Arte, ciência e filosofia encontraram-se numa atividade dedicada à relação entre a luz, a sombra e a capacidade humana de transformar a realidade

A Nova Acrópole de Viseu realizou, no dia 21 de Junho, a atividade «Impressões de Luz», uma oficina de cianotipia integrada na celebração do Dia das Artes e na proximidade do solstício de Verão.

A iniciativa proporcionou aos participantes o contacto com uma das mais antigas técnicas de impressão fotográfica, permitindo descobrir de que modo a luz solar pode revelar formas, texturas e silhuetas sobre uma superfície previamente preparada.

Criada no século XIX, a cianotipia utiliza compostos de ferro sensíveis à radiação ultravioleta. Depois da exposição à luz e da lavagem em água, as zonas atingidas pela radiação adquirem a característica tonalidade azul, conhecida como azul da Prússia, enquanto as áreas protegidas pelos objetos conservam tonalidades mais claras.

Durante a atividade, foram apresentados alguns dos princípios deste processo, bem como os cuidados necessários na preparação e utilização dos materiais. Seguiu-se a componente prática, na qual cada participante pôde experimentar diferentes composições, recorrendo a folhas, flores, formas naturais e outros elementos capazes de interromper ou filtrar a passagem da luz.

Mais do que aprender uma técnica artística, a oficina constituiu um convite à observação e à criatividade. Cada composição exigiu escolher, ordenar e relacionar os elementos, antecipando a forma como a luz e a sombra se encontrariam no resultado final. O processo continha, por isso, uma dimensão de descoberta: apenas depois da exposição e da lavagem surgia plenamente a imagem que antes permanecia invisível.

A cianotipia permitiu igualmente desenvolver uma reflexão filosófica sobre a relação entre luz e sombra. Na vida humana, nem toda a sombra representa necessariamente algo negativo, assim como nem toda a luz é imediatamente compreendida. A sombra pode proteger, delimitar e conservar uma forma; a luz, por sua vez, revela, transforma e torna visível aquilo que se encontrava oculto.

Esta relação recorda-nos que o conhecimento não nasce apenas da acumulação de informações, mas também da capacidade de observar, experimentar e transformar conscientemente aquilo que recebemos. Tal como acontece na cianotipia, algumas experiências necessitam de tempo, exposição e contacto com os elementos adequados para revelarem o seu verdadeiro significado.

Para a Nova Acrópole, a filosofia não se limita ao estudo intelectual de ideias, mas deve expressar-se através de diferentes formas de criação, convivência e contacto com a natureza. A arte pode converter-se, assim, numa via de autoconhecimento, de educação da sensibilidade e de aproximação ao belo.

Num ambiente de partilha, a oficina reuniu ciência, natureza, técnica e simbolismo, mostrando como um processo aparentemente simples pode abrir espaço para uma experiência simultaneamente estética e filosófica.

No final, cada impressão tornou-se uma peça singular: um registo do encontro entre a matéria e a luz, mas também da escolha e da imaginação de quem a criou.