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Cartas entre S. Paulo e Séneca

Hoje, os murmúrios da História chegam-nos do Império Romano, num período crítico em que Nero, ainda sob a tutela sábia e moral de Séneca, começava a inclinar-se perigosamente até ao culto do eu pessoal. Quer dizer, começava a ser tragado pelas sombras que o convertiriam num dos tiranos mais sanguinários da História de Roma.

Paulo de Tarso, apóstolo de uma nova mensagem religiosa e moral, o Cristianismo, tinha desembarcado no porto de Pozzuoli e iniciado correspondência com o filósofo cordovês Séneca (1), na altura magnata de Roma, uma espécie de primeiro-ministro de Nero. Os códices - os primeiros que achámos são do século IX - transmitiram-nos catorze cartas que o filósofo pagão e São Paulo teriam trocado entre si, de 58 a 64 d.C., período no qual o apóstolo estava sob prisão domiciliária, à espera do seu processo, em Roma.

A carta, cujo murmúrio chega até aos nossos dias através da história diz assim:

“Muito em toda a parte nos seus trabalhos está inclausurado em alegoria e enigma, e portanto a grande força que lhe é dada de substância e talento(?) deveria ser embelezado, eu não digo com elegância nas palavras, mas com uma certa atenção. Nem deveria sentir medo pelas lembranças que tenho do que você diz frequentemente; que aquilo tudo que afecta tais coisas vicia o pensamento e empobrece a força da substância. Mas eu desejo que se agarre a mim e ceda ao génio do Latim, dando beleza às suas nobres palavras, fazendo com que o grande presente que lhe foi concedido possa ser merecidamente tratado por si. Adeus.” (Carta XIII)

Paulo de Tarso, o futuro Santo que a iconografia representaria com Livro e Espada escreve na sua carta a Séneca:

“Recebi a sua carta ontem com contentamento, e deveria ter-lhe respondido prontamente, tivesse eu a juventude que gostaria de lhe desejar. Porque você sabe quando, por quem, em que momento, e para quem as coisas deveriam ser entregues e confiadas. Eu imploro, por isso, que não pense estar a ser negligenciado, quando estou a respeitar a dignidade da sua pessoa.” (Carta II)

Com efeito, nestas cartas Séneca felicita a São Paulo pela inspiração divina dos seus escritos, Cartas de exortação dirigidas aos cristãos; mas aconselha-o,como Mestre em Sabedoria e como irmão de Alma(?), que pula o estilo latino para que seja digno reci-piente de tão sublimes ideias.

Que correspondência é esta, que não aparece no Corpus Literário de Séneca e tão-pouco no de São Paulo?

Durante séculos, desde o IV d. C., Padres da Igreja, como São Jerónimo e Santo Agostinho, asseguraram a validade de ditas cartas. Pseudo-Linus, na sua “Paixão de Paulo” chega, inclusivamente, a afirmar que Séneca, não só conversava e mantinha corres-pondência com Paulo de Tarso, mas que inclusivamente, lia cartas deste ao imperador. É preciso recordar que durante o século III e princípios do IV, a nova religião ainda não era rainha das consciências e carecia de poder político. Vincular Paulo de Tarso com Séneca servia de protecção, relativa, ao Cristianismo nos difíceis tempos do martírio.

Mas quando o Cristianismo tomou o poder político e religioso, elevando-se triunfante por entre as ruínas do Império Romano, quando empreendeu uma guerra contra os pagãos, começou a ser inconveniente que São Paulo, o seu paladino mais solitário, não se tivesse apresentado a Séneca como apóstolo, nem se tivesse considerado nas suas cartas como enviado de Deus, mas que, humilde, lhe tivesse tratado como Mestre. Aqui foi quando começou a negar a autenticidade de ditas cartas e a “comunidade científica”, ainda que tivesse debatido entre o sim e o não, durante séculos, acabou, como São Pedro, a negar o seu Mestre, Séneca.

Mesmo especialistas neste autor, como um Pierre Grimal, catedrático da Sorbona, ignoram estas cartas, olímpicamente, não fazendo sequer referência a elas a título de debate no seu livro sobre a vida de Séneca, livro, que por todo o lado, é de uma grande maturidade e profundidade de juízo histórico.

A que é que se deve este silêncio? A que é que se deve, também, o tratamento ignomini-oso que recebeu e recebe Séneca de tantos historiadores, tão anões na inteligência como exuberantes na erudição, que não são capazes de entender o significado dos factos nem de se situar na cena histórica?

A questão é que aí estão as cartas, desafiando gerações de estudiosos e ganhando nos últimos anos carta de credibilidade.

No Congresso que se celebrou em Milão, em 1999, sobre Séneca e o Cristianismo, Maria Grazia Mara, professora emérita de História do Cristianismo na Universidade La Sapienza de Roma, apresentou uma série de factos, muito difíceis de explicar se as Cartas não fossem autênticas.

1 ‑ Os helenismos, nas Cartas de Paulo, são mais abundantes do que nas de Séneca, o que é natural se pensarmos que o grego era a língua comum do Mediterrâneo e a língua em que pensava Paulo e não o latim. Assim, Paulo, diz “aporía”, em vez de “incoerência”, “sofista” em vez de “sapiens”, etc. É quase impossível que um falsificador do século III pudesse apresentar assim os factos.

2 - A expressão de Séneca, ao referir-se à inspiração de Paulo é “timor deorum”, li-teralmente, “temor dos deuses”, termo que nomeia a agitação que se apodera da alma que sente em si os sagrados ventos do Espírito, que sente em si a presença de Deus, ou dos Deuses como forças espirituais que regem o mundo. Um falsificador cristão do século IV d. C. jamais teria expressado, segundo os especialistas, esta expressão, mas sim “timor Dei”, “temor de Deus”.

3 - Na Carta V, Séneca alude com reticência à Senhora, que estaria indignada com São Paulo porque se tinha afastado do antigo culto e convertido a outros. A Senhora é evidentemente Poppea, um filo judaizante e um falsificador do século III ou IV, não se teria expressado com esta reticência ou “delicadeza”, mas sim tê-la--ia nomeado, sem mais nem menos.

Consideramos, como Maria Grazia Mara, que se deve reabrir o debate sobre a valia e a autenticidade destas Cartas. Que não podem ser desprezadas como espúreas e apócrifas com tantos argumentos a favor. Pensamos, e isto é de comum acordo entre os especialistas, que a décima segunda, na qual Séneca descreve o incêndio de Roma equivocando-se na data, e a última, em que São Paulo fala a Séneca como um convertido, foram escritas a posteriori.

Afirmamos, também, os significados que derivam de ditas cartas, que entendemos assim:

1 - Existe uma Fraternidade de sábios mais além das suas crenças, condição social, raça... Mais além de que São Paulo seja portador de uma mensagem nova e Séneca fale de Deuses com sabedoria pagã, Eles, quando falam entre si entendem-se perfeitamente, numa comunidade de almas justas. Como se explicita na Carta I, no núcleo oculto - a tradição iniciática - todos se encontram de acordo. Recordemos São Paulo quando diz: “Sabedoria, sim, falamo-la, entre os perfeitos... Sabedoria de Deus, encerrada no mistério, a escondida, a que predestinou Deus antes que os eons para a nossa própria iluminação” (Corintos 2, 6). Vemos nesta sabedoria o resplendor da verdade iniciática, o vinho do sacrifício de quem comunga nos Mistérios de Deus e a Redenção do Homem, sejam bramânes, cristãos, mao-metanos ou inclusive agnósticos.

2 - São Paulo reconhece a Séneca como o seu Mestre. Senão como conside-raremos as seguintes afirmações de São Paulo? “...eu sinto-me feliz estando na boa graça de tal homem: porque você não o diria, você, um crítico, um sofista, o professor de um grande príncipe, e de facto de todos, a menos que você falasse verdade.” (Carta II), e “Sempre que ouço ler as suas cartas, penso em si como se estivesse presente, e não imagino nada mais do que você se encontrar sempre connosco.” (Carta IV), e “Adeus, mais devotado dos mestres.” (Carta X).

E para que o leitor possa julgar por si mesmo e não se estabelecer comodamente nas opiniões de outros, publicamos em anexo, todas as cartas - mesmo as número 12 e 14, consideradas falsas - da tradução rea-lizada por M.R. James.

José Carlos Fernández

 


 

 As Cartas trocadas entre Séneca e São Paulo

1. SÉNECA A PAULO, saudações

Eu acredito, Paulo, que foi informado da conversa que eu tive ontem com o meu Lucílio sobre os apócrifos (ou possivelmente os mistérios secretos) e outras coisas; pois determinadas partes do seu ensinamento estavam comigo. Retiramo-nos para os jardins de Sallust, onde, por nossa causa, aqueles de quem eu falo, indo noutra direcção, viram-nos e a nós se juntaram. Certamente desejaríamos a sua presença, e eu queria que você soubesse. Fomos muito reconfortados com a leitura do seu livro, pelo qual eu refiro-me a algumas das muitas cartas que dirigiu a algumas cidades ou capitais de província, e que inculcam a vida moral com preceitos admiráveis. Estes pensamentos, eu penso, não são expressos por si mas através de si, e certamente às vezes por si e através de si: pois isso é a grandeza deles e eles são instinto (morno) com tamanha nobreza, que penso que gerações inteiras (idades) de homens dificilmente chegarão para os insuflar e aperfeiçoar. Desejo a sua boa saúde, irmão.

2. PAULO A SÉNECA, saudações

Recebi a sua carta ontem com contentamento, e deveria ter-lhe respondido prontamente, tivesse eu a juventude que gostaria de lhe desejar. Porque você sabe quando, por quem, em que momento, e para quem as coisas deveriam ser entregues e confiadas. Eu imploro, por isso, que não pense estar a ser negligenciado, quando estou a respeitar a dignidade da sua pessoa. Em relação à parte em que você, em qualquer lado escreve estar satisfeito com a minha carta (ou, escreve que está satisfeito com parte dela) eu sinto-me feliz estando na boa graça de tal homem: porque você não o diria, você, um crítico, um sofista, o professor de um grande príncipe, e de facto de todos, a menos que você falasse verdade. Confio que possa continuar com saúde.

3. SÉNECA A PAULO, saudações

Tenho arranjado alguns escritos num volume, dando-lhes uma divisão apropriada: também resolvi lê-los a César, se ao menos o destino for bondoso, para que traga um novo (interessado) ouvido à audiência. Talvez você, também, esteja lá. Se não, eu irei noutra altura marcar-lhe um dia, para que possamos observar o trabalho juntos: de facto, eu não poderia mostrar-lhe estes escritos, sem primeiro conferenciar consigo, se ao menos isso pudesse ser feito sem risco: assim saberia que não estava a ser negligenciado. Adeus, meu caro Paulo.

4. PAULO A ANEU SÉNECA, saudações

Sempre que ouço ler as suas cartas, penso em si como se estivesse presente, e não imagino nada mais do que você se encontrar sempre connosco. Assim que, então, começar a voltar, ver-nos-emos em acomodações próximas. Desejo a sua boa saúde, irmão.

5. SÉNECA A PAULO, saudações

Estamos sofridos com o seu afastamento. O que é? Que causas o mantêm ausente? se for a raiva da senhora (Poppea) porque você deixou as velhas cerimónias e a seita, e converteu outros, haverá uma possibilidade de interceder com ela, podendo ela considerar isso como terminado numa segunda reflexão e não levemente.

6. PAULO A SÉNECA E A LUCÍLIO, saudações

Sobre o assunto que você me tem escrito eu não devo falar com pena e tinta, dos quais a primeira marca e desenha algo, e a última mostra--o claramente, especialmente porque eu sei que entre vocês - isto é, nas vossas casas e em vocês - há aqueles que me compreendem. Honra seja feita a todos, e tanto mais porque os homens são apanhados nas oportunidades que existem em serem ofendidos. Se formos pacientes com eles, superá-los-emos certamente em todos os pontos, desde que sejam homens que se arrependam das suas acções. Adeus.

7. ANEU SÉNECA A PAULO E A THEOPHILUS, saudações

Eu professo-me bem contente com a leitura das suas cartas que enviou ao Galatas, ao Corintos, e ao Aqueus; e possamos todos viver juntos assim como você se mostra inspirado com o frenesi divino (horror). Pois é o espírito santo que está em si e bem acima de si quem expressa estes pensamentos exaltados e adoráveis. Portanto, eu teria consequentemente cuidado nos seus outros pontos de vista, em que o brilho do estilo possa estar deficiente em relação à majestade do pensamento. E, irmão, para não esconder algo de si, e tê-lo na minha consciência, eu confesso-lhe que o Augusto ficou comovido com os seus pontos de vista. Quando eu lhe li o início do poder (virtude) que está em si (talvez ele se referisse ao seu exórdio sobre a virtude) as suas palavras foram estas: que ele possa questionar se um homem não convencionalmente educado possa pensar assim. Eu respondi que os deuses falam frequentemente pela boca dos simples (inocentes), não daqueles que tentam traiçoeiramente mostrar o que podem fazer com o seu aprendizado. E quando lhe citei o exemplo de Vatienus o rústico, a quem dois homens apareceram no território de Reate, e que foram reconhecidos mais tarde como Castor e Pollux, pareceu inteiramente convencido. Adeus.

8. PAULO A SÉNECA, saudações

Embora eu esteja ciente que César, mesmo que às vezes falhe, é um amante das nossas maravi-lhas, você irá sofrer por ser, não ferido mas admoestado. Porque penso que você deu um passo muito sério ao trazer à sua observação uma matéria estranha à sua religião e treino. Pois visto que ele é um adorador dos deuses das nações, não vejo porque pensou que ele desejaria saber destes assuntos, a menos que eu deva pensar que o fez por excessiva ligação a mim. Eu imploro-lhe para que não o faça no futuro; Você tem que ser cuidadoso para não ofender a imperatriz no amor que tem a mim: contudo a sua raiva não nos ferirá se durar, nem fará bem se não durar [isto é absurdo]. Como rainha, não estará irritada: como mu-lher ficará ofendida. Adeus.

9. SÉNECA A PAULO, saudações

Eu sei que você não está tão perturbado por sua vez devido à carta que a si enderecei contando-lhe como mostrara as suas cartas a César, assim como pela natureza das coisas, pelo que chama por certo para longe as mentes dos ho-mens de todo o ensino e conduta correcta - de modo que eu não estou surpreendido, pois dei isto por certo baseado em muitos exemplos. Vamos então agir de modo diferente, e se no passado qualquer coisa foi feita de modo descuidado, você o perdoará. Enviei-lhe um livro sobre elegância da expressão (armazém de palavras). Adeus, meu caro Paulo.

10. A SÉNECA, PAULO, saudações

Sempre que eu lhe escrevo e não coloco o meu nome depois do seu (veja o cabeçalho) faço uma coisa séria tornando inconveniente a minha persuasão (seita). Porque eu deveria, como muito frequentemente declarei, ser todas as coisas a todos os homens, e observar na sua pessoa que a lei romana concedeu a honra do senado, e esco-lher o último lugar na escrita (texto, leitura) de uma carta, não lutando por fazer como eu quero de uma maneira confusa e infamante.

Adeus, mais devotado dos mestres.

Dada no 5º do calendas de Julho; Nero a quarta vez, e Messala, cônsules (A. D. 58).

11. SÉNECA A PAULO, saudações

Avé, meu caro Paulo. Se você, um homem tão grande, tão querido em todos os sentidos, está - eu não digo junto - mas intimamente associado a mim e ao meu nome, estará certamente bem com o seu Séneca. Desde então, você é o cume e o ponto mais elevado de todas as pessoas, não gostaria de me ter contente por eu estar tão perto de si sendo contado como um segundo de si? Então, não pense que não é merecedor de ser nomeado primeiro no cabeçalho das cartas, senão faz-me pensar que você me está a testar em vez de se estar a divertir comigo - especialmente sabendo-se você um cidadão romano. A posição que eu tenho, desejaria que fosse sua, e a sua desejaria ser minha. Adeus, meu caro Paulo.

Dada no 10º das calendas de Abril; Cônsules Apronianus e Capito (59).

12. SÉNECA A PAULO, saudações

Avé, meu caro Paulo. Acha que eu não estou na tristeza e em sofrimento, pelo seu povo inocente ser tão frequentemente condenado a sofrer? E depois, que o povo inteiro pense em vocês como insensíveis e tão propensos para o crime, que são supostamente os autores de todos os infortúnios na cidade? Contudo deixe-nos carregá-lo pacientemente e contentarmo-nos com o que o destino traz, até que a felicidade suprema ponha um fim aos nossos problemas. As idades anteriores tiveram que suportar o Macedónio, filho de Filipe, e, após Dario, Dionisio, e em nosso própria época suportar Gaio César: para todos a vontade deles era lei. A fonte de muitos fogos que Roma sofre claramente. Mas se os homens humildes pudessem expressar qual é a razão, e se fosse possível falar sem riscos nestes tempos escuros, tudo seria claro para todos. Os cristãos e os judeus são comummente executados como contribuintes do fogo. Quem quer que o criminoso seja o seu prazer é o de um carniceiro, velando-se com uma mentira, ele está reservado para a devida estação: e enquanto o melhor dos homens é sacrificado, um por todos, também ele, votado à morte por todos, será queimado com fogo. Cento e trinta e duas casas e quatro blocos foram queimados em seis dias, o sétimo trouxe uma pausa. Rezo para que esteja bem, irmão.

Dada no 5º das calendas de Abril; Cônsules Frugi e Bassus (64).

13. SENECA A PAULO, saudações

Muito em toda a parte nos seus trabalhos está inclausurado em alegoria e enigma, e portanto a grande força que lhe é dada de substância e talento (?) deveria ser embelezado, eu não digo com elegância nas palavras, mas com uma certa atenção. Nem deveria sentir medo pelas lembranças que tenho do que você diz frequentemente; que aquilo tudo que afecta tais coisas vicia o pensamento e empobrece a força da substância. Mas eu desejo que se agarre a mim e ceda ao génio do Latim, dando beleza às suas nobres palavras, fazendo com que o grande presente que lhe foi concedido possa ser merecidamente tratado por si. Adeus.

Dada no dia antes do nono de Junho; Cônsules Leo e Sabinus (não existentes).

14. PAULO A SÉNECA, saudações

Para as suas meditações foram reveladas aquelas coisas que a cabeça de Deus concedeu a poucos. Com confiança, então, eu semeio num campo já fértil uma semente muito prolífica, não matéria tal que seja susceptível à corrupção, mas a palavra duradoura, uma emanação de Deus que cresce e dura para sempre. Isto a sua sabedoria conseguiu e você  verá que é infalível - a julgar pelas leis dos pagãos e Israelitas que serão retiradas. Você poderá tornar-se um novo autor, avançando com a graça da retórica da inculpável sabedoria de Jesus Cristo, que você, tendo de tão perto alcançado, irá insuflar no monarca temporal, seus servos e os seus amigos íntimos, contudo a sua persuasão será uma tarefa dura e difícil, pois muitos deles dificilmente se inclinarão às suas admoestações. Contudo a palavra de Deus, se for infundida neles, será um ganho vital, produzindo um novo homem, incorrupto, e uma alma perene que apressada daqui para Deus. Adeus, Seneca, muito querido para mim.

Dada nas calendas de Agosto; Cônsules Leo e Sabinus.

É fácil que com uma pessoa assim São Paulo estabelecesse amizade e através dele iniciasse a sua correspondência com Séneca.

José Carlos Fernández

Notas:

 (1) Os Actos dos Apóstolos (18, 13-15) narram o processo judicial que sofreu São Paulo, acusado pelos pelos judeus de Corinto de criar uma seita perigosa, que arrebatava fiéis à sinagoga. O pro-cônsul de Acaya que estabeleceu justiça era Galião, irmão, precisamente, de Séneca e a quem este filósofo descrevia como “varão de grande engenho, temperamento e sumamente justo”. Este quadro harmoniza com os factos descritos nos Actos, onde Galião diz: “Se se tratasse de algum crime ou má acção, eu escutar-vos-ia, judeus, com calma, como é razão. Mas como se trata sobre questões de palavras, nomes e coisas da vossa Lei, vejam lá vocês. Eu não quero ser juíz nestes assuntos”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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