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A poetisa Florbela Espanca |
“As almas dos poetas são todas feitas de luz, como as dos astros: não ofuscam, iluminam…”
| Ecos longínquos de ondas… de universos… Ecos dum Mundo… dum distante Além, Donde eu trouxe a magia dos meus versos! A minha alma é um túmulo profundo Onde dormem, sorrindo, os deuses mortos! |
Nesta semana, em que se celebramos o dia 8 de Dezembro, o LXXXIII aniversário da morte de Florbela Espanca, a maior poetisa da língua portuguesa, devemos refletir, em sua homenagem, sobre certas questões da sua alma, poesia e vida interior. Tentar colocar luz e enfrentar certas acusações e infâmias lançadas como barro sobre o seu justo mérito e memória.
Diziam os filósofos persas que quando um herói ou alma genial termina a sua obra no mundo, esta, vinculada magicamente ao seu nome e recordação, percorre numa órbita elíptica ao mundo, de modo que quando se cumpre o aniversário da “sua morte” é quando o seu rastro luminoso se encontra de novo mais perto de nós, irradiando mais poderosamente o seu benévolo influxo. É como se nesse dia as suas palavras, músicas, versos ou gestos heróicos estivessem mais vivos, mais vibrantes e deixassem assim, uma pegada mais profundamente na alma.
O dia da morte de um personagem histórico, é portanto o do nascimento da obra da sua vida. A obra foi terminada e possui vida própria derramando durante séculos, milénios ou ainda mais a sua luz e calor, como um Sol vigoroso ou como uma estrela lá no alto. Florbela nasceu e morreu no mesmo dia 8 de Dezembro, dia da Virgem Imaculada e a sua vida foi julgada severa e injustamente, por ostentar uma grande liberdade interior e coragem. A coragem que todos admiram e tantos desejam e temem ao mesmo tempo. Os seus vários maridos e amantes demonstram que ela busca insaciavelmente um amor que nunca podia colmatar as suas necessidades, e que a sua entrega total é incapaz de converter-se, naqueles que amava, em frutos de uma verdadeira ternura: tal foi a sua desgarrada e desgraçada vida. O facto dela se ter suicidado, é quem sabe, nela, mais um acto de coragem que de cobardia, marcou-a com o estigma de Caim, da soberba que não se submete ante os desígnios da vida e do destino, por mais duros que estes possam ser. Com o estigma das almas já afastadas para sempre da graça e do perdão divino. Pavorosa sentença! Tal como proclama a última versão do catecismo cristão, ainda que depois os intérpretes quisessem adoçar eufemisticamente afirmando que na verdade o céu e o inferno são estados de consciência, e não lugares de prémio e castigo. E assim o actual catecismo diz, sem tremer ao fazê-lo, que o inferno é: “Morrer em pecado mortal sem estar arrependido nem aceitar o amor misericordioso de Deus, o que significa permanecer separados d’Ele para sempre por nossa própria e livre eleição. Este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados é o que se designa com a palavra «inferno»” – Do Catecismo Oficial da Igreja Católica item 1033.
“A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus e é unicamente nele que o homem pode ter a vida e a felicidade para a que foi criado e aspira” – Idem 1035.
No entanto, se ela sucumbiu ao frio e à desolação da vida foi porque estava exausta na dura batalha, na batalha mística ou guerra interior que muito poucos se atrevem nem a começar, desejando assim que a alma morra em vida, e esta vida, agora sim, um verdadeiro inferno, ainda que afortunadamente, apenas temporal.
O chamado Estado Novo, em Portugal por razões evidentes politicas e propagandísticas considerou-a persona non grata; os académicos e intelectuais de Portugal, desde há mais de meio século ostracizam-na: Agustina Bessa-Luís e Natália Correia, por exemplo, disseram palavras contra ela de uma dureza e crueldade que sem dúvida o futuro não perdoará, principalmente por a primeira o ter feito numa biografia sobre a poetisa alentejana, e a segunda o mesmo num prólogo de um dos livros de contos de Florbela. Que o poeta Fernando Pessoa a chamasse de “alma gémea” pouco lhes importou. Mas vox populi, vox Dei, e é o céu e não os intelectuais nem as academias quem ungem ao génio, e é o povo quem outorga a sua coroa, laureada de pura gratidão. Portugal adora Florbela e cada vez mais, os jovens enamorados lêem os seus poemas, como nos países de língua hispânica se lê, por exemplo, a Becquer ou a Pablo Neruda. Relativamente às acusações infamantes sobre a sua vida pessoal, hoje sabemos que o seu “pecado” foi, quem sabe, viver meio século à frente do seu tempo e desafiar os totens e tabus dos seus contemporâneos, sobretudo numa mulher, e pior ainda em alguém sem linhagem nem status social.
Se há uma aparente contradição entre a profunda religiosidade de Florbela Espanca e o seu desafio às normas que imperam numa religião com nome e apelido, esta deve-se à pouca amplitude mental daqueles que a julgaram e condenaram, e até á sua hipocrisia. Ainda que, sendo a poetisa mais lida de Portugal, não exista uma Casa Museu onde se realizem exposições, obras de teatro e se mostrem os seus manuscritos e as primeiras edições, é manifestamente vergonhoso e inaceitável. Principalmente quando Florbela é, algo sem precedentes na história da literatura de Portugal, elevada – como Platão fez com Safo – à categoria de Musa, faz dela um daimon, mais Deusa que humana e converte-se em Dama do Alentejo, mais genius loci que simplesmente mortal.
Talvez devêssemos separar a religião, com os seus credos e rituais, e com toda a história de erros excessos, da mística, que é a chama de eternidade que arde no coração humano, chama sem nome nem forma que diferencia o ser humano do bruto. Como a Deusa Ísis de Mil Nomes, são infinitas as formas que a mística assume, tantas como as lamparinas em que a sua chama pode arder. Se a Deusa egípcia antes mencionada é a Alma da Natureza e os seus sete véus, a mística é o que permite penetrar nos seus mistérios. A mística é a alma da religião, e portanto, a religião sem mística converte-se num cadáver que vampiriza as sociedades e arruína a livre e natural tendência da alma que busca a beleza, a justiça, o bem e a verdade. A verdadeira religião seria a pura mística sem sombra, egoísmos, medos nem preconceitos, sem opacidades nem véus que encubram o seu fulgor, como um diamante que deixa passar a luz de Deus e a reflete com as suas mil iridescências, sem deter a verdade do seu ímpeto.
Só por ser poeta, verdadeiramente poetisa, já Florbela penetra nos mistérios da verdadeira religião, que é a do amor e da beleza e não a do ódio e da exclusividade. Como diziam os sacerdotes druidas celtas, a poesia é a porta de entrada para a verdadeira religião, a Alma da natureza, e só um poeta, um místico pode dizer como Florbela “trata por tu a mais longínqua estrela!”. É que para os druidas o poeta é quem começa a caminhar até Deus. Se perseverando, e sem deixar de ser poeta é capaz não só de sentir, mas também de compreender as leias da natureza, que são os decretos de Deus, converte-se em mestre; e se para além disso dominando-se a si mesmo pode operar, trabalhar com estas leis da Natureza visível e invisível, convertendo-se em Mago, artífice do que para o vulgo são prodígios.
Que bem sentiu e viveu estes mistérios Florbela, quando escreveu;
| Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! E é amar-te, assim, perdidamente… |
Se, por exemplo, analisarmos um só dos seus livros de poemas, a Charneca em Flor, a sua natural religiosidade surpreende-nos. Escolhamos, assim, algumas ideias destes versos:
1. Religião é ter asas para elevar-nos em cima dos lodaçais do animal, da vulgaridade. Religião é ser rei de si mesmo, ver com os olhos da Alma e não com os do interesse (ser “princesa entre os plebeus”), saber que esta é uma passagem sombria, num vale de dor, de superação, de cada vez maior pureza, para ir mais além.
Em Versos de Orgulho lemos:
| O mundo quer-me mal porque ninguém Tem asas como eu tenho! Porque Deus Me fez nascer Princesa entre plebeus Numa torre de orgulho e de desdém!Porque o meu Reino fica para Além! Porque trago no olhar os vastos céus, E os oiros e os clarões são todos meus! Porque Eu sou Eu e porque Eu sou Alguém! O mundo! O que é o mundo, ó meu amor?! Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços… |
Ainda que ela, intelectualmente, e depois de ter lido tantos livros, e conhecendo o poder opressor sobre as consciências das religiões como credos e cleros selvagens, se declare agnóstica, se não ateia evidentemente não o é. Não quando a sua alma sincera grita “Deus”, trágica e luminosamente. E não como os hipócritas de todas as religiões, que quando dizem Deus escondem com esta palavra os seus mais sujos egoísmos, numa farsa da qual não se atrevem já a sair.
Por exemplo, em Rústica diz:
| Ser pura como a água da cisterna, Ter confiança numa vida eterna Quando descer à “terra da verdade”…Deus, dai-me esta calma, esta pobreza! Dou por elas meu trono de Princesa, E todos os meus Reinos de Ansiedade. |
2. A verdadeira religião será aquela que nos outorga os verdadeiros tesouros, as riquezas da alma que não cedem nem podem ser compradas com todas as riquezas do mundo, nem pela fama e culto dos povos: quanta riqueza a de Florbela, que religiosidade deste modo, quando diz: “Dou-te o que tenho: o astro que dormita,/O manto dos crepúsculos da tarde,/O sol que é de oiro, a onda que palpita./Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!/Eu sou Aquela de quem tens saudade,/A princesa de conto: “Era uma vez…”
3. A sua religião é a da Filosofia, aquela que perguntando abre o seu coração aos ventos do mistério e ao profundo, a alma exposta sem nome nem forma, a que os egípcios chamaram de Amón. A sua religião é a da Filosofia pois ninguém impõe as suas crenças nem quer presumir que sabe o que não sabe. Que filosóficos, que profundamente religiosos e belos, belos e religiosos, os seus conselhos “A um Moribundo” que em versos diz:
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Não tenhas medo, não! Tranquilamente, A cabeça reclina levemente O que há depois? Depois?… O azul dos céus? Que importa? Que te importa, ó moribundo? |
4. Também é a religião da Filosofia a busca permanente do Eu Profundo. Não segundo uma visão egoísta, nem egocêntrica, mas sim a daquele que quer conhecer-se a si mesmo, porque sabe que dentro estão todas as respostas a todas as perguntas, e porque intui que no espelho de si mesmo, se vê o universo inteiro. Como na história do sábio humorista Nasrudín, é mais fácil buscar a chave da vida, fora, onde sabes que não está, do que dentro, onde está escuro e onde nos temos de enfrentar com os monstros criados pela própria fantasia ou cristalização das nossas ignorâncias e medos. Só a alma audaz se atreve a olhar para o abismo.
| EU
Até agora eu não me conhecia, Mas que eu não era Eu não o sabia Andava a procurar-me – pobre louca!- E esta ânsia de viver, que nada acalma, |
E no poema, “Meu Mal” do livro de Soror Saudade, diz: “Eu tenho lido em mim, sei-me de cor, / Eu sei o nome ao meu estranho mal: /Eu sei que fui a renda dum vitral, /Que fui cipreste, caravela, dor! ”. Ou no poema “Quem sabe?…”, de Charneca em Flor: Queria tanto saber por que sou Eu! /Quem me enjeitou neste caminho escuro? / Queria tanto saber por que seguro /Nas minhas mãos o bem que não é meu! ”
5. A sua religião, na sua alma intuída e refletida nos seus versos, é a Religião Natural, que ensina como verdade lógica e irrebatível, que a alma não morre, e que portanto, reencarna no seu caminho infinito de perfeição. E ela assim o ensina, de forma alegórica ou realmente pressentida:
| Lembrança
Fui Essa que nas ruas esmolou Tanto poeta em versos me cantou! Tenho o perfil moreno, lusitano, Tudo em cinzentas brumas se dilui… |
6. Que bem expressa Florbela o processo de encarnação e endurecimento da alma, que se cobre de pó e cinza, que se gela e petrifica. A verdadeira religião é a que te faz recordar que neste mundo estamos nus e negamo-nos a converter-nos em estátuas de sal. Religião é buscar a verdade, a beleza e a justiça e não crer que estas foram encontradas e possuídas indefinidamente, pois até o diamante pode converter-se, degradando-se, em carvão; é fazer o bem e cada vez mais e mais sabiamente. Religião é antes de tudo, querer voltar a casa, à do nosso Pai Celeste, como disse Jesus Cristo nos Evangelhos.
| Nostalgia
Nesse País de lenda, que me encanta, Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta! Ó meu País de sonho e de ansiedade, Quero voltar! Não sei por onde vim… |
7. A verdadeira religião, como dizia o filósofo, poeta e místico Ibn Arabí, é a religião do amor, e ainda que esse amor seja ao princípio tumultuoso pois é cego, transbordante como o rio de fogo de um vulcão, não deixa de ser amor, e antes ou depois encaminhará os seus passos até ao alto, como uma espada de chamas. Pois de um modo ou de outro, a entrega é generosidade, inegoísmo, e este último é sempre espiritual.
| Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente! Recordar? Esquecer? Indiferente!… Há uma Primavera em cada vida: E se um dia hei de ser pó, cinza e nada |
8. A verdadeira religião é o “caminho do Fogo” (como se diz de Ra, o Sol Criador, nos hinos egipcios: “O seu caminho é o caminho do Fogo e atrás dele marcham os Exércitos Celestes”), que se liberta gritando, cantando e dançando do abraço da madeira húmida, da sua prisão, de tudo o que o empequenece e limita, e dá assim luz e calor ao mundo.
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Mais Alto Mais alto, sim! Mais alto, mais além O mundo não conhece por Alguém! Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível! Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber |
E é deste modo que se falamos do Eterno Feminino, como dissemos antes, a verdadeira religião é a do Amor, a do amparo, da Gruta mágica que protege a chama que arde, a que “abraça o mal da vida”, e torna assim doce o amargo, suave o áspero e harmoniosas as estridências agudas e lacerantes da vida do mundo: pois como dizia Chopin, a vida é, neste mundo, uma sucessão de ruídos que deveríamos converter em música.
9. A verdadeira religião é a que nos ensina que tudo o que se aproxima de nós, tudo quando se cruza com a nossa existência, como uma linha que corta a outra, é nosso “irmão”, como diz Florbela In Memoriam, no mesmo livro de Charneca em Flor: “El Sol, la tierra, la flor, el rocío tierno, de la pobreza el tristísimo flagelo, todo cuanto hay de vil, cuanto hay de bello, todo era nuestro hermano”. E esta é a visão de Florbela, e ainda que ela, desgarrada pelo furor da vida, reconheça que não é capaz de viver assim, pois ela é uma poetisa, não uma santa, ensina com a magia dos seus versos o caminho da perfeição e da verdadeira liberdade!
| In memoriam
Ao meu morto querido Na cidade de Assis, “Il Poverello” Tudo quanto há de vil, quanto há de belo, “Olha o nosso irmão Sol, nossa irmã Água…” Batida por furiosos vendavais! |
10. E não é verdade que o facto de ser compassivo é a alma de toda a verdadeira religião? : Um coração terno, aberto a todas as dores do mundo e com ânimo para dar pão ao faminto, água ao sedento e abrigo ao desamparado. E não é uma oração, um salmo de piedade e compaixão o seguinte poema de Charneca em Flor.
| A Minha Piedade
Tenho pena de tudo quanto lida Da rocha altiva, sobre o monte erguida, Tenho pena de mim… pena de ti… De não ter asas para ir ver o céu… |
E não é uma piedade e compaixão que seja sonsa e vã, mas sim a de quem não se importa de sangrar a sua alma com os espinhos para assim oferecer as rosas:
Sou eu! Sou eu! A que nas mãos ansiosas Prendeu da vida, assim como ninguém, Os maus espinhos sem tocar nas rosas! |
Do poema Sou Eu! em Charneca em Flor
11. A verdadeira Religião é puro panteísmo, pois o ego que é a raiz do conflito, do desejo, de todo o medo e angústia, dissolve-se e reencontramo-nos tanto na estrela como na “gota de água que ri na fonte”.
| Panteísmo
Tarde de brasa a arder, sol de verão Vejo-me asa no ar, erva no chão, E de bruços na terra penso e cismo Nas coisas luminosas deste mundo, |
12. A Religião verdadeira é a que ergue as almas ante a pregunta e o mistério do que é a Vida: “Minh’alma é como uma pedra funerária / Erguida na montanha solitária, / Interrogando a vibração dos céus!” E ao elevar-se sobre si mesma transborda, abandona a visão mundana para entrar na dimensão, como dizia o Filósofo da Academia, “somos Deuses mas temo-nos esquecido”. Florbela pronuncia, audaz: “O Amor dum homem? (…) Quando eu sonho o Amor dum Deus!…”.
13. A verdadeira religião é a que ensina que a vida é uma passagem, e que estão mortos aqueles que carecem de Ideais:
| VII
São mortos os que nunca acreditaram São mortos os que nunca alevantaram Que Deus faça de mim, quando eu morrer, Tombando, em doces pregas de mortalha, |
Pois a verdadeira religião é puro idealismo, e todos os que consagraram a sua vida a um Ideal de Verdade e Bondade, de Justiça e Beleza, recorrem, de um modo ou de outro ao caminho da verdadeira religião. A Verdadeira religião é a mística que se respira, por exemplo, no Senhor dos Anéis, ainda que não se fale em Deus, ou nas obras de Shakespeare, onde a religião é amor e dever, é realeza e cortesia de almas.
Florbela embriagada de puro idealismo ao escrever estes versos, deixa-nos um monumento digno de recordar, um código moral, um pequeno tratado de verdadeira religião quando escreve:
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VIII Abrir os olhos, procurar a luz, Amar o sol da glória e a voz da fama Sobre um sonho desfeito erguer a torre Que importa que nos vençam desenganos, |
José Carlos Fernández
Lisboa, Dezembro 2012

