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Gronelândia, a Ilha Gelo

Erik o Vermelho denominou-a de Terra Verde quando se estabeleceu nesta terra onde a luta contra a natureza é uma constante desde tempos imemoriais.

Pela sua situação geográfica, próxima ao Pólo Norte, a Gronelândia tem um clima árctico. A sua temperatura média, mesmo nos meses de verão, só alcança os 10 ºC.  Apesar do seu tamanho -é a maior ilha do mundo, com mais de 2,1 milhões de Km2- as possibilidades de vida são bastante limitadas, já que somente 1/7 da sua superfície permanece livre de gelo no Verão. O resto permanece coberto. Somente nas costas e junto aos lagos se proporcionam os elementos básicos para a vida animal e vegetal. E és aqui onde vivem os seres humanos, mesmo quando a neve, o gelo e um terreno geralmente intransitável tornam a situação mais difícil.

Mas não é a terra, mas sim o mar, o que torna possível a vida humana. As águas árcticas são um elemento fundamental para peixes, pássaros e mamíferos marinhos como focas, morsas e baleias, que constituem a alimentação básica do homem na Gronelândia. Esta não é constante, porque a mínima mudança climática pode constituir uma catástrofe no equilíbrio ecológico.

Mas a vida na Gronelândia, a Terra Verde, como Erik o Vermelho lhe chamou quando lá chegou, num avanço propagandístico incrível, é muito mais do que uma luta contra a natureza. A Gronelândia é um país incrivelmente belo e fascinante. A paisagem que no Inverno é totalmente desolada muda radicalmente na Primavera. Durante o curto verão o Sol brilha quase todo o dia sobre os canteiros cobertos de flores.

Os groenlandeses kalaallit não são um grupo étnico isolado, mas pertencem a um povo com uma história primordial comum no idiomático, cultural e religioso, como estudara Knud Rassmussen, explorador danês (1879-1933) nas suas 7 expedições ao Árctico.

Comummente chamam-se-lhes esquimós, que é uma palavra índia, “eskimautsik-los”, (que comem carne crua). Mas os descendentes dos habitantes primordiais da zona árctica ao redor do Pólo Norte chamam-se a si mesmos “seres humanos”, “Inuit”.

A Gronelândia obteve a sua autonomia em 1979, quando ainda formava parte do reino danês. Os inuit são um povo pertencente à raça mongol. Falam uma língua comum, com dialectos diferentes, e tiveram inicialmente uma herança cultural comum e uma série de ritos e cerimónias religiosas. Esta comunidade foi muito bem estudada por Rasmussen, que em 1920 percorreu todo o território inuit desde a Gronelândia até à Sibéria.

Novas investigações demonstraram que existiu “um povo durante 4.000 anos”, conforme o arqueólogo danês Jorgen Medgaard. Os inuit actuais descendem das migrações esquimós que chegaram ao país no século IX d.C. A sua cultura foi atestada na zona norte da Gronelândia, onde Rasmussen fundara nos princípios do século XX a estação comercial Thule, e é por isso que se conhecem como a cultura de Thule.

As sagas norueguesas e islandesas relatam que Erik o Vermelho abandono a Islândia em  986, e com outros campesinos estabeleceu dois povoados na costa oeste, mas que não tiveram grande influencia na povoação natural. Ainda que seja difícil estabelecer características gerais para estas povoações, pode dizer-se que:

1. O povo vive em pequenas comunidades.

2. Têm um material cultural homogéneo.

3. Todos os membros da comunidade vivem da mesma actividade, com trabalhos diferenciados de acordo com o sexo e a idade.

4. A experiencia e o conhecimento da comunidade transmite-se de geração em geração, oralmente, na falta de uma linguagem escrita.

5. Vive-se em contacto muito próximo e religioso com a Natureza, que se concebe plena de vida e de energias sagradas. A religião é globalizada e dá à existência um sentido comum.

O marco ecológico torna-se muito pobre, por isso é necessário viver muito dispersos para aproveitar ao máximo os recursos naturais. Consideram-se como um povo. Mas a solidariedade e a união restringem-se aos vizinhos do povoado, com os quais se tem obrigação de repartir os alimentos em situações de emergência.

Os povoados estavam sempre próximos do mar ou numa enseada com acesso a água potável. Não se pode falar de permanências estáveis, porque os inuit continuaram com a sua vida migratória adaptada aos ciclos anuais de possibilidades de caça.

As cabanas estavam inteligentemente construídas para isolar dos graus abaixo de zero, com paredes de um metro de espessura, cobertas interiormente com peles. Tinha que se entrar agachados por um corredor largo e baixo, que impedia o acesso do vento gelado. O mobiliário era funcional. É muito provável que o clima piorasse em 1600, porque nesta época começa-se a construir vivendas comuns para várias famílias. Na Primavera as casas eram abandonadas e no tecto deitado abaixo para arejá-las. Os famosos “iglus” eram construídos somente como residência temporal em caso de necessidade nas viagens de caça durante o inverno. O resto do ano utilizavam-se tendas.

A vestimenta, tal como as casas, tinha que isolar do frio mas por sua vez tinha que ser o suficientemente ampla e cómoda para permitir ao corpo mover-se livremente. Era de certo modo comum para homens e mulheres. Basicamente constava de botas largas, calças e “anorak” com capucho, todo de couro e de duas camadas, com uma camada de ar intermédia. Assim o corpo podia “respirar” e eliminar a transpiração. Os trajes realizados pelas mulheres representavam um imponente trabalho de tradição artesã.

Para a caça no mar utilizavam as famosas piráguas e os “barcos-mulheres”, assim chamados porque nestes remavam as mulheres nas expedições de verão, e são diferença das piráguas que são completamente abertos e têm sitio para as crianças, os cães, a tenda e outras equipas.

Os cães de trenó eram e são insubstituíveis como meio de transporte na Gronelândia. São agressivos e semelhantes aos lobos. Orientam-se por meio de gritos e com um látego comprido. No Inverno, quando são necessários para a caça e as viagens, mantém-se em boa forma, mas no verão recebem apenas o mínimo necessário.

Ninguém poderia sobreviver durante tanto tempo só em clima árctico. A vida dos groenlandeses estava estruturada sobre uma organização social comunitária.

A grande família era composta por pais, filhos, avós e eventualmente familiares desvalidos; casas comuns e vizinhos nos povoados de Inverno; e grandes localidades de Verão (aasiviit), onde se encontravam numerosos grupos de diferentes zonas.

As diferentes posições na sociedade dependiam da qualidade no desempenho da função. Havia um grande respeito por um caçador mais velho, um hábil angakkog (evocador de espíritos) e uma boa costureira que tivesse dado à luz muitos filhos, mas só enquanto cumprissem as suas funções satisfatoriamente. Nos períodos de fome era necessária uma marcada prioridade, onde era necessário desligar-se dos “ineptos”: velhos, crianças pequenas, órfãos e doentes. A consideração colectiva e a sobrevivência da sociedade eram mais importantes que a individual. Os anciãos eram normalmente considerados com respeito, mas em caso de doença ou em situações de fome era uma exigência tácita que os velhos se suicidassem atirando-se ao mar ou enterrando-se no gelo.

Mas a comunidade também era um sistema de segurança social. Era dever da sociedade repartir a comida e outros elementos vitais com os demais integrantes do povoado.

A reunião social funcionava como um forum, o que Knud Rasmussen chamou “O presente da festa”, a capacidade inuit para desenvolver um sentido de humor e criatividade divertida nas muitas formas de entretenimento e festa que davam vida às condições diárias tão rigorosas.

A família era patriarcal; o homem mais velho era o ittoq (senhor), e funcionava como a autoridade suprema para todos e como anfitrião dos visitantes. As anciãs também podiam ser ittoq, mas em geral a sociedade inuit era patriarcal. A mulher considerava-se propriedade do homem e alguns homens tinham várias mulheres. Também podia dar-se a situação contrária, mulheres com vários homens (poliandria). A poligamia estava baseada no “excedente” de mulheres como consequência da perigosa actividade da caça.


Os inuit não têm nenhuma representação de Deus ou dos deuses, e tampouco têm alguma crença numa força criadora do mundo. Antes do nosso mundo existia um tempo primordial mítico (nos velhos dias), onde tudo era diferente. Vários mitos das origens e criações tratam do aparecimento do mundo conhecido.

Os inuit têm uma concepção animista. A Natureza está viva, repleta de uma vasta série de forças vitais, que não se separam demasiado dos humanos. São uma realidade, no bom e no mau, à qual havia que adaptar-se, ou em todo o caso da qual há que proteger-se.

Segundo um texto anónimo inuit: “Ao bom não é necessário ter em consideração, porque é bom por si só e não necessita adoração. Mas ao mal, que nos espreita desde a escuridão, há que mantê-lo fora do caminho pelo qual transitamos”.

Estela Tejada
In Revista Esfinge nº32 – Fevereiro 2003

 

 

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