14 de outubro de 2023
No dia 14 de outubro de 2023, na Biblioteca São Lázaro, em Lisboa, sob a condução de Selma do Nascimento, aconteceu a conferência intitulada “Plantar o futuro”, inspirada no livro “O Homem que plantava árvores” de Jean Giono.
Selma traçou uma relação entre os ensinamentos do livro e a nossa vida, baseando-se também num texto complementar de Jorge Ángel Livraga sobre o Ideal.
No livro, o personagem principal dá sentido à sua existência através de um ideal, o ideal de plantar árvores num local árido, e onde, tal como o ambiente, também a personalidade das pessoas da região era seca.
Também na nossa vida devemos ser motivados por um ideal, mesmo quando as adversidades, nos circundam. É referido que o ideal é tudo na natureza, é o pássaro, o mar, a rosa. Mas, ao mesmo tempo, o ideal não é a rosa em si, mas a beleza da rosa. Assim, o ideal convida-nos a observar para além da aridez material, onde podemos encontrar a essência das coisas.
E qual é a essência do ideal? É uma essência espiritual e é universal. A característica do ideal é a transmutação alquímica de quem o segue. À medida que vivemos o ideal, impregnamo-nos dele, e isso desperta em nós virtudes, desenvolve potências e capacidades.
No livro, o personagem parece fundir-se com o ideal, e há uma passagem, em que observado de longe, este se assemelha a uma árvore.
Aos poucos, o personagem consegue transformar a paisagem árida numa floresta, e a personalidade das pessoas na região acaba também por se transmutar.
A conferencista apontou ainda, outra correlação entre o homem e a árvore. O homem enquanto ser criador, pode ser visto como um plantador. Que precisa de cuidar o que planta na sua mente, no seu coração, e o que faz brotar naqueles que o rodeiam. Somos árvores e plantamos árvores no coração dos outros. Por isso, devemos selecionar as sementes que vamos cultivar. O ideal exige responsabilidade, compromisso e dever.
Referiu que há uma árvore cósmica, que está no céu, com a qual estamos conectados. Somos parte dessa árvore cósmica. Essa ligação faz com que tenhamos a nossa cabeça no céu. O que nos afasta da árvore cósmica é procurarmos as respostas para os nossos questionamentos na dimensão horizontal. Se quisermos plantar o futuro, temos de encontrar respostas na dimensão vertical, na árvore cósmica, no ideal da vida, que nos chama e nos conecta.
Por fim, no livro, perguntam ao personagem de quem é a terra que cultiva. Ele responde que não sabe, mas também não se importa com isso. O personagem age por dever. O foco dele é o Bem, e o Amor pelas causas justas e nobres. O seu papel é colocar o Bem e o Amor em ação, pela vontade de fazer um mundo melhor. E deste modo, vai libertando a sua consciência e a dos demais. Vence a aridez.
Do mesmo modo, também na vida, em tempos difíceis, temos de ser fortes, valentes, criativos, para vencer o desespero e a adversidade. No livro e na vida, é pela vontade e pelo espírito que a árvore da nossa alma se eleva das trevas em direção à luz para formar um novo bosque.



