No fim-de-semana de 15 a 17 de Setembro, Cascais recebeu a primeira edição do Festival da Terra GEA, organizado pela Nova Acrópole Oeiras-Cascais em parceria com o Município de Cascais e a Fundação D. Luís I, contando também com o apoio institucional da Comissão Nacional da UNESCO e da Sociedade de Ética Ambiental. Na sala vermelha do Palácio dos condes de Castro Guimarães teve lugar uma memorável sessão de abertura em que se trouxe à memória a faceta panteísta de Manuel de Castro Guimarães, verdadeiro humanista, amante da Natureza e também compositor. Desse modo, Tania Braukamper interpretou ao piano uma peça da autoria do próprio conde de Castro Guimarães e o grupo de artes Orfeu da Nova Acrópole recitou poemas de Guerra Junqueiro, Miguel Torga, Fernanda de Castro e Fernando Pessoa. António Cunha, membro do Conselho Directivo da Fundação D. Luís I, deu as boas-vindas aos presentes em nome do Município e da Fundação D. Luís I e Paulo Loução, director da Nova Acrópole Oeiras-Cascais, desenvolveu a primeira comunicação da noite sobre a tradição panteísta na cultura portuguesa. Seguiram-se as comunicações da historiadora Maria Cristina Gonçalves e do arquitecto paisagista Vítor Guerreiro da Silva sobre a figura de Manuel de Castro Guimarães. Começava o Festival da Terra num magnífico ambiente de beleza e harmonia.
Nos dois dias seguintes, o Parque Palmela foi palco de uma sucessão intensa de actividades amigas da Natureza. Incentivar a ligação e o reencontro do ser humano à Natureza era o mote, recordando, aliás que «nós somos Natureza»! Nesse sentido a Sociedade de Ética Ambiental interpelou os presentes para «pensarem como a Natureza» através de Alcide Gonçalves e Leonilde Alfarrobinha lançou o desafio para um concurso de Haikus, meritoriamente ganho por Mário Nogueira. Ao mesmo tempo, realizavam-se sessões de Chi Kung, workshops de permacultura, de mindfulness e de arte floral, oficinas de super-bolachinhas de algas e de extracção de essências, caminhadas e um magnífico concerto de gongos ao ar livre por Rosário Falcão. Lucília Baptista coordenava as actividades para crianças, o «jogo sensorial», e no auditório do Parque Palmela realizava-se o Colóquio «Nós somos Natureza», abrangendo um ambicioso leque de comunicação sobre diversos temas de índole ecológica, tais como a deep ecology, a teoria de Gaia, o pioneirismo do Padre Himalaya, os geoparques em Portugal brilhantemente tratado pela responsável da Comissão da UNESCO Elizabeth Silva, entre muitos outros. Sábado de manhã, Vítor Guerreiro da Silva, investigador e também membro da comissão organizadora do Festival, levou os participantes ao encontro da «catedral da Natureza» erguida com suprema subtilidade pelo conde de Castro Guimarães, em simultâneo Leonilde Alfarrobinha desvendava os mistérios da poesia haiku do Japão. Pela tarde, Paulo Loução dava início do Colóquio «Nós somos Natureza» com o mote «Ecologia e transição de civilização» ao que se seguiu a importante comunicação sobre «Economia circular» por Isabel Sousa, professora do Instituto Superior de Agronomia e membro da comissão organizadora do Festival da Terra GEA. Bem adentro do Parque Palmela, ao ar livre, Severina Gonçalves, sub-directora da Nova Acrópole Oeiras-Cascais, ministrava o workshop «Mindfulness e Natureza». Entardecia naquele belo espaço verde e chegara a hora de homenagear a 3ª duquesa de Palmela, Maria Luísa de Sousa Holstein, «a sonhadora de impossíveis», através da conferência pela historiadora Luísa de Paiva-Boléo que contou com a presença da trineta da duquesa, D. Maria do Carmo Campilho.
No domingo, Isabel Gomes começou com a sessão de Chi Kung e seguiram-se as oficinas de super-bolachinhas de algas dinamizada por Cristiana Nunes e Carla Graça e de extracção de essências por Margarida Moldão, investigadoras e docentes do ISA. Em simultâneo, e logo após o concerto de gongos, Carmen Morales, coordenadora da Nova Acrópole de Lisboa, e Célia Peralta, arquitecta paisagista, acercavam um extenso grupo de participantes ao mistério das árvores pela porta do seu simbolismo. Pelo início da tarde, Carlos Henriques Pereira, professor da Sorbonne de Paris, abria Colóquio com uma comunicação sobre a especificidade da arte equestre portuguesa e o seu carácter espiritual. Seguiram-se comunicações notáveis como a de Sergio Maraschin sobre a teoria de Gaia, ou a de Rosa Oliveira e Jacinto Rodrigues sobre o génio e pioneirismo do Padre Himalaya. Antony Capitão, membro da Nova Acrópole de da comissão organizadora, realizou uma importante comunicação sobre a «deep ecology» e Rui Vasques transmitiu o seu percurso na área da sustentabilidade depois de ter sido o aluno do ano no IADE com um interessante projecto de um modelo de Ecovila. Outros temas foram tratados no Colóquio «Nós somos Natureza» (vide notícia em separado), tais como a questão dos incêndios tratada através de uma competente abordagem científica por Francisco Moreira, investigador do ISA, e a proposta de uma profunda reflexão sobre a «Educação para a Paz Sustentável» por Helena Marujo e Luís Neto, que encontrou eco no diálogo com o público. Em concomitância, Severina Gonçalves coordenava o workshop de arte floral num belo recanto ao ar livre do Parque Palmela, antecedendo a magnífica conferência de encerramento proferida por José Carlos Fernández, escritor, investigador e director nacional da Nova Acrópole, e subordinada ao tema, «A analogia e o regresso da filosofia à Natureza». Na observação astronómica liderada pelo astrónomo Henrique Cachetas em plena baía de Cascais, Saturno com o seu anel deu o mote da despedida até à próxima edição do Festival da Terra GEA. Um agradecimento muito especial a todos os voluntários da organização, eles tornaram este sonho uma realidade!
NAOC

