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SABEDORIA VIVA DAS ANTIGAS CIVILIZAÇÕES
FILOSOFIA COMPARADA DO ORIENTE E DO OCIDENTE
Introdução às principais ideias e vivências proporcionadas pelas várias correntes de pensamento ao longo da História da humanidade. Da Índia Védica ao Budismo Tibetano, de Confúcio ao Egipto, de Platão a Plotino passando por Aristóteles. Um vasto conjunto de temas que, mais do que acrescentar os nossos conhecimentos, nos permitem aceder a algumas das chaves para entender o ser humano e o mundo.


A FILOSOFIA COMO CONHECIMENTO GLOBAL

Para Platão, a Filosofia é a Música que a alma faz na procura da verdade, música que salta todas as barreiras dos nossos medos e egoísmos. Filosofia é amor à sabedoria e esta a alma e luz de todos os processos da natureza e da mente humana.
Nas civilizações antigas a Filosofia não é, como hoje, uma especialização do conhecimento humano mas o seu fundamento, a matemática dinâmica da alma. da natureza e, portanto, a estrutura viva de toda a ciência e saber. Os programas educativos das Escolas de Filosofia, como a Academia de Platão, o Liceu de Aristóteles ou a Escola Estóica tendiam para o despertar e desenvolvimento do princípio luminoso da razão na alma humana. E, também, uma formação do carácter dos discípulos para poderem enfrentar a vida com valentia e inteligência, conhecendo a mecânica desta mesma vida e deste modo não serem seus escravos, mas sim seus donos. As Escolas de Filosofia eram, portanto, as que outorgavam a mestria na arte de viver, dando ao humano a sua dimensão verdadeira e quase divina. No Egipto estas Escolas receberam o nome de «Casas da Vida» porque eram oficinas de forja das almas e da conduta.


OS SETE NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA
Tudo no Universo é uma questão vibratória, desde a agitação do átomo nas côncavas matrizes da substância primordial, até à palpitação da vida que faz nascer e morrer mundos sem fim no seio da Eternidade. Segundo a filosofia hermética, onde há vibração há vida e onde há vida há consciência, por mais ínfima que esta seja. Nas Escolas Esotéricas da índia, Grécia e Egipto foram descritos sete níveis de vida, forma e consciência que abarcam a natureza inteira, entendendo por natureza o todo em acção. Esta constituição septenária é o esquema básico para entender a filosofia e o pensamento antigo e também para aprofundar os mistério da alma humana. Toda a vida é tecida com e nestas vibrações, que são as primeiras sementes da realidade. Para o ser humano e para a natureza, tal e como a conhecemos, estas vibrações assumem a forma, desde o mais denso ao mais subtil, de:

l - A matéria e forma dos corpos,
2 - A corrente vital,
3 - Mundo emocional,
4 - Mente de desejos, limitada e condicionada,
5 - Mente pura e altruísta, ilimitada e incondicionada,
6 - Intuição pura ou luz da inteligência,
7 -Vontade de Ser, a chispa última de Deus na alma de tudo o que vive.

A ÍNDIA MILENAR E O BHAGAVAD GITA
O Bhagavad Gita, o «Canto do Mestre» é a obra cume da filosofia hindu. Pertence ao Mahabharata, epopeia que narras as guerras entre kuravas e pandavas e que serviu, por exemplo, de inspiração a George Lucas para a sua «Guerra das Estrelas». O Bhagavad Gita desenvolve nas suas páginas ensinamentos sublimes, questões fundamentais para entender o sentido da vida: o Dharma, a Lei da Harmonia Universal; o Karma, Lei da Causa e Efeito; a teoria da reencarnação e a imortalidade da Alma; o mistério dos avatares ou encarnações divinas, que impulsionam a humanidade nos momentos mais críticos; a vida e conduta do sábio, a natureza e comportamento da mente e como dominá-la; a devoção, investigação e serviço como qualidades essenciais de quem queira conquistar a sabedoria, etc, etc.

OS MISTÉRIOS DO TIBETE:
A VOZ DO SILÊNCIO E O LIVRO DOS PRECEITOS DE OURO

Este livro que H. P. Blavatsky traduziu e comentou, expõe a quinta-essência da filosofia e compaixão budista e é um fragmento do antiquíssimo e oculto livro de «Os Preceitos de Ouro» tibetano. Foi traduzido para a língua portuguesa por Fernando Pessoa, que o considerou como uma das maiores jóias místicas da Antiguidade. Recomendada pelo Dalai Lama, pelo Panchen Lama e por tantas outras figuras relevantes da história, como Elvis Presley ou o grande divulgador da filosofia Zen, o doutor Suzuki. Esta obra expõe os trabalhos, provas e passagens da Alma para chegar ao Oceano de Luz do qual partira. A Voz do Silêncio ensina-nos que teremos pouco sucesso na procura de nós mesmos, ou seja, na conquista do nosso «Ego Superior», se não nos afastarmos do mundo da ilusão, se nos protegermos com a carapaça da personalidade, se olharmos o mal e a dor sem os combatermos, se chorarmos pelos efeitos mas ficarmos imóveis face às causas da desgraça humana.

A FILOSOFIA DE BUDA
A base do Ensinamento de Buda é a supressão da dor e a dor não é um fenómeno nem antigo nem recente: sempre existiu. Esta dor comum aproxima-nos muito àquele que recebeu as palavras do«Iluminado».
Na verdade, o exemplo de Buda é um dos mais extraordinários na história mística pela claridade, doçura, amor e verdade que se encerra na sua Mensagem. Na antiguidade, uma mensagem não era uma simples obra literária ou uma especulação mental que depois se comercializava. A Mensagem de Buda foi o fruto de uma longa série de experiências no sentido de procurar apaziguar o sofrimento dos Homens. Profundas meditações tiveram como resultado a excelente qualidade da doutrina Budista. Se recuarmos no tempo, encontrar-nos-emos perante o príncipe Sidharta Gautama em todo o seu esplendor, na corte do seu pai Sudhodhana, o rei de Kapilavastu. Embora tivesse à sua disposição imensas riquezas e uma infinidade de prazeres, o seu coração angustiava-se face a um problema: resolver o porquê da existência.

CONFÚCIO E A SUA FILOSOFIA PRÁTICA
O Confucionismo persegue uma ordem social racionalizada através da Ética e baseada numa cultura pessoal. Procura a harmonia política tratando de aperfeiçoar a harmonia moral no homem. Assim, a sua característica mais assinalada foi a abolição da diferença entre Política e Ética. Fundamentalmente, a sua Doutrina contém uma atitude humanista despojada de todo o misticismo vão, interessada pelas relações essenciais entre os homens e que instaura uma ordem de vida, um regime ético-político destinado a lograr a fraternidade, a concórdia e a harmonia.
Ética é a Ciência que procura harmonizar o homem para que, nele, brotem as fontes do Bem e da Justiça. É o elo que vai unir, mediante uma conduta e uma forma de ser, os sentimentos com a acção, procurando incansavelmente a essência autêntica das coisas.
Política, assim como a entendia Confúcio, e com ele Platão, Pitágoras e outros grandes filósofos, é a Ciência e a Arte de conduzir, educar e harmonizar os povos elevando-os, e não arrastando-os, desde os seus fundamentos físicos e biológicos até aos cumes da realização no emocional, mental e espiritual.
A Ética vai dirigida ao indivíduo e a Política vai orientada para as sociedades; por esta razão Confúcio, que não fazia distinções entre ambas, disse: “A ordem política é o fruto de uma ordem ética”.


EGIPTO
A Moral não é no Egipto um adorno intelectual, mas configura todo um estilo de vida; é o esqueleto e o sangue do esquema civilizatório. Influi nos mais pequenos aspectos quotidianos até lhe dar a altura dos Grandes Mistérios. A religião abrange todas as facetas da vida e é herdeira, como a ciência, a arte e a política, dos Conhecimentos Iniciáticos que foram sempre a seiva e vida desta árvore mágica que foi o Egipto. O trabalho é para esta cultura antiga não uma maldição bíblica, mas sim a maravilhosa oportunidade de transformar e embelezar o mundo em nosso redor e também de transformar e dignificar a alma humana. «A bênção de um artesão são as suas ferramentas de trabalho», diz uma máxima egípcia; outra expressa que «o amor pelo trabalho leva o homem perto de Deus», e outra ainda «se vais por um caminho que as tuas mãos constroem dia a dia, chegarás ao lugar aonde deves estar». Os vizires Ptahotep e Kagemni, o príncipe Hordjedef, o faraó Amenemhat I e muitos outros ainda, toda uma plêiade de sábios, legaram-nos as suas «palavras de conhecimento» que são ainda tochas que podem iluminar os nossos passos na vida.


A TRADIÇÃO GREGA
Os filósofos pré-socráticos bem como Platão e Aristóteles são parte dos fundamentos da nossa cultura Ocidental, sendo inspiração e conhecimento para quem olha os seus ensinamentos não como um totem mas como uma fonte viva e um modo de reencontro com nós próprios.
Platão estabelece a sua teoria dos Arquétipos, super-modelos celestes, que guiam todas as formas de vida na natureza e na alma humana. Mostra uma «Cidade Ideal» onde as relações não estejam baseadas no interesse mas na Concórdia e na Justiça e onde o governo seja um acto puro de sacrifício e dação. O «Mito da Caverna» expõe a nossa vida de sombras na caverna do mundo, enganados pela nossa própria ignorância e manipulados pela projecção de «fantasmas» de quem rege este teatro infernal.
Aristóteles desenvolve na sua Ética a Nicómaco uma verdadeira teoria da Inteligência Emocional e diz que a felicidade do homem não pode depender do estado vegetativo, porque o homem não é uma planta; nem das suas sensações de prazer, porque o homem não é um animal, mas da vida da alma de acordo com a razão, ao Dever Ser.


A SABEDORIA EM ROMA
O Estoicismo evoca a ideia de uma virtude austera, mas é uma filosofia de verdadeira e admirável moral que nos causa admiração pela força das suas ideias, que não se perde em conteúdos de raiz metafísica antes envolvendo-se numa vertente mais prática para o Homem. É uma filosofia para o quotidiano que nos permite enfrentar a dor, o infortúnio ou o temor através da prática da Virtude. Para os Estóicos a Vontade do Homem devia sobrepor-se a todos os vícios, desejos e medos, para que desse modo ele pudesse ser dono de si mesmo.
Esta doutrina ganhou uma enorme projecção em Roma através de grandes figuras como Epicteto, Séneca e do imperador Marco Aurélio. Foi com os estóicos como donos do Império que a Humanidade teve os seus mais belos anos da História.


OS NEOPLATÓNICOS
Plotino foi o maior expoente do Neoplatonismo. Fundou uma Escola de Filosofia em Alexandria e posteriormente outra em Roma onde teve grande influência sobre as mais destacadas: personalidades romanas. Os seus ensinamentos filosófico-religiosos baseavam-se na Contemplação e na União com Deus.
Entre várias ideias destacam-se os seus ensinamentos sobre a Tríade primordial, formada pelo Ser, Inteligência e Criação; sobre a Alma, que segundo ele não tinha o Mal como algo próprio mas sim como um agregado; e sobre a Beleza em que afirmava que para se chegar ao Belo se devia abandonar a beleza que se plasma no mundo dos sentidos.
A Doutrina que transmitia a discípulos selectos, entre os quais se encontrava Porfírio, autor de uma compilação com os ensinamentos de Plotino, era pura luz e tinha como objectivo elevar a Alma desde o mundo pluralizado até ao Primeiro Princípio.


A ANTIGUIDADE DA HUMANIDADE: HISTÓRIA E MITO
A História é uma das actividades próprias do ser humano, é a memória da Humanidade que lhe deve servir como experiência para o futuro. Embora pareça um desarticulado mosaico, o seu estudo vai-nos dando chaves para a interpretação do passado humano. Muitos dos factos passados não foram relatados cronologicamente, nem objectivamente, mas sim apresentados sob a forma de Mitos, que transportavam não só feitos históricos mas também valores psicológicos e simbólicos.


SER HUMANO, SEUS RITOS E CICLOS
Hoje em dia a ideia que se tem da História é a de que ela é recta, que a Humanidade começou primeiro andar nua e com paus para se proteger e que foi progredindo até atingir o patamar mais alto que seria a actualidade. Porém esta é uma ideia errada pois houve nas brumas da História período em que o homem teve grandes avanços tecnológicos, alguns ainda não explicados pelos cientistas de hoje. Senão veja-se o exemplo das Pirâmides do Egipto que ninguém ainda sabe como foram construídas; ou então o que dizer das famosas pilhas encontradas em Bagdade e que remontam a vários milénios atrás?
   Já na Índia antiga, há milhares de anos atrás, se dizia que a História se movia em ciclos, como tudo na Natureza, e assim existiam períodos em que a Humanidade estaria com um alto grau de desenvolvimento em vários níveis e outros períodos obscuros, chamemos de Idades Médias, em que as formas civilizatórias se desagregariam para mais tarde se voltarem a erguer de novo em todo o seu esplendor.


FUNDAMENTOS DE UMA NOVA CULTURA
Para os filósofos e sábios antigos o Homem é imensamente velho e está presente na Terra desde as suas primeiras épocas. Assim sendo é um produto de uma longa evolução, não somente biológica mas também psicológica. Tendo, então, a Humanidade um longo passado, terá também um longo futuro em que experimentará muitas alterações, tanto a nível físico como psicológico.
O que se pode extrair das civilizações passadas, como a grega ou a romana, é o seu espírito para que ele volte a animar novos feitos que se pretendem duradouros.
 É necessário que essa Nova Civilização se forme com um sentido filosófico e que, animada pelo mesmo espírito de beleza e de responsabilidade, saiba que tem um futuro e o construa de uma maneira científica.


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