Na sexta-feira, dia 14 de março, prosseguimos com o ciclo de atividades “Mitologemas” no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, em Braga. Este ciclo tem como objetivo explorar diferentes mitos de culturas e tradições, destacando os pontos que nos unem.

Cláudia Barros (arqueóloga) apresentou e comentou a cronologia egípcia, o julgamento de Osíris e o significado de Maat, a Deusa da Justiça e da Verdade. Por sua vez, Ricardo Martins (sanscritista) explorou o conceito de Dharma e os principais elementos a ele associados na tradição hinduísta.

Ao trazerem algumas das principais ideias de cada tradição, tornou-se evidente a existência de diversos pontos em comum no domínio da ética e da moral. Apesar das diferenças entre estas civilizações, ambas desenvolveram princípios éticos e morais destinados a auxiliar o ser humano a encontrar a sua essência e o seu dever. Ambas acreditavam numa lei universal que deveria ser seguida para garantir uma convivência harmoniosa na sociedade e um equilíbrio com a natureza.

No contexto da tradição hinduísta, a ênfase recai sobre o dever e sobre aquilo que é justo para cada indivíduo, consoante a sua natureza. Há uma finalidade inerente à vida humana. Já na tradição egípcia, privilegia-se a conduta moral e ética, orientada pelos preceitos estabelecidos na sociedade egípcia e culminando no julgamento divino do indivíduo, simbolizado pela metáfora da pesagem do coração.

Para ambas as tradições, o ser humano deve pautar a sua vida por princípios de justiça e retidão no relacionamento com os outros. A existência de ordem e justiça é essencial para a vida.

No encerramento da palestra, Henrique Cachetas (Diretor da Nova Acrópole de Braga) sintetizou e refletiu sobre os aspetos mais relevantes das duas culturas. Para ambas, existe uma lei divina ou uma ordem cósmica que se conecta tanto com o universo como com cada ser humano. É voltando para o nosso interior, com os olhos do coração, que podemos ver e encontrar mais facilmente a justiça em nós próprios e no nosso caminho.