesso? E quando alcançamos o sucesso, alcançamos finalmente a tão desejada felicidade? A resposta segundo a reflexão e investigação do Professor Paulo Loução é que … “não….não somos mais felizes”.
O caminho para a realização do ser humano não é o sucesso que está em alcançar um objectivo. O caminho para a realização do ser humano está em “colocar-se ao serviço”. Colocar-se ao serviço de algo sagrado, diriam os egípcios. Colocar-se ao serviço da polis (cidade), diriam os romanos.
Colocar-se ao serviço do outro, da comunidade, diriam as comunidades mais antigas e tradicionais, com a palavra “Ubuntu”, conceito intraduzível mas que representa esse sentido de que sou feliz quando contribuo para que a minha comunidade seja feliz também. A aldeia é a própria família, a humanidade é a própria família. Esse é o verdadeiro sentido de voluntariado, ao serviço da comunidade.
Agradecemos a participação da Dra. Anna Ormeche, Técnica Superior da Comissão Nacional da UNESCO que acompanha diversas áreas, entre as quais a dos Direitos Humanos. E da Dra. Maria Louro, Técnica Superior da Secretaria Geral da Câmara Municipal de Lisboa, assim como o apoio dos voluntários da Nova Acrópole e de todos os assistentes ao acto.




