No passado dia 3 de Agosto de 2021, realizou-se a terceira Conferência-Recital do II Ciclo de Conferências de Verão
– “Mitos, Poetas e Filósofos” no Parque dos Poetas.
O evento teve início, como habitual, com um Recital, desta vez junto à pétala dedicada a Guerra Junqueiro, apresentado pelo Grupo de Artes Orpheu. Gostaríamos de salientar a forte presença do Deus Zéfiro, que com os seus fortes ventos, acabou por desafiar a tenacidade de quem declamava e de quem assistia! Felicitamos a atenção e concentração, que se fazia sentir, naquele entardecer desafiante, mas tão bonito e tocante.
Após o Recital, o evento continuou com a conferência ministrada pelo Professor Alexandre Cunha, no Templo da Poesia. Enquanto eram projetadas algumas imagens alusivas ao tema, o orador mencionou várias poesias anteriormente recitadas, assim como outras, inseridas na obra “O Prometeu Libertado”, dando a sua própria interpretação daquilo que podíamos retirar das palavras e da mensagem do Poeta, durante as várias fases de sua vida.
Para melhor captar a essência da obra de Junqueiro descreveu-se com detalhe o Mito do Prometeu Libertado, à maneira clássica. Nesse momento foi possível unir e fazer confluir a mensagem mais profunda presente entre o Prometeu clássico e o Prometeu de Guerra Junqueiro. Este cruzamento de ideias, entre o passado e a sua realidade serviu ao Poeta de possibilidade de crítica político-religiosa, com vista a inspirar o Homem a ser melhor no futuro.
Por última análise, uma ideia sempre atual é a recordação do momento crucial em que miticamente a Inteligência, o Fogo Mental, chega à Humanidade. Vejam quanto responsabilidade é entregue a todos nós.
Junqueiro estava muito longe de ser ateu e dizia por isso: “Deus sente-se dentro de nós, não tem de haver um intermediário entre Deus e os Homens”.
Por fim, chegou o momento de uma clara analogia entre a realidade vivida na sociedade da Grécia Clássica e a dos nossos dias. A crise de valores e a importância que damos ao “externo” pode estar na génese de muitos problemas que sentimos hoje, especialmente quando damos tão pouca importância, ou mesmo nenhuma, àquilo que é “interno”:
“Necessitamos encontrar uma harmonia entre a Vida interna e a Vida Externa, seja no individual, seja no coletivo”.