No passado dia 22 de abril de 2026, a Nova Acrópole Viseu acolheu a apresentação do livro Lágrimas Coloridas, da autoria de Solomon Molla, numa sessão conduzida por Carlos Neves, tradutor da obra para português. A apresentação integrou um dia mais amplo de atividades na escola, marcado também por momentos de poesia, dança e uma ação de cuidado do espaço verde envolvente.
Editado pelas Edições Nova Acrópole, Lágrimas Coloridas surgiu em edição bilingue amárico–português, como 1.ª edição portuguesa de abril de 2026, em Viseu. A tradução e adaptação para português foram realizadas por Carlos Paiva Neves, com base numa versão inglesa fornecida pelo autor, em diálogo com o original amárico.
Ao longo da sessão, Carlos Neves partilhou a história do livro e explicou o que esteve na origem da sua tradução. Recordou o encontro com Lalibela, cidade etíope de forte densidade espiritual e histórica, e o modo como aí conheceu, por intermédio de Eshetu Youssef, uma associação de jovens e crianças órfãs, bem como o próprio Solomon Molla. Foi nesse contexto que recebeu o livro em amárico e nasceu a ideia de o publicar em português, num gesto de solidariedade e fraternidade, em benefício dessa associação.
A apresentação permitiu também evocar brevemente a realidade da Etiópia e da região de Lalibela, ajudando a situar humana e culturalmente a obra. O próprio volume recorda que Solomon Molla nasceu em 1984, em Lalibela, serviu durante dez anos nas forças armadas etíopes, estudou Sociologia na Universidade de Adis Abeba e, paralelamente à sua vida profissional, se dedicou durante anos à poesia, ao romance e a outras formas de expressão artística.
Foi ainda sublinhada a importância desta publicação enquanto ponte entre línguas, culturas e experiências humanas. Tal como é referido no prefácio, trata-se de uma obra que reúne “versos de fogo e lágrimas” e que interroga, com bravura, a história, a vida, a verdade, a dor, a esperança e a relação do ser humano com a sua terra e com o seu destino.
Com esta sessão, a Nova Acrópole Viseu deu a conhecer uma obra singular, não apenas pelo seu valor poético, mas também pela amizade, proximidade humana e intenção solidária que estiveram na base da sua tradução e edição. Lágrimas Coloridas afirmou-se, assim, como um livro que aproxima mundos e recorda que a cultura também pode ser uma forma concreta de fraternidade.
