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Homo Universalis: Os 7 Princípios de Leonardo da Vinci e a Descoberta dos Potenciais Internos do Homem

 

Homo Universalis

 

Um problema actual: Como conservar a Identidade e como não se perder a si mesmo?

Na desordenada mescla da moderna sociedade de consumo que permite à pessoa considerar correcta qualquer opinião, critério e regra, surgem as perguntas: O que é a identidade de um ser humano e como pode ser determinada? O que significa “ser eu próprio”? E como não se perder a si mesmo?

O paradoxo da nossa sociedade moderna consiste no facto de hoje se poder encontrar muita gente que se esforça para se destacar do comum “fundo cinza” tentando parecer-se com os que hoje estão na moda, seguindo tudo o que actualmente se populariza e promove no âmbito da cultura de massas e de grande consumo. Muitos tentam parecer-se com todos menos consigo próprios, sem perceber que assim se perdem numa multiplicidade de personagens semelhantes a si. Todos se perguntam “Como descobrir os meus talentos e potencialidades”, mas nem todos se dão conta de que para o atingir há que seguir menos a moda e, em geral, tudo o que goza de popularidade. Se todas as noções e concepções de identidade se limitam aos parâmetros “90-60-90”, a uns músculos bem desenvolvidos, aos fracassos e avanços da cirurgia plástica, ao volume de bilhetes, ao número de aventuras amorosas ou ao número de rivais deixados para trás, então é muito possível que no esforço em alcançar essa “identidade”, o homem termine por a perder totalmente.

 

"Acontece que para descobrirmos os outros, para nos sentirmos mais perto deles e os entendermos melhor, devemos primeiro descobrir-nos a nós mesmos, descobrir a própria identidade e aprender a manifestá-la."

 

No nosso mundo louco e cruel onde tudo se submete às exigências da moda, ao consumo e à competência, torna-se mais forte a nostalgia por aquelas pessoas que, apesar de tudo, continuam fiéis a si mesmas e não perdem a sua identidade. Hoje ainda, tal como o filosofo Diógenes, o Cínico, continuamos à procura de um “Homem”. Inclusive nos tempos actuais continuamos a aspirar a encontrar alguém a quem possamos chamar “Pessoa com luz própria”, uma “Pessoa com carisma”, um “Verdadeiro Homem”. É precisamente a esse tipo de pessoas que gostaríamos de pedir um conselho, procurar ajuda, amor ou compreensão. Atraem-nos não por serem “como todo o mundo”, mas porque possuem algo que os distingue, e esse “algo” foi valorizado pela nossa mente e por algo inexplicável, sentido pelo nosso coração. Sentimo-nos também felizes quando os outros se começam a aproximar de nós por esses motivos. Cada vez que algum dos nossos talentos, alguma virtude da nossa alma, muda algo nas suas consciências ou faz vibrar as cordas subtis dos seus corações, alegramo-nos não só porque nos valorizam. Sentimo-nos felizes pelo simples facto de que alguém necessita de nós e porque entendemos em quê e para quê. Também nos alegramos por os talentos ou virtudes que floresceram em nós terem encontrado ressonância nas almas dos outros e terem feito florescer tesouros escondidos nas suas mentes e corações.

Acontece que para descobrirmos os outros, para nos sentirmos mais perto deles e os entendermos melhor, devemos primeiro descobrir-nos a nós mesmos, descobrir a própria identidade e aprender a manifestá-la. Não há um único ser humano sem identidade, asseguram-nos filósofos e sociólogos, a identidade existe mesmo quando não sabemos nada dela e já esquecemos há muito tempo que existe algo semelhante! Cada um de nós tem singulares e inconfundíveis traços e capacidades, “centelhas”, graças às quais podemos sempre descobrir algo mais em nós mesmos e no mundo que nos rodeia. Quando essas “centelhas”especiais começam a manifestar-se de formas diferentes e em contextos distintos, também a pessoa se descobre novamente, como se fosse a primeira vez.

A época do Renascimento: “Homo Universalis”, um caminho para encontrar a própria identidade
   
Como encontrar a própria identidade? Neste campo a época do Renascimento oferece-nos uma valiosa experiência. Célebre pelos seus génios, filósofos, cientistas, artistas, pintores, poetas, arquitectos, etc., todos foram personagens excepcionais com interesse, virtudes e talentos multifacetados.

O Renascimento fez voltar do fim dos tempos, renovando, os grandes Ideais e princípios espirituais do mundo antigo cujo fundamento residia na profunda compreensão das relações entre o homem e a Natureza, entre o homem e o Universo. Grandes figuras do Renascimento foram guiadas por uma inextinguível aspiração ao Conhecimento e à sabedoria. Os filósofos da época consideravam que, conhecendo as Leis da Natureza e vivendo em concordância com elas, o homem descobria o Oculto Sentido da existência e as suas ilimitadas capacidades. Misteriosos laços vinculam o homem e o Universo infinito e, através dele, o seu destino, conhecimento e obras podem adquirir um “toque de eternidade”, ir mais além da vida, da morte e da época histórica a que se pertence.

Por isso o “Homo Universalis” foi o ideal do homem renascentista: um homem sem fronteiras que procura sempre a verdade e se esforça por atingir metas que estão acima das suas próprias limitações, acima do conhecimento comum, das opiniões e estereótipos correntes, mais além dos limites da matéria, da vida e da morte. O “Homo Universalis” da época do renascimento é uma personalidade multifacetada e harmonicamente desenvolvida, que se sente segura de si mesma tanto na esfera da Filosofia, como nas artes e nas ciências. É assombrosa a genialidade e o talento universal dos Mestres do Renascimento, os quais frequentemente aplicavam os seus conhecimentos e faculdades simultaneamente no campo da arquitectura, escultura, pintura e alternavam exercícios literários, poesia e filosofia com investigações nas ciências exactas. Novas ideias, concepções e modelos, em todas as esferas da vida, incontáveis inventos e descobertas científicas, geniais e divinas criações artísticas, mudança na filosofia e na visão do mundo, excepcionais transformações sociais e reformas, tudo isto fruto da assombrosa obra dos Génios do Renascimento.

Leonardo da Vinci: as lições inapreciáveis do grande Mestre

 

leonardo da vinci

Como pode o homem contemporâneo alcançar a estatura do “Homo Universalis”Renascentista? Por outras palavras, como despertar a própria identidade?

Os conselhos que tendo por base a sua experiência, nos deixaram os grandes homens de diferentes épocas, são excepcionais mas ao mesmo tempo admiravelmente simples. Não obstante se se decide seguir esses simples conselhos podem desvendar-se os imensos tesouros do próprio mundo interior e do mundo em redor.
Podemos tirar admiráveis lições sobre este tema da vida e obra do grande Mestre do renascimento Leonardo da Vinci. Após a sua morte ficaram cerca de sete mil páginas dos blocos de notas do Mestre nas quais se conservaram as suas reflexões, observações, impressões, versos e desenhos, sua teses acerca das descobertas científicas e inventos.

Leonardo e o Renascimento são percepcionados como um todo único e é impossível imaginar-se que pudesse ter vivido e trabalhado noutra época. No entanto, sem dúvida a sua personalidade ultrapassou os limites do seu tempo, transcendendo-o. Omitindo os detalhes conhecidos da sua biografia, que podem se lidos em qualquer enciclopédia, concentrar-nos-emos na multiplicidade de pequenos detalhes e matizes de sua vida que revelam deferentes facetas da sua surpreendente personalidade e do seu singular talento.

A julgar pelos seus cadernos de notas, a cada dia o Mestre estava cheio de ocupações diversas. Sentia interesse por tudo e cada pequeno detalhe absorvia totalmente a sua atenção. Observava e contemplava constantemente a Natureza. Fez esboços do movimento da água que permaneceu oculto ao olho humano até à invenção da fotografia de alta velocidade. Estudou as plantas reflectindo sobre as leis e princípios do seu desenvolvimento. Graças a Leonardo hoje sabemos como determinar a idade de uma árvore pela sua parte serrada e inclusive podemos averiguar se um determinado ano foi difícil ou favorável para essa árvore. Observa os corpos celestes com a ajuda de instrumentos ópticos (em tempos em que Galileu ainda não tinha inventado o seu telescópio), estuda as leis dos seus movimentos e faz uma estranha anotação no seu caderno: “O Sol não se move”. Estuda anatomia e os seus desenhos ainda hoje servem aos estudantes de medicina. Tenta penetrar no mistério do voo dos pássaros e criar uma máquina que permita ao homem elevar-se no céu. Cria diferentes máquinas, desde máquinas têxteis até carruagens auto propulsadas, desde máquinas de perfuração a grande longitude, até gruas e escavadoras. Inventa a bicicleta e a cadeia de transmissão, desenha aquela que é considerada a primeira máquina calculadora, o escafandro e o submarino. Entre os seus esboços há esquemas de um barco de rodas e de – a paixão de Leonardo – numerosas máquinas de voar a hélice, parecidas com os helicópteros modernos. Máquinas de guerra, antecessoras das armas automáticas modernas, peças de artilharia de múltiplos canhões, bestas e catapultas, e o protótipo do futuro carro de combate…

 

"Em Leonardo fundiram-se duas forças que provavelmente deviam estar sempre juntas, mas que infelizmente hoje as pessoas as manifestam em separado: o Amor e o Conhecimento."



Também se pode encontrar nos seus apontamentos investigações arquitectónicas, planos de fortalezas e o projecto da cidade ideal. Existirá por acaso algo que não tenha tocado a sua curiosa mente?
Leonardo aprendia tudo e de todos. Não tinha vergonha de perguntar às pessoas simples e aprendia escutando as respostas de donas de casa e camponeses. Este aspecto do seu carácter é muito importante para compreender a subtileza e modéstia da alma do génio. Nunca se cansava de estudar, de observar com atenção e contemplar tudo o que nos rodeia. É guiado pelo interesse pela vida em todas as suas formas e manifestações, e a sede de compreender, penetrar na essência das coisas e consequentemente na essência da Natureza. O Porquê? e Para quê? Perguntas para as quais, constantemente, em qualquer lugar e em tudo procurava resposta.

Em Leonardo fundiram-se duas forças que provavelmente deviam estar sempre juntas, mas que infelizmente hoje as pessoas as manifestam em separado: o Amor e o Conhecimento. O Amor que desperta a aspiração por conhecer, e o Conhecimento que permite amar aquilo que descobres e chegas a conhecer. É a primeira verdade que poderíamos aprender seguido o exemplo do grande Mestre. Tudo fazia parte do seu mundo interior, da sua alma que nunca estava vazia, pois sempre se estava a preencher com algo. Leonardo ensina-nos que uma pessoa com identidade claramente expressada não pode ser indiferente e fria. Não é um observador distante e passivo, é participante no que lhe sucede. E poderá por acaso ser de outro modo?

Esse modo singular de lidar e de se aproximar dos homens, da Natureza, do Universo, com detalhes e matizes imperceptíveis à primeira vista, está presente não só nos quadros de Leonardo mas também nos seus inventos, composições musicais, versos, pensamentos filosóficos e inclusivamente nas suas receitas culinárias, em todos os seus aspectos biográficos. Alguns autores contemporâneos baseando-se nas notas e na metodologia do Mestre destacam o que denominam os 7 princípios de Leonardo, que podem aplicar-se na formação de uma personalidade harmónica, poli facetada e criadora. Estas são: “Curiosita” , “Sensazione”, “Sfumato”, “Arte-Scienza”, “Corporalita” e “Connessione”.

Cada um destes princípios foi oportunamente definido e explicado – clara e metaforicamente – nos diários do mestre, nos seus desenhos e em seus quadros.

 

“CURIOSITA”


Segundo os apontamentos de Leonardo este princípio define-se como um modo de focar a vida baseado numa insaciável “curiosidade de menino”e numa sede inextinguível por estudar, conhecer, ampliar constantemente os próprios horizontes, aperfeiçoar-se constantemente e procurar constantemente o Sentido da existência.
“ Do mesmo modo que o ferro se oxida pela não utilização e a água estagnada apodrece e se decompõe, ou quando faz frio se converte em gelo, também a nossa mente se esbanja de forma vã se não lhe encontramos a utilização devida”. (Leonardo da Vinci)

Com base na experiência de Leonardo e de muitos outros grandes homens poderiam dar-se certos conselhos:

1. Não permita que se apague a sua sede de aprender, a sua necessidade de conhecer, de descobrir o mundo e a si mesmo.

Sabe-se que o próprio Leonardo com a idade não perdeu nem a sua curiosidade de criança, nem a amplitude e profundidade dos seus interesses, aspirações e sonhos.
Segundo testemunho de Vasari, Leonardo em jovem fazia perguntas tão insidiosas e inesperadas ao seu professor de matemática que estas “davam muito que fazer ao seu professor e muitas vezes deixavam-no desconcertado”.

Leonardo escreveu no seu diário: “Eu passava dias inteiros passeando pelos campos, procurando soluções às minhas perguntas e procurando entender coisas que não compreendia. Como foi possível que conchas marinhas pudessem chegar aos cumes das montanhas, junto com folhas petrificadas de corais e algas, as quais habitualmente se encontram no mar? Porque é que o trovão dura mais que a sua causa e porque é que o raio se torna imediatamente visível para o olho enquanto que o trovão necessita de tempo para superar a distância? De que modo ao redor do sitio na água ao que se atirou uma pedra se formam círculos aquáticos? Porque (se) mantém-se um pássaro no ar? Estas perguntas e também outros fenómenos estranhos ocupam os meus pensamentos ao longo de toda a minha vida”.

Um afã semelhante por conhecer, estudar e aperfeiçoar-se está na origem da nossa sabedoria e converte-se numa poderosa fonte de novas descobertas, das quais surgem as nossas oportunidades de crescer, de mudar o próprio destino e tornar-se melhor a cada dia.

Nunca é tarde para estudar e aprender algo e nunca será demais fazê-lo se recordarmos a famosa frase de Sócrates: “Só sei que nada sei”.

2. Acostumar a colocar-se infatigavelmente perguntas importantes e essenciais sem exigir nem esperar rápidas respostas para elas.

Dê tempo a que essas perguntas sejam respondidas pela vida e pelo vosso coração, para que essas respostas sejam confirmadas pela vossa própria experiência e pela sabedoria daqueles que já percorreram esse caminho antes de Si. Faça para si mesmo uma lista das perguntas que no momento actual têm para si mais importância e maior actualidade. É curioso, do que tratam a maioria delas? Do que fazer? De dinheiro? De entretenimento? Das relações humanas? Do sentido da vida? Do destino e da predestinação? Desse modo pode fazer-se, rápida e claramente, um diagnóstico dos nossos próprios critérios, valores e prioridades e depois tirar conclusões sobre se nos perdemos a nós mesmos ou se “continuamos à tona”. Isto é importante pois as perguntas e valores que dia a dia ocupam a nossa mente e coração reflectem, por si mesmas, com extraordinária precisão, a nossa predestinação e influem consideravelmente na qualidade da nossa vida e, por estranho que seja, no rumo que tomará o nosso destino. Há que prestar especial atenção às perguntas que começam com as misteriosas palavras “porquê”, pois “todo aquele que tem uma razão para viver pode suportar qualquer forma de o fazer”. (Friedrich Nietzsche).

3. Observe a natureza e aprenda as suas lições

Quando Leonardo projectava a maravilhosa escada em caracol para o castelo do rei de França em Blois, inspirava-se observando as complicadas sinuosidades das conchas marinhas que recolhia na costa noroeste de Itália.
Ao elaborar um instrumento musical de vento parecido com uma flauta, apoiou-se na estrutura da laringe humana que já tinha antes estudado. Em época mais recente, Alexandr Graham Bell inventou o telefone tentando construir um modelo em movimento do ouvido humano.
A natureza não só nos proporciona modelos que podem ser aplicados em diferentes esferas da ciência, como também da criatividade. As Leis e Princípios que regem cada fenómeno natural podem chegar a ser uma lição de grande importância para nós, estas são não só as bases de muitas descobertas, inventos e procura criativa, como também se podem aplicar perfeitamente à nossa própria vida.

4. É útil ter um bloco de notas e um diário.

Para descobrir o nosso mundo interno é importante acostumarmo-nos a registar as nossas pequenas observações, descobertas, perguntas, vivências e em especial as ideias que chegam inesperadamente. Leonardo deixou-nos, como já mencionamos, cerca de 7000 páginas dos seus próprios diários, os quais contêm pensamentos, observações e esboços do grande mestre. É também de grande utilidade eleger um tema de reflexão para cada dia e anotar as nossas observações, vivências, estados de alma e ideias.

 

“DIMOSTRAZIONE”


Segundo as anotações de Leonardo este princípio expressa a necessidade de aprender a pensar por si mesmo e de libertar a mente das restrições, estereótipos, velhos hábitos, preconceitos e superstições que a afligem.

O mais cruel engano que os homens sofrem é o que deriva das suas próprias opiniões” (Leonardo)
Leonardo sublinha reiteradamente o quão importante é para o ser humano comprovar tudo com a sua própria experiência e aprender a confiar nela. Ele chamava-se a si mesmo “discípulo da experiência”.

Alguns conselhos a esse propósito:

1. Aprender com própria experiência significa aprender com os próprios erros.

Apesar de toda a sua genialidade, Leonardo também cometeu equívocos e às vezes graves erros. Basta mencionar as suas tragicamente fracassadas experiências de fixação de pigmentos ao pintar a “Batalha de Anghiari”e a “A ultima ceia”.

Quanto a nós, temos medo de cometer erros e por isso tememos arriscar, ao mesmo tempo não nos damos conta de um ensinamento muito importante, recebido mediante o próprio exemplo de Leonardo. Para avançar há que arriscar, há que ter audácia e dar os primeiros passos em situações e caminhos para nós até agora desconhecidos e, por vezes, que ninguém ainda pisou, como no caso de Leonardo. Sem arriscar, sem audácia para alcançar com os próprios esforços metas e cumes não conquistados, e para nós desconhecidos, permanecemos na esfera das experiências e opiniões dos outros e não adquirimos as nossas.

Nesse sentido há que aceitar com tranquilidade que ninguém está livre de erros e que sempre os iremos cometer. Os erros em si não têm importância, o que importa é corrigi-los; desta forma e devido à nossa audácia, abrir-se-ão caminhos não percorridos e descobriremos novos horizontes.

A experiência nunca se equívoca; só se equívoca a tua apreciação, enquanto te promete abundantes frutos que crescerão só pelo raciocínio sem se enraizarem nas tuas experiências”. (Leonardo da Vinci)

2. Aprender com a própria experiência significa vencer a insegurança.

Já que ninguém está livre de cometer erros e que inevitavelmente vamos equivocar-nos, isso pode gerar insegurança em si mesma e nas forças, faculdades e convicções pessoais. A coragem, a valentia e a firmeza filosófica de Leonardo ante os problemas e dificuldades, podem inspirar-nos e servir-nos como valioso exemplo. Ele encontrava a força necessária, fortalecia a sua vontade e o seu carácter redigindo e anotando no seu diário “conselhos e afirmações positivas para si mesmo”, as quais lhe recordavam o que seria essencial para ele. Citemos algo do seu bloco de notas: “Nenhum obstáculo tem força para me dobrar”, “Em momento algum deixo de arar o meu sulco” , “Nunca me cansarei de ser útil”.

Exemplos similares foram-nos dados por muitos grandes filósofos, os seus conselhos são ainda tão actuais que podemos anotá-los para o futuro.

3. É necessário aprender com a experiência dos grandes homens

Leonardo toda a sua vida aprendeu não só da Natureza, mas também através de outros homens. O grande mestre extraiu tudo o que podia extrair da inapreciável experiência que recebeu no atelier do pintor e escultor Andrea del Verrocchio.

Não sem motivo Verrocchio era apelidado de “universidade das artes numa só pessoa”.
Sendo aprendiz no atelier de Verrocchio, Leonardo aprendeu a aparelhar telas, a misturar cores, a conhecer as leis ópticas da perspectiva, estudou os segredos tecnológicos da escultura, a fundição do bronze, a joalharia e muito mais coisas. Mesmo quando já era famoso mantinha contacto com grandes pensadores da sua época entre os quais Bramante, Macciavelli, Luca Pacioli e Marcantonio della Torre. Leonardo sempre considerou as obras dos outros como uma “experiência intermédia”que tinha de estudar atenta e criticamente para logo, obrigatoriamente, a verificar com a sua própria experiência.

Seguindo o exemplo de Leonardo ser-nos-ia útil escolher os personagens e heróis com os quais gostaríamos de nos parecer, reflectir sobre eles e destacar as suas qualidades humanas, mentais e espirituais que queremos despertar e desenvolver em nós.

 

“SENSAZIONE”


Segundo os apontamentos de Leonardo este princípio expressa a arte de “ver”, “ouvir” e “sentir”…Afinar e percepcionar conscientemente os órgãos dos sentidos que a natureza nos deu. Leonardo considerava que o aperfeiçoamento do nosso aparelho sensitivo permite-nos enriquecer a nossa própria experiência.

“O homem comum olha mas não vê, escuta mas não ouve, toca mas não sente, come mas não sente o paladar, move-se mas não sente o seu corpo, inspira o ar mas não cheira, nem o mau odor nem os aromas, e fala sem pensar…” (Leonardo da Vinci).

Leonardo afinou e levou à perfeição os seus sentidos. No seu “Códice sobre o voo dos pássaros” pode fazer um croqui dos mais pequenos detalhes do movimento das plumas e das asas durante o voo. Só no século XX graças à cinematografia e à câmara lenta se pode voltar a fazer o mesmo. Foi um músico brilhante, podia tocar vários instrumentos e também compor musica. Leonardo preocupava-se em vestir roupa confeccionada com os melhores materiais e deleitava-se com o contacto da seda e do veludo. O seu atelier exalava sempre aromas de flores frescas e perfumes. Apaixonou-se ardentemente pela culinária a qual era para ele mais uma fonte de educação dos sentidos.

Conselhos práticos:

1. Encha a sua vida com as melhores obras de arte

Dedique mais tempo a visitar museus, exposições ou a ir a concertos. Não escute nem olhe à pressa, trate de se compenetrar na obra, tão profundamente quanto seja necessário para entender o que quer dizer, que cordas subtis de sua alma faz vibrar. Estude a vida e obra dos seus pintores, compositores, músicos, preferidos.

2. Desenvolva a sua imaginação através da arte da visualização

“…Também experimentei em mim mesmo, que se obtém grande proveito do facto de estando deitado às escuras, na cama, se repetir com a imaginação os contornos superficiais de formas já antes estudadas ou de outros objectos dignos de atenção, frutos de refinada invenção. E isto é realmente digno de elogio e proveitoso para fixar na memória todo o tipo de objectos…” (Leonardo da Vinci)
Leonardo prestou atenção a duas variedades específicas de visualização: A “imaginação após a ocorrência de um facto, quando imaginamos coisas que já passaram” e a “imaginação antes do facto ocorrer, imaginar coisas que só surgirão mais adiante”.

 

“SFUMATO”


Segundo as anotações de Leonardo este princípio significa poder manter o equilíbrio da alma ao acostumar-se com o desconhecido ou o paradoxo.

O homem moderno acostumado a actuar através de esquemas estereotipados e previamente elaborados, ao encontrar-se com o novo e desconhecido, entra num estado de confusão, incerteza, insegurança e dualidade interna.

O princípio “Sfumato” permite-nos adquirir critérios e pontos de referência, acostumarmo-nos ao desconhecido e travar amizade com o paradoxo.

E aqui alguns conselhos:

1. Não ceda face à rotina, inércia, passividade, rompa com estereótipos, mude os seus velhos costumes, livre-se de preconceitos e opiniões preconcebidas.

Sem dúvida o símbolo mais impressionante de luta entre a inércia que Leonardo nos deixou e que inspirou a sua vida terrena e a sua obra foi a sua paixão pelo voo, que o incitou a estudar a atmosfera, o movimento dos ventos e a desvendar do enigma do voo dos pássaros. Ao mesmo tempo, isto dava um impulso aos impressionantes “voos”do seu espírito e inteligência, os quais deram origem, por um lado, a assombrosos inventos e a profundas ideias e, por outro, a revelações internas.

2. Aprenda a ver o Todo nos seus diferentes aspectos, perceba as correlações e profunda afinidade que existe entre as coisas e os fenómenos.

Do mesmo modo que da noite nasce o dia, a nossa capacidade de nos alegrarmos nasce da tristeza. Reflicta sobre a profunda correlação e dualidade de tudo o que sucede no mundo: como mudam um no outro e emanam um do outro a primavera e o inverno, a vida e a morte, a alegria e a tristeza, o movimento e a quietude, o som e o silêncio e muitos outros fenómenos que à primeira vista parecem excluir-se.

Leonardo nunca se contentava com a simples descrição de como actuava ou funcionava uma coisa ou outra, infalivelmente ele pretendia clarificar o PORQUÊ ocorria ou funcionava de determinado modo.

Um dos métodos predilectos de Leonardo era a procura de analogias e correlações simbólicas entre as coisas e fenómenos.

3. Procure soluções originais para qualquer problema, dê rédea solta à sua intuição e imaginação.

Não esqueça que as ideias geniais são sempre simples e surgem inesperadamente, não quando as espera, sentado no escritório, mas quando está tranquilo e inspirado, quando a alma esta mais preenchida e menos trabalha a mente.

Actualmente, no século XXI, as condições obrigam-nos a organizar e a orientarmo-nos numa torrente de informação que se abate sobre nós. Nestas condições, não só a inteligência, mas também, e sobretudo, a intuição adquirem uma importância extraordinária. A intuição ajuda o ser humano a encontrar pontos de referência correctos e a distinguir o que é “essencial”do que o não é.

Leonardo dava grande importância e atribuía um sentido especial àquela etapa do processo criativo a que os psicólogos contemporâneos chamam “incubação”. No processo criativo, quando procuramos uma resposta ou uma nova ideia, é necessário dar tempo para que estas amadureçam no nosso interior. Por isso sempre é bom fazer uma pausa, por um momento e por certo tempo, parar o nosso trabalho e nossas reflexões sobre o tema que nos ocupa e distrairmo-nos com outra coisa.

Também é bom levantarmo-nos e distrairmo-nos um pouco com outras coisas, porque ao voltar à coisa a ajuízas melhor, pois se estas constantemente a seu lado, então enganas-te muito”. (Leonardo da Vinci)

 

“ARTE-SCIENZA”

 

Segundo as anotações de Leonardo este princípio descreve a aspiração e necessidade de equilibrar a ciência e a arte, a lógica e a imaginação.

Este importante princípio ajuda ao restabelecimento da harmonia, dentro e ao redor de nós mesmos, ao desenvolvimento de um pensamento integral e multifacetado, baseado na equilibrada correlação entre ambos os hemisférios cerebrais.

Valorando a importância  deste enfoque e o contributo de Leonardo para o seu desenvolvimento, George Serton escreve: “O remarcavel mérito de Leonardo reside no facto de que o seu próprio exemplo demonstrou que a aspiração à beleza e à sabedoria não são de modo algum exclusivas”. O próprio Leonardo escrevia: “Estudai a ciência da arte e a arte da ciência”.

A. “chave”principal é a aspiração à harmonia:

É necessário procurar constantemente a harmonia, dia a dia, tanto ao redor como em si mesmo.

Ao solucionar problemas “científicos”os melhores ajudantes são a imaginação e a intuição.

No trabalho criador artístico é impossível passar sem conhecimentos científicos das leis
da natureza (por exemplo: para os pintores e escultores é muito importante saber anatomia, nas artes aplicadas, entender as propriedades dos materiais, etc.). Do mesmo modo, a presença de uma certa sensibilidade artística e filosófica têm um valor inestimável para o verdadeiro trabalho científico e para o verdadeiro homem de ciência.

No processo de estudo e investigação é importante aprender a destacar o essencial, as ideias chave e as principais leis.

Não é necessário e é até inútil procurar assimilar toda a enorme torrente de informação que se abate sobre nós. Ao ler um livro, ver um filme, assistir a uma conferência ou a um seminário, há que fazer um resumo, destacar as ideias principais, anotar no diário os seus pensamentos, ideias e vivências internas que nasceram como resultado da leitura e estudo do tema.

 

“CORPORALITA”

 

Segundo os apontamentos de Leonardo esta expressa a aspiração à harmoniosa correlação entre o corpo e a mente. Este princípio fala da necessidade em cultivar a correcta posição corporal, a tenacidade física e a habilidade para dominar o próprio corpo.

O próprio Leonardo usava com destreza ambas as mãos, distinguia-se pela sua figura, a elegância dos seus movimentos e suas formas atléticas. “Belo, de compleição esplêndida, parecia um modelo de perfeição humana”, escreveu Goethe sobre ele. Vasari deixou anotado: “Continha com a sua força a mais imprudente força e com a mão direita podia deformar um anel mural de ferro ou a ferradura de aço de um cavalo como se fossem de alumínio

No que respeita a exercícios físicos regulares pode e recomenda-se os que chegaram a ser atributo obrigatório da vida de Leonardo: passeios a pé, equitação, esgrima. A esta lista pode  acrescentar-se também a dança clássica a qual contribui da melhor forma para o desenvolvimento do princípio de Corporalita.

Aprendei a conservar a vossa saúde!”, aconselhava muitas vezes Leonardo. Era amante de um modo de vida são, da vida em harmonia com a Natureza. Formulou uma série de regras simples que o ajudaram e podem ajudar cada um de nós.


“CONNESSIONE”

 

Segundo as anotações de Leonardo este princípio expressa a capacidade de compreender como os nossos conhecimentos sobre a correlação e profunda afinidade entre as coisas e fenómenos se podem aplicar na nossa própria vida.

Refere-se à forma como os nossos sonhos, objectivos e valores, os ideais e aspirações mais sublimes podem entrelaçar-se formando o tecido único e duradouro da nossa vida quotidiana. Isto é a capacidade de diminuir ou minimizar a distância entre a realidade e os nossos sonhos, ideais de vida e objectivos.

Em primeiro lugar é preciso ter uma ideia clara acerca das próprias convicções, valores de vida e prioridades.

É necessário saber destacar os objectivos e aspirações mais importantes da própria vida. Para isso pode tentar-se desenhar o próprio escudo ou emblema, e também compor um lema que expresse a crença de vida.

Além disso é necessário saber valorar, sóbria e criticamente, o próprio e a situação em que se encontra. Mas deve fazê-lo construtivamente, elaborando paralelamente a estratégia de mudanças necessárias para alcançar os objectivos e os ideais.

Os pensamentos e máximas dos grandes homens do passado, sobretudo os que reflectem os seus valores de vida e ideias podem prestar uma ajuda de valor inestimável neste difícil caminho. Neste contexto os aforismos do Mestre têm um valor inestimável.

 

“POST  SCRIPTUM”:
CONHECER-SE A SI MESMO SIGNIFICA DESPERTAR O PRÓPRIO CORAÇÃO.

O método de Leonardo é muito simples na sua forma e muito profundo na sua essência pois une em si a teoria e a prática, o enfoque na investigação das ciências exactas e as vivências internas, baseadas na experiência vital. No início o mais importante é observar; com a continuação, é essencial despertar as vivências interiores, resultado das nossa reflexões sobre as coisas observadas, e por fim, é actuar de acordo com as nossas observações, reflexões e vivências interiores. O dom divino e o génio de Leonardo manifestam-se numa assombrosa e sem igual faculdade; por um lado, era capaz de “pensar” e “sentir”com as mãos e, por outro, era capaz de “actuar”e “criar”com a sua imaginação e inteligência, com a sua alma e coração. Seguindo o exemplo do grande mestre, podemos tirar um ensinamento: mesmo o mais perfeito conhecimento e a mais perfeita aplicação prática dos princípios de Leonardo não podem ser garante de verdadeiros resultados se não mudamos o nosso modo de focalizar a vida e os seus mistérios. Este é o motivo do “post scriptum”, com o qual concluímos o nosso apaixonante tema.

Concluímos falando de uma “chave” filosófica fundamental para a compreensão e a revelação do mistério da “Identidade”do ser humano. “O meu segredo…é muito simples: só se pode viver bem com o Coração…o essencial é invisível aos olhos”, - assim simples e poeticamente expressou esta “chave”o grande escritor francês Antoine de Saint Exupery no “Princepezinho”. No interior de cada um de nós reside um misterioso “Árbitro”, um enigmático “Mediador”- o nosso próprio Coração, o qual actua sempre como um “vínculo”, como um “elo” misterioso e sagrado. O Nosso Coração une-nos com o Universo, com os outros homens, com a Natureza e com Deus. No decurso dos séculos o coração tem sido relacionado não só com as emoções e os sentimentos, mas também com algo muito mais profundo, ou seja, com a essência das coisas. Na maioria das civilizações antigas o Coração era identificado como o Centro da Vida espiritual do homem e era considerado o “receptáculo”, a “morada” onde residem a Consciência, a vontade, o amor e a Inteligência do ser humano, ou seja, a sua alma imortal. Mais ainda, o Coração era considerado como um “lugar sagrado”onde o ser humano se pode encontrar com os outros homens e com Deus.


"Estes exercícios ajudam a descobrir os potenciais criativos e chegar a ser um homem íntegro."


Os ensinamentos relativos ao coração estavam presentes em todas as tradições antigas: os homens divinizavam-no e veneravam-no, cantavam hinos em sua honra, e tinham a profunda convicção de que só no coração reside a verdadeira Sabedoria, o verdadeiro conhecimento. O conceito de Coração é fundamental e representa a principal “Chave Filosófica” que abre a “porta” dos Mistérios do ser Humano, está intimamente relacionado com o “despertar”da sua Alma, da sua Espiritualidade e de sua Identidade.

Somente com os “olhos do Coração” se pode ver a verdadeira essência de cada coisa e só o coração conhece a medida e valor de cada um dos nossos pensamentos e acções. Na antiguidade apreciava-se e valorava-se os conhecimentos adquiridos, não nos livros, mas vivenciados com o coração, e acreditava-se firmemente que a Verdade pode transmitir-se só “de coração a coração”, mais além do que todas as palavras e teorias mentais.

Os maiores e mais assombrosos potenciais, virtudes, faculdades e dons do homem estão intimamente relacionados com a sua capacidade de ver, ouvir, sentir, conhecer, criar e actuar com o coração. Quando o Coração actua tudo muda de modo fundamental: vês, sentes, compreendes o que antes não estava ao teu alcance e o mais importante, os teus actos correspondem à tua essência interior. Quando actua o coração desmoronam-se e superam-se todos os obstáculos, barreiras e fronteiras, todos os prejuízos e dogmas, por mais terríveis que sejam. Também e de modo fundamental mudam os seus critérios, valores e prioridades.
Conhecer-se a si mesmo significa despertar o coração. Quando se desperta o Coração despertam-se ao mesmo tempo ricas e assombrosas vivências interiores. De imediato descobres que no interior da tua Alma convivem múltiplos personagens: tu – como pintor, poeta e músico: tu – como filósofo, psicólogo e cientista; tu – como um valente cavaleiro em busca de aventuras; tu – como pessoa que sente, ama e compreende os outros, e tudo isto – dentro de um mesmo ser humano!

Pode aprender-se muito com o grande Mestre, pois os exercícios que o ajudaram a “polir” o seu génio foram simples e estão também ao nosso alcance. Estes exercícios ajudam a descobrir os potenciais criativos e chegar a ser um homem íntegro. O Homem íntegro não é “cego”, nem “surdo”, no mais amplo sentido da palavra. É um “homem vivo”, um “homem que vive de verdade”pois o seu coração percebe e responde àquilo que a sua fria razão e os seus órgãos dos sentidos ignoram e não consideram digno de atenção. Este homem possui uma sensibilidade especial, um modo especial de perceber e compreender, porque o coração brinda a possibilidade não só de contemplar e reflectir sobre as coisas, mas também de vivê-las de verdade. O homem que vive de verdade não só toca, escuta ou compõe música, ele vive cada vez mais a música nas suas múltiplas gamas. Os seus versos, quadros, palavras, ideias e pensamentos nunca são só fruto da mente ou da imaginação, -ele sofreu-os, procurou-os largamente e sofreu múltiplos fracassos antes de os atingir. Ele está firmemente convencido que os seres humanos, os animais, as plantas, as coisas e os fenómenos têm uma alma, e que todo este mundo tem um profundo sentido, - e isto não são só belas palavras, mas também experiência obtida ao conviver com tudo o existente de “coração a coração”.

 


Stjepan Palajsa

 

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