15 de abril de 2023

Como parte das atividades comemorativas do Dia Mundial da Terra, celebrado no dia 22 de abril, o Diretor nacional da Nova Acrópole, professor José Carlos Fernández, ministrou uma conferência intitulada “A Terra como ser vivo” no sábado dia 15 de abril de 2023, na Biblioteca Palácio Galveias.

A conferência foi desenvolvida a partir da questão “A Terra é um ser vivo?”. O professor abordou o tema de uma perspetiva filosófica, mas também científica e mística.

Referiu que a filosofia sempre considerou a Terra como um Ser Vivo, um ser em si próprio. E que este pensamento só foi alterado com o aparecimento do materialismo, que instala uma oposição entre matéria e espírito. Perceber os Homens em oposição à Natureza, como se fossemos donos da Terra, e que por isso podemos fazer o que quisermos, introduz um grave problema de consciência.

Talvez, a importância de se voltar a atentar na relação dos seres vivos entre si, e destes com o seu meio, ou seja, o nascimento da ecologia, deu-se quando Neil Armstrong chegou à lua e a partir daí foi possível ver a primeira fotografia da Terra como um todo. Como uma unidade, envolvida por uma atmosfera delicada que precisa de cuidado.

Cientificamente, discorreu sob alguns aspetos da Hipótese de Gaia de James Lovelock, sobre a ideia da Terra como um organismo vivo cujos componentes químicos, termodinâmicos e biológicos se integram para formar um sistema complexo. Um organismo que gera uma ordem no seu interior, que se alimenta da desordem e cria ordem, é um ser vivo, e a Terra faz isso. A Terra é um organismo autorregulável, autossustentável, sendo capaz de regular-se quando o ambiente externo se modifica, desde que não saia de determinados limites. Assim como ocorre com o organismo humano face a mudanças de temperatura, dos níveis de pH, de minerais, de glicose, que se pode regular, desde que não extrapole determinados limites.

E o que é vida? A vida depende da troca energética? Depende da consciência? Depende do movimento? Os vírus estão vivos? Onde se estabelece o limite para a vida? Não se pode julgar que a vida da Terra seja como a do Homem, há vida mineral, animal, humana, porém a vida, pode adquirir formas impensáveis.

Misticamente e poeticamente, há uma ordem implícita, uma espécie de alma que coordena tudo, que faz com que nada se desperdice na natureza. Nem um átomo se perde, tudo retorna. Há uma harmonia por trás da vida. A Terra tem muitos mistérios.

Platão, diz que os seres vivos não vivem na superfície da Terra, mas no seu interior. Talvez porque a pele da Terra é a atmosfera. E nesse caso, não seríamos terrestres, mas intraterrestres. O campo magnético da Terra é parte da Terra, e é graças a ele que sobrevivemos.

Recentemente a ciência descobriu o geocorona, uma camada mais externa da Terra formada por hidrogénio, e a partir daí, os limites da Terra expandiram-se.

Por fim, o professor falou sobre as catástrofes que têm afetado a Terra. Disse que há investigações que afirmam que as catástrofes têm aumentado exponencialmente nos últimos anos: terremotos, maremotos e macro incêndios que se têm intensificado no último século. E, perguntou, porque é que isso acontece? Está a Terra a defender-se? Será uma reação a uma agressão muito séria que tem sofrido?

Referiu que Jorge Angél Livraga dizia que a Terra é um ser vivo e um mecanismo. Dizia, que a Terra possui válvulas de segurança que quando violadas, provocam uma reação. Porque há coisas que a Terra não permite que ocorram, caso contrário poderá morrer. Por isso, sempre que uma dessas válvulas é ultrapassada, a Terra reage mais violentamente.

Perante este problema qual seria a solução? O que é ajudar a Terra? Plantar árvores? Evitar incêndios? Não só. Onde está a medida? A solução está no próprio ser humano? A capacidade que o homem tem de fazer o mal, é a mesma capacidade para fazer o bem. Se o ser humano está harmónico, esta harmonia também se estende para com a Terra.

Podemos corrigir o problema da Natureza, da Terra, se estamos angustiados, desesperados, infelizes, descontentes, em pânico? Não será melhor retornarmos às verdades fundamentais? Não será uma pedra filosofal para a Terra se conseguirmos conquistar a grande sabedoria? Não sabemos, mas temos de retornar ao mais puro da nossa alma. Se não voltarmos à pureza da alma, vamos continuar a contaminar a Terra. São degraus da mesma escada. Devemos retornar à nossa identidade mais pura e mais luminosa. Enquanto não o fizermos, não haverá solução para o problema. Se há intuição, se aceitarmos a homeostase, se aceitarmos uma ordem implícita. Retornar ao humanismo, à pureza da alma humana poderá ser uma solução.