12 de maio de 2023

Na sexta-feira, dia 12 de maio de 2023, Cleto Saldanha, membro da Nova Acrópole de Lisboa, deu uma conferência intitulada “Hércules e a conquista da imortalidade” na sede de Lisboa. Esta atividade fez parte do ciclo “1 Mito, 5 Quadros”, que teve como objetivo principal a análise e interpretação de alguns quadros, para dar a conhecer o conteúdo simbólico de vários mitos.

Desta vez, o tema foi o mito de Hércules, abordando aspetos da arte, da filosofia e do simbolismo presentes em cinco quadros de diferentes autores, centrados na história deste personagem mítico. Hércules é um herói da Grécia Antiga, humano, símbolo da virtude, da fortaleza, do Homem que começa um caminho de evolução.

O orador começou por fazer uma breve contextualização sobre os doze trabalhos de Hércules, e em seguida, realizou algumas análises artísticas e simbólicas de cenas do mito representados nas diferentes obras selecionadas.

No primeiro quadro falou sobre o primeiro trabalho de Hércules, onde este se vê obrigado a matar o Leão de Nemeia. Simbolizando o confronto do homem com o seu orgulho, ou por outras palavras, com o seu aspeto animal. Para que o herói supere a prova precisa aniquilar o orgulho, para se tornar humilde e ganhar consciência de que a sua capacidade de ação deve ser altruísta e não egocêntrica.

No segundo quadro, falou sobre o segundo trabalho de Hércules, onde o herói tem como missão matar Hidra, o monstro com múltiplas cabeças que representa a pluralidade dos desejos do ser humano que o impede de desenvolver uma vida interior. Os desejos podem estimular o apego desmedido, que quando alimentado, gera vício, e este, por sua vez, leva ao descontrolo. Para lutar contra esse apego, é necessário reunir todas as forças das virtudes, representadas no quadro pela força muscular do herói. Hércules representa toda a determinação que o ser humano necessita para lutar contra os vícios e impedir que estes se perpetuem. Para que o ser humano possa avançar, precisa de se libertar dos elementos superficiais que obstruem a sua vida interior.

Cleto, aproveitou ainda um outro quadro para falar sobre o décimo primeiro trabalho de Hércules, onde este deve resgatar o cão de três cabeças – Cérbero – que está no mundo dos mortos. Recorrendo, apenas, à força física, o herói consegue submeter o animal e retirá-lo do submundo, superando assim a prova.

Simbolicamente, este trabalho, representa a capacidade do ser humano em enfrentar os desafios através da força da coragem. Neste episódio, Hércules enfrenta a própria morte simbólica. Mergulhando no submundo, ele vence o medo da morte. Aplicado ao ser humano, esta prova representa um mergulho no mais profundo de nós mesmos, na procura da nossa verdadeira essência. Ou seja, uma viagem ao desconhecido de nós mesmos, enfrentando todos os medos, angústias, desejos e inseguranças, para posteriormente retornarmos com uma consciência mais ampla sobre a realidade.

Ao longo da exposição o orador foi exibindo os diferentes recursos artísticos utilizados pelos pintores, ao nível da composição e dos elementos presentes nos quadros, para reforçar ideias associadas ao mito.

E assim, deste modo, pudemos apreciar mais intimamente a linguagem artística utilizada, assim como a profundidade dos ensinamentos velados sobre a forma de símbolos representados nos quadros.