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Síntese Cronológica; A Procura da Verdade Histórica

O Passado humano contém grandes mistérios. Aquilo que desconhecemos supera em muito o que conhecemos. A história com as suas ciências auxiliares e a arqueologia têm dado um grande contributo para nos afastar desse fosso de ignorância, porém, a incapacidade para se conseguir datar a pedra, os condicionalismos ideológicos (ensinaram-nos que a nossa civilização é a melhor e o cume da história) e os pré-conceitos científicos ofuscam muitas vezes a procura da verdade. Esta exige a humildade de sabermos dizer «não sei» quando não sabemos, e não termos de encaixar novas descobertas ou enigmas arqueológicos em teorias prévias tornadas dogmas científicos. De facto, para compreendermos as culturas antigas, temos de sair da atmosfera mental da nossa época e esforçarmo-nos por entrar no «centro interior» da civilização que estudamos. Por tudo isso a síntese cronológica que divulgamos é apenas uma referência para nos situarmos no tempo. Reconhecendo as suas debilidades, sobretudo no que diz respeito aos períodos anteriores ao II milénios a. C..
Pré-história (45000-2800 a. C.): Há vestígios humanos no território grego desde há 47 000 anos. Aceita-se que a revolução neolítica aconteceu no VII milénio a. C. quando apareceram os primeiros núcleos de agricultores-pastores no território grego com provável origem oriental. A partir do VI milénio já existem centros urbanos, um comércio florescente e navegação. No V milénio já se manufacturam produtos em cobre nativo, o que veio a dar origem à Idade do Cobre (3500-2800 a. C).
Mas a tradição antiga fala-nos de «outra história». Platão escreveu no Crítias que o Egipto tinha registo de um povo do território grego que há 11.500 anos tinha derrotado heroicamente uma armada proveniente da Atlântida. Esse povo seria provavelmente o pelásguico ário-atlante, conforme a denominação de Mário Roso de Luna. Esse mesmo povo que terá fundado, em tempos muito remotos, os Mistérios de Samotrácia.
Proto-história (2800-1220): Aceita-se que é por esta época que as primeiras vagas de indo-europeus chegam à Hélade. A cultura cicládica floresce no III milénio e inicia-se a formação da cultura minóica, considerada a primeira civilização com o modelo estatal europeu. Os cretenses unificados culturalmente pelo mítico rei Minos dominam o comércio marítimo, desenvolvem uma arte mágica de grande nível, a sua ourivesaria é absolutamente notável, e constroem palácios que nos assombram pela sua dimensão, qualidade arquitectónica e beleza dos seus frescos. Um pouco mais tarde e sofrendo influências da civilização minóica, o povo micénico, com provável origem na Europa do Norte, forma uma cultura místico-guerreira notável. O seu rei Agamémnon lidera a facção dos Aqueus na Guerra de Tróia que terá acontecido no século XII a. C.
Idade Média Helénica (1220-900): Desaparecem as culturas cretense e micénica. A primeira, em grande parte, devido a catástrofes naturais, e a segunda devido à invasão dos Dórios, que também chegam a Creta. Aparecem também os chamados Povos do Mar que devastam o Mediterrâneo Oriental; segundo alguns estes seriam os Pelasgos, teoria que não nos parece acertada. As idades médias são um fenómeno natural (a vida humana não vive à parte das leis da Natureza, que também regem outros planos que não só o físico) que, como o seu próprio nome indica, são períodos intermédios entre o ocaso de uma civilização (esta começa a morrer quando perde o contacto com a sua ideia-civilização) e o nascimento de uma nova cultura civilizatória, que emerge como reflexo de novos arquétipos históricos. Assim aconteceu neste período obscuro que se seguiu à decadência das culturas cretense e micénica e antecedeu o germinar da cultura grega propriamente dita.

Período arcaico (900-490): Durante estes quatro séculos evolui todo o processo cultural que tornará possível o esplendor do período clássico. Uma nova forma mental começa a encarnar no território grego. Desenvolvem-se as cidades-estado gregas como Atenas, Esparta, Tebas, Corinto, Mileto, etc., começa a difundir-se o uso do ferro, a escrita grega expande-se e surgem as epopeias e hinos homéricos assentes em tradições mais recuadas. Os santuários pan-helénicos de Delfos e Olímpia têm uma grande relevância religiosa e cultural e Elêusis é o grande centro de Mistérios aberto a todos os falantes de língua grega. Instituem-se os Jogos Olímpicos e os Piticos. As pólis mais poderosas fundam colónias e ganham preponderância no Mediterrânio, vai-se formando a Magna Grécia. Aparecem as primeiras constituições de Esparta e Atenas. Na arte emerge o período geométrico (1000-700 a. C), segue-se o período orientalizante (700-610 a. C). A escultura em pedra de grande nível do período arcaico surge por volta de 610 a. C antecedendo a arte clássica.
Período clássico (490-323): Os grandes êxitos dos gregos nas batalhas contra os persas, os cartagineses e os etruscos abrem a porta ao apogeu da Grécia: o período clássico com o seu culto da harmonia, da beleza do corpo humano, a sabedoria política de Péricles que reina em Democracia, os grandes génios da arquitectura e da escultura, os três dramaturgos imortais, os «cientistas» e os filósofos, pais do pensamento ocidental.
A partir desse momento a Grécia começa politicamente a decair, segue-se o período helenístico (323-31 a. C.) em consequência da invasão de Alexandre Magno. No final do século I a. C. o território grego fica sob domínio de Roma, mas, por sua vez, esta é invadida culturalmente pelo helenismo, originando-se assim a cultura greco-latina, base da nossa civilização.
Paulo Alexandre Loução
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