Decorreu no passado dia 13 de janeiro, na Biblioteca da Escola Secundária de Molelos, a primeira sessão do Projeto CASA – “Cândido de Figueiredo e as Memórias de Tondela”, com a turma 7.ºC, no âmbito das comemorações do Centenário da morte de Cândido de Figueiredo. A sessão contou com a participação e dinamização, em parceria, da Nova Acrópole Viseu e da Virtudes Outonais, em articulação com a disciplina de Português e com a Biblioteca Escolar.

Com uma abordagem pedagógica centrada na valorização da língua portuguesa e da identidade cultural do território, a Nova Acrópole Viseu contribuiu para enquadrar o projeto como uma experiência de formação humana e cultural: não apenas ler um autor, mas reconhecer, no autor, um caminho de vida que pode dialogar com a experiência dos alunos.

Nesta sessão inaugural, os alunos ficaram a conhecer os elementos essenciais da biografia de Cândido de Figueiredo, com especial destaque para a sua infância e juventude: o contacto precoce com a leitura, o esforço pessoal de aprendizagem, a curiosidade intelectual e o amor pela língua como património vivo. Um dos objetivos centrais foi aproximar a vida de Cândido do universo dos alunos, sublinhando paralelos concretos entre a formação do patrono e as etapas atuais de crescimento, descoberta e pertença.

A partir das apresentações orais de cada aluno, construiu-se uma “teia” coletiva que tornou visível a língua portuguesa como rede de comunicação, de relações e de transmissão de memória. Esse exercício procurou mostrar que a língua não é apenas uma disciplina: é um lugar de encontro, capaz de ligar pessoas, gerações e comunidades — precisamente aquilo que Cândido de Figueiredo, enquanto estudioso e defensor do português, procurou fortalecer ao longo da vida.

Seguiu-se o trabalho em grupos com a leitura e a descoberta do “Conto do Natal”, valorizando o género do conto como forma narrativa curta, intensa e simbólica, e destacando, em particular, a dimensão regionalista do texto: os lugares, as referências locais, a linguagem e o imaginário que transportam marcas do território. Os alunos foram desafiados a mapear os locais mencionados no conto, a identificar personagens e acontecimentos e a esclarecer vocabulário menos familiar. Verificou-se ainda a sobreposição de algumas dessas referências com espaços próximos da sua própria realidade, reforçando a ideia de que a literatura pode funcionar como um verdadeiro mapa afetivo e cultural do lugar onde se vive.

Com nova sessão agendada para breve, sublinha-se a participação interessada e empenhada dos alunos, num trabalho que articula competência leitora, memória cultural, sentido de pertença regional e criação — honrando, na prática, o legado de Cândido de Figueiredo como figura maior da língua portuguesa.