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Um menino rindo misteriosamente. Uma noiva na sua noite de núpcias. Um monge tibetano jogando com uma bola... Á primeira vista, parece que a exposição de Pierre Poulain é composta por um conjunto de fotos escolhidas ocasionalmente, sendo o seu único denominador comum uma grande qualidade estética e apresentar o ser humano sob vários aspectos diferentes. Mas ao observar-se mais atentamente, podemos perceber uma trama escondida, que se descobre progressivamente em cada olhar atento. Esta trama, mesmo que ao início invisível aos nossos olhos, dá um sentido à ordem seleccionada para apresentar as fotos, correspondendo à visão filosófica do fotógrafo.
Pierre Poulain començou a sua carreira como fotógrafo em França nos anos 80, mas, mais tarde, afastou-se. Faz alguns anos que Pierre voltou à fotografia com uma nova profundidade e sensibilidade, graças a estudos e vivências filosóficas que experimentou. Porque a filosofia é um processo que transforma o praticante, o qual se mostra mais alerta no que respeita ao momento presente. Considerando a definição, o filósofo é um “buscador da Verdade” e com esta exposição Pierre quis construir-nos uma poente que nos permita aproximarmo-nos e permitir-nos palpar este conceito abstracto, designado “Verdade”, a que consagrou a sua vida.
Todos somos portadores de máscaras; todos nascemos num contexto cultural e social específico que nos influencia. A nossa subjectividade limita o nosso horizonte e funciona como um véu frente aos nossos olhos, filtrando a luz da realidade, da objectividade e do mundo universal.
Às vezes, em momentos especiais, uma experiência particular pode desde logo ampliar a nossa percepção face a algo novo, diferente, recôndito e profundo que está mais além das limitações do tempo e do espaço e fora da abrangência das regras sociais. Nesse instante, o homem real se revela tal e como é… sem máscara nem véu. Esses momentos vão e vêem, como a espuma das ondas, mas são justamente a maravilhosa capacidade da Arte do fotógrafo, a de capturar um sopro e perpetuá-lo por ele mesmo, tornando-o eterno.
No tempo actual, sendo que cada qual possui a sua própria verdade, Pierre Poulain recorda-nos, através da arte fotográfica, que uma Verdade comum, também, existe. O nosso destino comum de seres humanos e a nossa busca universal da felicidade é o que olvidamos na nossa vida quotidiana. Mas através da Arte, a memória desperta-se e compreendemos, novamente, que não é que sejamos um entre a multidão mas a multidão é também uma. |