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Nova Acrópole
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O Bem e o Sol são dois reis; um do mundo inteligível, outro do mundo visível.
A República, Livro VI, Platão
Quem (…) pode ocupar a Sede dos Benditos, as Sedes da Sabedoria e da Piedade? Quem pode assumir a Flor do Poder, a planta de dourado talo e da flor azul?(1)
H.P.Blavatsky
Essa bondade de coração, tão necessária a todos, deve inclinar-nos inexoravelmente a ajudar o próximo, a estender-lhe uma mão física, psicológica e espiritual. Sem isso, as demais coisas não valem nada aos olhos dos Mestres e da própria Alma Imortal.(2)
J.A.Livraga
Jamais me arrependi de ter feito o bem, e não me arrependerei hoje.
Porcia, no Mercador de Veneza, de W. Shakespeare
Na obra teatral “O Mercador de Veneza” de W. Shakespeare, mostra-se uma cena que, como tudo o que saiu da pena desse genial dramaturgo, conduz a profundas reflexões, agora sobre a justiça e a bondade. É a magia do teatro! O cenário converte-se no espelho onde se reflectem as virtudes e os defeitos da alma humana, suas luzes e sombras, suas esperanças e seus medos.
“Já que pedes justiça, tem por seguro que a obterás, mais do que desejas”
Shylock, um rico e avarento prestamista, para se vingar de António, generoso veneziano que emprestava dinheiro sem nenhum juro, empresta a este último, num momento de apuro, uma importante quantia. No contrato, figura que caso não possa pagar antes de vencido o prazo, o usurário poderá extrair uma libra de carne, junto ao coração de António. Chega a hora e Shylock exige, já não o pagamento, mas o cumprimento do contrato, para assim arrebatar friamente a carne, o sangue e a vida de seu odiado inimigo. O Duque de Veneza apela-lhe à compaixão e à ternura, oferecendo-lhe vários dos seus amigos para lhe pagarem o triplo da quantia estipulada; porém, ele não cede, ávido de vingança. Porcia, protagonista angelical desta obra, disfarçando-se de advogado, intercede por António.
Porém, Shylock não consente: exige “a lei, a execução da cláusula penal e o estipulado no documento”. Já que é evidente a má vontade do usurário, pede-se com insistência ao Duque que: “por uma só vez faça a lei ceder ante vossa autoridade”, e a “fazer um pequeno mal para realizar um grande bem e fazer dobrar a obstinação deste diabo cruel” (perigoso e incerto caminho), ao que Porcia responde que: “Não pode ser; não há força em Veneza que possa alterar um decreto estabelecido; um tal precedente introduziria no Estado numerosos abusos. Isso não pode ser”, pois a estabilidade do comércio e das relações humanas fundamenta-se na validade dos contratos, e na palavra empenhada.
No último momento, quando a tensão dramática alcança seu ponto alto, Porcia recorda ao prestamista que, se há que cumprir o contrato, deve ser “ao pé da letra”, e esta não lhe autoriza extrair uma gota de sangue, ou cortar um átomo a mais nem a menos dessa libra de carne. E que além disso, não pode mais reclamar o débito, pois extinguiu-se o prazo. E para finalizar, que, sob pena de morte, sua fortuna ficava confiscada, por, sendo estrangeiro, atentar contra um cidadão de Veneza, segundo está estipulado nas leis desta cidade: “já que pedes justiça, tem por seguro que a obterás, mais do que desejas”.
José Carlos Fernández
(1) Blavatsky, H. P.; Doutrina Secreta vol. III, Editorial Kier, Buenos Aires, p. 406.






