Ciclo «A Arte de ver o Belo» – A Arte e Espiritualidade da Obra de Mondrian
Por Ana Guerreiro, Carla Bastos e Carlos Neves, Membros da Nova Acrópole Lisboa
20/06 | 6ª Feira | 19h30 – 21h
Inscrição: bit.ly/4gfrbB9
Local: Nova Acrópole Lisboa
Circular Sul do Bairro da Encarnação, 35-C
1800-135 Lisboa
Piet Mondrian (1872-1944) foi um pintor holandês que criou o movimento conhecido por neoplasticismo. Os seus primeiros trabalhos são baseados na natureza, com um pendor naturalista ou impressionista. Sua arte é fortemente utópica, mas focaliza-se na busca de valores universais e estéticos.
Confronta a arte com a realidade, afirmando que a produção artística supera a realidade, pois não existe uma relação direta com o real. A sua educação teve grande influência religiosa, mas foi na Teosofia criada por Helena Petrovna Blavatsky que Mondrian encontrou os fundamentos espirituais para abraçar a arte abstrata, como se verifica nas suas pinturas de flores, um símbolo universal feminino na Teosofia.
Cerca de 1930, a arte de Mondrian atingiu um ponto de maturidade, caracterizado por uma elevada pureza e sobriedade, mostrando que o artista seguiu uma produção de composições refletidas, bastante cuidadas, cujos elementos da pintura revelam uma resolução inovadora a cada novo trabalho.
As suas demonstrações filosóficas humanistas, junto a uma espiritualidade sincrética, fornecem orientações para a busca dos automatismos que constituem a essência do mundo. Sua fase abstrata começa com técnicas de geometrização e síntese da realidade.
As suas pinturas passam pela definição de princípios matemáticos rígidos, através de linhas retas ortogonais, criando composições que, à primeira vista, parecem quadrados, mas são na verdade retângulos, cujas proporções expressam a razão dourada ou o número phi (Ø = 1.6188033989), encontrado numa infinidade de elementos da natureza.
Esses quadros geométricos combinam linhas pretas com retângulos vermelhos, brancos, amarelos e azuis, e contêm em si uma ideia de ordem, harmonia e perfeição — em suma, uma beleza universal, pura e simples. Esta técnica desenvolvida por Mondrian o tornou conhecido como o homem que “quadriculou” a arte, sendo um grande símbolo da modernidade.
Mondrian deixa-nos uma máxima que merece uma profunda reflexão filosófica: “Na natureza, a superfície das coisas é bela, mas a sua imitação é sem vida.”


