A última apresentação deste ano do ciclo Filosofia nos Museus – Mitologemas, teve lugar na passada sexta-feira dia 12 de dezembro, no Salão Nobre do Museu dos Biscainhos.
Este ciclo foi encerrado com uma reflexão profunda sobre os mitos de Hércules apresentado por Henrique Cachetas (Dir. da Nova Acrópole de Braga) e Gilgamesh (Antony Capitão).
Estes dois heróis de culturas distintas, estão separados por séculos e por contextos culturais aparentemente distantes, Hércules o herói da Grécia Antiga, e Gilgamesh o rei lendário da Suméria, partilham ensinamentos essenciais que atravessam o tempo. Estes mitos revelam-se como verdadeiros mapas simbólicos do caminho humano: a luta interior, a superação das próprias limitações, o confronto com a dor e a perda, e a busca por um sentido mais elevado da existência.
Hércules, através dos seus Doze Trabalhos, simboliza a força da vontade colocada ao serviço da transformação interior. Cada prova representa um aspeto da natureza humana que precisa ser dominado, purificado ou integrado. O herói não se limita a vencer monstros exteriores; aprende a vencer-se a si próprio, elevando-se progressivamente até à imortalidade, símbolo da conquista do que há de eterno no ser humano.
Gilgamesh percorre um caminho distinto, mas complementar. A sua jornada começa marcada pelo poder e pela arrogância, transforma-se pela experiência da amizade com Enkidu e aprofunda-se após a dor da sua perda. A busca pela imortalidade conduz Gilgamesh ao reconhecimento da finitude e à compreensão de que a verdadeira eternidade se alcança através da sabedoria, do serviço e da construção consciente da própria vida.
Este mito ensina que o despertar da alma nasce, muitas vezes do sofrimento e da aceitação dos limites.
Em ambos os mitos, o heroísmo é apresentado não como um feito exterior, mas como uma conquista interior e recorda-nos que estas narrativas não pertencem apenas ao passado, elas continuam vivas e refletem as provas que cada ser humano enfrenta no seu próprio caminho de evolução.
Este encontro reforçou a ideia central do ciclo Filosofia nos Museus: apesar das diferenças culturais, os grandes mitos da humanidade expressam verdades universais e intemporais. Ao escutá-los somos convidados a reconhecer as nossas próprias provas da alma e a percorrer o caminho do autoconhecimento, da superação e da realização do melhor de nós mesmos.
Ana Fernandes (15\12\25)


















