Durante o mês de outubro, teve lugar na Nova Acrópole do Carregado o “Curso de Estoicismo”, onde foi abordada a filosofia dos principais expoentes do estoicismo.

Na primeira sessão falou-se das escolas pré-socráticas, e da sua natureza de mistério e de difícil entendimento para quem não fosse iniciado. O surgimento do estoicismo deu-se numa altura em que estes movimentos já tinham acabado e focou-se mais na filosofia moral em detrimento da filosofia esotérica.

Falou-se da cosmogonia estoica, a forma como descreviam a constituição humana, e explorou-se a metáfora de Crisipo para descrever as três vertentes estoicas de descrição da Natureza, a Física, a Lógica e a Ética.

Para finalizar o primeiro dia, falou-se das diversas fases do estoicismo e foram referidos os principais expoentes que deram forma ao movimento filosófico, desde o seu fundador Zenão de Cítio até Severino Boécio no séc.VI d.c.

Na segunda sessão falou-se da filosofia de Epicteto e a felicidade desde o ponto de vista estoico. A principal mensagem de Epicteto foi entender as coisas que dependem e não dependem de nós. Disse que há três tipos de coisas, as boas, as más e as indiferentes. “O bem e o mal, procuro-o em mim mesmo e tudo o resto é-me indiferente”.

Mostrou-se o exemplo de Sócrates, que serve de exemplo para a maioria dos estóicos, tendo sido indiferente às coisas que não dependiam dele, até ao momento da sua morte, que a aceitou estoicamente.

Na segunda parte da sessão, falou-se do conceito de felicidade, em como a sua definição foi mudando ao longo do tempo, com Aristóteles, Epicuro, os Estóicos e na atualidade.

Mostrou-se a relação próxima entre a felicidade, a dor e o prazer e de como esse ciclo infinito é difícil de ser quebrado ou controlado. Para finalizar falou-se do conceito da Virtude de Séneca, que a define como algo elevado, excelso, régio, invencível e infatigável, e de como uma ação virtuosa leva necessariamente à felicidade.

Na terceira sessão foi explorada a filosofia do Imperador Marco Aurélio presente no seu diário de vida que hoje é o livro “Meditações” e terminou-se com o conceito de ócio e tranquilidade da alma de Séneca.

O primeiro capítulo é de agradecimento a todos os que o influenciaram a ser o homem que foi, desde os pais, amigos, mestres e o próprio imperador anterior Antonino Pio, pelo seu exemplo de austeridade, mansidão, firmeza inquebrantável nas decisões tomadas com discernimento, indiferença perante as honras recebidas e o amor ao esforço e perseverança. Por último agradece aos Deuses ter tido a família que teve e de não ter caído nas mãos de sofistas. Foram analisadas várias máximas do seu livro referentes à natureza humana, ao homem de mundo, à morte, à evolução, o tempo e o sentido da vida.

Na segunda parte falou-se da luta entre o ócio e a tranquilidade da alma. Explorou-se a doutrina estoica de serviço publico para promover o Bem na sociedade. O serviço publico era uma necessidade para qualquer estoico, a não ser que ficasse sem saúde, fosse excluído da república ou a corrupção impedisse a sua atuação. Perante a impossibilidade deste serviço, analisou-se a importância do ócio para o autoconhecimento e a influencia positiva da sociedade.

Para finalizar falou-se da tranquilidade da alma explorada por Séneca, onde indica que há 3 tipos de vícios que impedem esta tranquilidade, os fixos e reconhecidos, os escondidos e os que aparecem de vez em quando.

Falou-se das duas tipologias de pessoas, as que são muito ativas e fogem de si mesmas e as que não são ativas e estão entediadas na vida. A dada altura Séneca disse “O mal que nos atormenta não vem dos lugares, levamo-lo no nosso interior”.

Para finalizar exploramos as dicas de Séneca para obter a tranquilidade da alma, Ex: ser moderado em tudo, remover luxo, não seguir as modas, ter biblioteca pequena mas lida, evitar atividade estéril, ter objetivos palpáveis e planeados, não ser utópico, não chorar males alheiro, não rir males alheios, etc. Em última instância, Séneca disse “viverá mal quem não saiba morrer”.

Na quarta e última sessão, foi feito um resumo dos principais temas tratados, e foram resumidos em três disciplinas, a disciplina do desejo, a disciplina do pensamento e a disciplina do comportamento e foram analisados os valores estoicos a serem utilizados no século XXI.

Na disciplina do desejo, destaca-se a necessidade de controlo emocional. Estar alerta e observar as nossas emoções e rações para tudo o que nos acontece e sentimos, para quando voltar a acontecer não caiamos no mesmo erro.

Na disciplina do pensamento, destacou-se a necessidade do controlo mental, que pode ser resumida nestas duas frases de Marco Aurélio “Quanto mais próximo está um homem da sua mente calma, mais próximo está da sua força” e “Tens poder sobre a tua mente, não sobre os teus acontecimentos, observa isso e encontrarás a tua força”

Na disciplina do comportamento, destacou-se a importância da Vontade como motor e força motriz para criar e modelar a nossa vida e a Justiça como arquétipo orientador dos nossos passos.

Para finalizar, foram partilhados dez valores essenciais para serem vividos no nosso dia a dia de modo a promover o autoconhecimento, o serviço social e a consecução dos nosso sonhos, Fortaleza, Discernimento, Autodomínio, Austeridade, Esforço, Honestidade, Serenidade, Bondade e Serviço.