Logo_NA_Verde_2013    
     
  a   a   a   a   a   a   a   a   a   a  
                             
 

A Voz do Silêncio -
A Iniciação e os Caminhos Rumo ao Homem Perfeito

“Nada está parado; tudo se move; tudo vibra”.

Tudo se move, como como afirma este antigo axioma hermético. Este facto também é comprovado pela ciência académica através dos seus microscópios, telescópios, aceleradores de partículas, etc.,. cujos sensores analisando galáxias, estrelas, planetas, homens, átomos, rios, etc., mostram-nos que desde o maior ao mais pequeno, nada está parado.

Uma consequência do movimento é que tudo a cada instante altera o seu estado temporal e espacial, cada coisa avança, desenvolve-se e baseando-nos nos conhecimentos esotéricos, tudo se revela a partir do seu próprio interior num eterno bailado cujos protagonistas são a consciência, a matéria e a forma. A isto, chamamos nós Evolução.

Estando o homem integrado na Natureza, sendo ele uma parte do cosmos, seria de todo irracional pensarmos que estaria fora deste esquema, deste movimento evolutivo. Assim sendo, como o movimento implica sempre um início e um fim, faz todo o sentido que nos questionemos do seguinte:

         Qual e quando foi o nosso início, ou seja, de onde vimos?
         Qual e quando será o nosso fim, ou seja, para onde vamos?

São estas, talvez, as maiores questões que podemos colocar. No entanto, mesmo não estando na posse das respostas para as mesmas, cedo concluiremos que não as poderemos responder sem colocar em jogo uma terceira:

Quem somos?

Ser Homem

Durante milénios existiram instituições que ficaram conhecidas como Escolas de Mistérios. Nesses lugares o homem dedicava-se a conhecer as verdades sobre si mesmo e sobre a natureza, em suma, procurava responder às três questões anteriores e com isso o seu caminho evolutivo tornava-se evidente.
 Pela disciplina, pelo estudo e pela devoção, estes homens intervinham activamente na sua evolução, vivendo conscientemente as provas do dia-a-dia, esforçando-se em cada instante para atingirem esse fim evolutivo, para se tornarem homens perfeitos, o expoente Máximo do ser humano.

À medida que o homem naturalmente avança no sentido da perfeição, não só o seu corpo evolui, assumindo formas mais estéticas, como também evolui a sua consciência. Esta vai-se revelando cada vez mais altruísta, dedicada ao Bem universal e menos egoísta. O homem ao longo do tempo vai abandonando uma forma “animal” de estar na vida, ou seja, vai deixando de viver somente para o seu bem pessoal, para a satisfação dos seus desejos, para a procura de bens e valores materiais, qual predador que procura uma presa, para viver como um homem, adquirindo uma consciência verdadeiramente Humana, que nasce como fruto da ordem e organização dos seus corpos interiores. Como homem vai revelando sobre tudo o poder que tem em fomentar o desenvolvimento de toda a vida que o rodeia, tal como o Sol.

O que é a vida?

 Em certo sentido, a possibilidade que cada coisa possui para revelar a essência de si mesma. Assim, o Homem age como homem quando se educa e quando educa a sua evolvente com a sua Vontade, com o seu Amor, com a sua Inteligência, pela fé, pela verdade, pela justiça, pela coragem, pelo sentido do dever, pela concórdia, etc., considerando a educação no seu verdadeiro sentido, ou seja, a capacidade de revelar a essência do ser.

 O ganho do homem viver como homem, é a Liberdade. Paulatinamente vai deixando de ser um escravo da vida, vai deixando de ser um prisioneiro não só do material como também do próprio tempo.

Os dois caminhos

Se agruparmos toda a humanidade, colocando de lado a raça, a condição social, conhecimentos, emoções, género, etc., e tomarmos como referência o comportamento e a consciência humana, vamos obter um intervalo que apresenta num dos extremos o mais sábio e altruísta dos Homens e no outro, o mais ignorante dos egoístas, sendo que algures entre eles está cada um de nós.

A crescente manifestação desta consciência humana é a senda que a humanidade trilha no sentido da perfeição e costuma ser representado pelo símbolo de um caminho que em espiral se desenvolve da base de uma montanha até ao cume.

 Ao longo do nosso dia-a-dia vamos vivendo situações das quais podemos tirar conceitos e ensinamentos que podem ser aplicados a nós mesmos no sentido de aferir os nossos actos. Desta forma trabalhamos a nossa personalidade ao ponto de na próxima vez que a mesma experiência nos surja ela possa ser abordada de uma maneira mais correcta. A maioria da humanidade realiza a aferição à correcta forma de estar na vida de uma forma inconsciente e por ser inconsciente demora mais tempo a alcançar o objectivo de agir correctamente em todas as situações. Este é o longo caminho em espiral.

No entanto existe um outro caminho para o topo da montanha. Este é um caminho vertical e exige uma consciência desperta para as provas da vida e para nós mesmos. Neste caminho o homem assume o papel de um “escalador da montanha da vida”. Não seguindo pelo longo caminho em espiral, ele trepa as encostas da evolução, necessitando para isso de uma atenção, uma flexibilidade, uma coragem, uma devoção, etc. para poder ultrapassar sem escorregar os duros desafios que lhe vão surgindo. Este é um caminho estreito e ingreme e um simples desequilíbrio irá fazê-lo cair de uma altura muito elevada, mas ainda sendo difícil e de duras provações, como prémio pode alcançar o topo da montanha muito mais rápido e assim sair da roda da encarnação.

Este último caminho é conhecido como a senda do discipulado e visa transmutar a personalidade num processo mais rápido do que aquele que a natureza realiza com o comum dos homens que segue o caminho espiral.

As condições que aproximam qualquer homem deste caminho vertical são sobretudo o amor, um amor universal e uma crescente ausência de egoísmo. Por amor irá conhecer a verdade e por amor irá servir a verdade. Muitos são os avisos que chegam até nós, sobre o perigo de procurar neste caminho o poder pessoal ou a ambição.

Na seda do discipulado, para aqueles que cumpram os verdadeiros preceitos e alcancem uma personalidade firme, ordenada e organizada, surge um momento conhecido como Iniciação.

Iniciação é a tomada de consciência por parte do homem da sua Essência Imortal. Até esse momento o homem creia nela, mas a partir do momento que é Iniciado, não mais crê, agora ele sabe, sabe quem verdadeiramente é. Tal é o esplendor deste encontro que a sua vida não mais voltará a ser o que era, daí que se diga que ele volte a nascer. Agora, em cada um dos seus actos, mais do que nunca evidenciará toda a Vontade, Amor e Inteligência no cumprimento do plano divino.

A Voz do Silêncio

Durante séculos, no Ocidente, o homem viveu afastado da senda do discipulado e assim, da possibilidade de conscientemente revelar o seu esplendor divino. Embrenhado nas trevas do materialismo, foi com a luz dos ensinamentos da Iniciada Helena Petrovna Blavatsky, ou HPB como era conhecida entre os seus discípulos, que a esperança voltou a nascer. Da vastíssima obra que nos deixou, consta um pequeno Grande livro de nome “A Voz do Silêncio”. Este livro, baseado num outro de nome “O livro dos Preceitos de Ouro”, que HPB teve acesso a quando da sua estadia de dois anos no Tibete, está dirigido para todos aqueles que se pretendem disciplinar, conduzindo o discípulo a escutar a sua Voz interior, a Voz do Silêncio, a Voz da sua individualidade, a Voz da sua verdadeira natureza divina que tantas vezes é abafada pela Voz da sua personalidade.

Este livro é formado por breves parágrafos que nos conduzem a profundas reflexões acerca de nós mesmos e acerca da vida. Tomei a liberdade de transcrever alguns deles acrescentando algumas das minhas reflexões.

“Dedicado aos poucos”.

 É com esta dedicatória que esta obra começa, porque poucos são aqueles que no seio da humanidade já despertaram a consciência para a necessidade de tomar o seu destino nas suas mãos e assim viver de acordo com a Lei da vida que a Natureza traçou para o Homem e para eles mesmos. Lei esta que se resume no sacrifício da personalidade face ao fogo do deus interno, uma crescente e contínuo manifestar de Vontade, Amor e Inteligência.

“Aquele que quiser ouvir a voz do NADA, “o som insonoro”, e compreendê-la, tem de aprender a natureza de DHÂRÂNA”.

Dharana é uma palavra sânscrita que significa “estado de concentração perfeito num objecto interno”, completamente imperturbável pelo exterior. Esta atitude vai muito para além de uma atitude mental e momentânea, pois viver concentrado é uma atitude contínua e extensiva a todos os corpos da personalidade, é governar os nossos actos a partir do centro de nós mesmos e não na periferia. O que é isto de agir a partir do centro? É sujeitar todos os corpos da nossa personalidade aos mesmos princípios éticos, aos princípios humanos e assim, da mesma forma que controlamos cada gesto físico para que se produza um acto de cortesia no mundo físico, devemos, à luz desses princípios éticos, controlar cada gesto emocional e mental para que nos planos pessoais correspondentes também se produzam actos corteses. Assim, não só controlamos pela Vontade a nossa personalidade como cumprimos o nosso desígnio como homens.

 

Tendo-se tornado indiferente aos objectos da percepção, deve o discípulo ir em busca do Rei dos Sentidos, o Produtor de Pensamentos, aquele que desperta a ilusão.

O corpo psico\mental do homem é formado por várias “células” psico-mentais da mesma forma que o corpo físico é formado por células físicas. Muitas delas resultam do contacto que estabelecemos com o mundo exterior através dos sentidos físicos e de entre estas, os hábitos costumam formar poderosas “agregações celulares”, que vão ganhando força e simultaneamente adquirindo uma vontade própria, acabando por tingir a Vontade humana com a sua própria vontade. No limite, ultrapassam em poder a vontade humana e nasce assim o vício.

Uma vez que estão enraizados no corpo psico-mental, a sua forma de agir resulta na produção de desejos e imagens que conduzem o homem à satisfação dos mesmos, aprisionando desta forma toda a personalidade em rotinas circulares.

Para cumprir o seu dever, deve o homem governar a sua personalidade e não permitir que esta o governe. Deve o homem combater a voz dos seus desejos que tantas vezes o afastam do caminho, através da ilusão do prazer.

 Para o homem se manifestar, terá de procurar e destruir o rei, ou os reis dos desejos que controlam os sentidos, pois sobre o reino pessoal somente pode reinar um soberano, o sublime Rei Interior, o Eu humano.

A borboleta atraída pela deslumbrante chama da tua lâmpada nocturna está condenada a perecer no viscoso azeite. A alma imprudente que fracassa em lutar contra o escarnecedor demónio da ilusão retornará à Terra escrava de Mara.

Em muitas simbologias a borboleta foi utilizada como símbolo para representar a alma humana. Frágil, bela, delicada e sujeita a processos de metamorfoses, estas são algumas das características que se podem emparelhar com a alma do ser humano.

Tantas e tantas vezes vemos as borboletas a perecerem nos candeeiros, iludidas pelas falsas luzes! Assim perecem as nossas almas iludidas pelas paixões.

Com isso paga a alma o preço de ficar preso pelos grilhões dos sentidos aos planos da ilusão, aqueles onde a personalidade assume a sua forma e por isso é novamente atraída à Terra para que possa aprender a libertar-se dos mesmos.

A gota de orvalho do céu, que acariciada pelo primeiro raio do Sol matutino brilha no seio do Lótus, ao cair na terra converte-se em gota de lama; vede como a pérola se tornou numa partícula de lodo.

Constantemente temos de estar atentos a nós mesmos. Nenhum ganho pessoal é garantido nesta Terra. Neste mundo de ilusão e continuamente mutável nada é eterno. Esta contínua mutabilidade é a produtora de todo o tipo de tempestades que podem perturbar a nossa personalidade. Assim, se realizámos um acto virtuoso, não pensemos que atingimos a virtude e que nada mais nos pode abalar porque de um momento para o outro podemos errar e de gota cintilante passamos a gota de lama.
Como o equilibrista atravessa um abismo pé por pé numa fina corda, mantendo a atenção e a concentração justa, assim devemos nós atravessar toda a vida.

Não podes percorrer a Senda enquanto não te tornares na própria senda.

Evoluir, revelarmos o nosso infinito poder espiritual, caminhar no caminho que nos conduz à perfeição pessoal, para que aquilo que já é perfeito se manifeste, não se faz unicamente com o corpo mental, ou seja, lendo e estudando. Somente nos transmutamos através da prática do Bem, da Vivência das Virtudes e assim a senda se faz através do conhecimento do ideal da Obra, da procura da rude pedra, do cinzelamento e do polimento da mesma. Pedra esta que está em nós. Com que ferramentas o fazemos? Vivendo o nosso dia-a-dia, íntegros, disciplinando-nos em todas as situações pessoais que estamos envolvidos, guiados pela luz do Ideal mais Elevado que conseguimos encontrar. Desta maneira aproximamo-nos e caminhamos pela senda.

Deixa que a tua alma dê ouvidos a todo o grito de dor tal como a flor de lótus abre o seu coração para beber o sol matutino.

Se o nosso deus interno, o nosso Eu humano, é um raio de Deus, uma ínfima parte do omnipresente, omnipotente e omnisciente Não-Ser, significa que cada Ser manifesto que dá corpo ao universo, visível e invisível é na sua origem idêntico a nós mesmos, assim sendo, eu estou naquela pedra e aquela pedra está em mim, eu estou naquele homem e aquele homem está em mim. Se em mim escuto e opero a dor, superando-a através da sabedoria, assim devo eu escutar e atender a dor do próximo e sabiamente educá-lo, para que ele alcance a sua harmonia pessoal.

Não estamos sós na senda, toda a manifestação nos acompanha, muitos ao nosso lado, muitos à nossa frente, muitos atrás de nós. Na senda não avançamos lutando com o próximo, avançamos lutando connosco de mão dada aos Mestres e aos nossos Discípulos.

Nada desejes. Não te irrites contra as leis do Karma nem contra as imutáveis leis da natureza. Mas luta apenas contra o pessoal, o transitório, o evanescente e o perecível.

Tudo na Natureza é Justo uma vez que tudo tem um motivo para o ser. A injustiça é o produto do pensamento que foi elaborado pela nossa ignorância, pela incapacidade de compreendermos o porquê.
O Karma resolve o enigma do presente, assim como um ourives que ao lapidar um diamante bruto revela o brilho escondido do mesmo. Desta maneira trabalha o karma no homem. O tempo reduz a cinzas e a pó tudo o que é temporal. Ajudemos a natureza, a revelar o eterno.

Longo e penoso é o caminho que tens diante de ti, ó Discípulo. Um simples pensamento acerca do passado que abandonaste para trás arrastar-te-á para baixo e terás de começar novamente a subida.

Podemos comparar em certo sentido a vida de discipulado com a imagem do peregrino que inicia a sua jornada levando às costas uma mochila cheia de objectos. Ao longo do caminho, para aliviar o peso do seu corpo, ir-se-á libertando de todas as coisas inúteis para que as suas energias sejam utilizadas com maior eficiência no processo de marcha. Leve e com ritmo irá fazer muitos quilómetros mas o que aconteceria se colocássemos às costas do peregrino uma mochila com todo o peso inicial? Esta retardaria o passo do peregrino, tiraria do seu ritmo e o seu leve corpo já habituado a “voar” pela estrada da vida iria sentir que não mais voava mas sim que se arrastava.

O mesmo efeito tem o desejo de união com passado. Pois este caminho e estes pesos não têm somente uma realidade física, eles também existem no mundo das emoções e dos pensamentos.
Assim como o excesso de peso físico nos prende à terra, também nos prende o materialismo emocional e um materialismo mental. Como Buda dizia, temos de encontrar o justo meio de existência. Devemos procurar o essencial para podermos caminhar dignamente e assim revelarmos todos os nossos mistérios internos.

E eis que através da devoção ao Ideal divino, pelo estudo e pelo serviço que é a vivência de acordo com a verdade, iremos chegar à meta sonhada por Deus.

Comtempla! Tornaste-te a luz, tornaste-te o Som, tu és o teu Mestre e o teu Deus. És Tu Próprio o objecto da tua busca: a ininterrupta Voz que ressoa através da eternidade, isenta de mudança, livre de pecado, os sete sons num só,

A Voz do Silêncio

João Ferro

 

 


 

curso_filosofia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
  Nova Acrópole  
  imagem  
  CURSO FILOSOFIA PRÁTICA
A Sabedoria Viva das Antigas Civilizações
 
   
  Vide Programa do Curso  
 

  ACTIVIDADES n.a. EM PORTUGAL  
 

a

 
  Aveiro  
  Braga  
  Coimbra  
  Famalicão  
  Lisboa  
  Oeiras-Cascais  
  Porto  
   
  Notícias  
     

  NOVA ACRÓPOLE INTERNACIONAL  

  Anuários  
  Resoluções da Assembleia Geral  
     
  Perguntas Frequentes  
   
     
  Nova Acrópole Internacional  
     

SITES N.A. EM PORTUGAL

Porto
Coimbra
Aveiro
Braga
 

  outros cursos  

   
  Arte de Falar em Público  
  Cursos de Matemática e
Geometria Sagradas
 
  Florais de Bach  
  Outros Cursos  
     

  REVISTA ACRÓPOLE  

   
     

  NOVIDADES EDITORIAIS  

  TÍTULOS PUBLICADOS  
   
 

 
© Nova Acrópole 2009 | Optimizado para monitor 1024X800 | Mapa do site | Webmaster