No dia 22 de abril de 2022, pelo final da tarde, a Nova Acrópole Oeiras-Cascais celebrou, uma vez mais, o Dia de Terra. O evento decorreu no Palácio dos Aciprestes, em Linda-a-Velha e contou com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras e da Fundação Marquês de Pombal, que tão gentilmente cederam o espaço.
Este dia comemorativo tem por objetivo alertar para as problemáticas ambientais atuais e resulta da adesão da Nova Acrópole ao desafio lançado pela ONU, em todo o mundo, que desafia todos os Homens a refletir sobre esta temática.
O professor Paulo Loução, Diretor da Nova Acrópole Oeiras-Cascais, deu início à atividade apresentando-nos uma conferência intitulada “Será a Terra um Ser Vivo?”. Desta forma, conduziu os presentes a um novo um olhar relativamente à Mãe-Terra – Gaia.
A Teoria Gaia proposta por James Lovelock, sugere que tenhamos uma visão da Terra como um Ser vivo, no qual o Homem está integrado e não excluído. Face às várias agressões e alterações contra o meio ambiente, entende-se que a Terra tem uma capacidade de autorregulação e restabelecimento do seu equilíbrio natural. Contudo, este facto não reduz a nossa responsabilidade, face à necessidade de procurar novas soluções perante os atuais problemas.
Assistimos a um excerto de uma entrevista ao cientista Stephen Harding, onde o investigador dá ênfase à ideia de que assim como o Homem utiliza a sua mente mecânica e racionalista para organizar múltiplas tarefas, pode como diziam as culturas antigas, utilizar um outro tipo de mente, que o liga mais à imaginação e à intuição. Assim a Terra também se autorregula através de uma mente mais organizativa, mas quando cria, quando evolui em todas as suas formas de vida, utiliza o seu lado mais dinâmico e criativo.
A Natureza não é uma máquina morta, que trabalha roboticamente, mas um Ser vivo, um macróbio que estabelece relações de interajuda e ajustes dinâmicos, permanecendo em constante evolução.
Outro aspeto focado na conferência foi a necessidade do Homem prestar mais atenção ao ritmo próprio da Natureza. Religarmo-nos à Mãe-Terra, tornando a nossa visão do mundo mais espiritual e menos materialista. Precisamos desacelerar e ter como novos objetivos uma vivência mais profunda e interior dos acontecimentos e não apenas um olhar para a face mais material e efêmero da Vida.
Seguidamente, o pianista Jorge Fontes brindou a audiência, com uma interpretação majestosa, de alguns temas de Robert Schumann, Frédéric Chopin e Franz Liszt intercalados, com uma bela atuação do Grupo de Artes Orpheu, que reinterpretou um texto da Filósofa Délia Guzmán: “Terra”. Uma das ideias centrais transmitidas recordou-nos a importância de olharmos para a diferenciação, periodicidade, unidade entre outros aspetos ou leis fundamentais que regem a Terra. Se Gaia fosse inerte e estéril, ou se fosse um organismo que se comporta de forma aleatória, como poderia originar organismos, seres vivos, elementos da Natureza tão complexos e belos?
A sessão terminou, numa comunhão plena entre os sentidos e as causas mais profundas do que nos sucede, precisamos prestar mais atenção “pois entre os véus de Maya, a Ilusão, são muitas as coisas que se deixam entrever.”
