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ALARME! Alterações Climatéricas

“Javé dará como chuva à tua terra pó e areia, que cairão do céu sobre ti até à tua destruição”
                                                                                                              Deuteronómio

Esta afirmação bíblica parece pressagiar a crescente desertificação de que padece a Terra. E a imagem que refere as chuvas de pó e areia não é literária, é real. Ocorre onde o solo, desprovido de vegetação, não pode opor resistência aos embates do vento, o que gera tempestades de pó e chuvas de barro. Estas tempestades são características de lugares que sofreram uma erosão intensa. Aí têm a sua origem mas rapidamente alcançam outras terras, outros continentes, como as procedentes do Norte e do Oeste da China que atravessaram o Pacífico, descarregando o seu ventre estéril sobre a costa Oeste dos Estados Unidos. Mas, ao contrário da sentença da Bíblia, não é Javé a causa de tais calamidades mas a própria actividade humana desenfreada que está a quebrar o equilíbrio da vida na Terra, numa catástrofe climática e ecológica sem precedentes na história da humanidade.

- Pode a Terra morrer?
- Sim, se é um ser vivo.
- É a Terra é um ser vivo?
- É o que parecem demonstrar, entre muitas outras coisas, os mecanismos de auto-regulação naturais que Ela possui. Mas também é claro que a estamos a matar, comportando-nos perante Ela, a nossa mãe Terra, como um cancro maligno que tudo devora.

Este é o diálogo interior de alguém que reflicta sobre o mundo em que vivemos. É uma voz de alarme que reclama o esforço conjunto de todos os seres humanos. Exige um governo mundial com capacidade de facto, efectividade e rapidez na acção, pois “para grandes males, grandes remédios.” Isto, por desgraça, é bastante improvável. Como o enredo de interesses criados e de egoísmos internacionais e apátridas impede que penetre na consciência humana a luz clara da inteligência, é provável que a Terra, como ser vivo, reaja. Assim o fará se nós não reagirmos a tempo. E fá-lo-á de um modo bastante mais rude do que está a fazer agora. Agora está simplesmente a avisar; os seus mecanismos naturais de defesa começam a ser evidentes nos grandes fenómenos climáticos: terramotos, maremotos, furacões, mudanças de estações, aberrações climáticas, etc...

Certo conhecimento tradicional afirma que o ser humano tem perante si, agora, um duplo caminho: o primeiro, uma paulatina entrada numa espécie de Idade Média, com certas crises, guerras, destruição de cidades inteiras por cataclismos, dissolução da forma civilizatória que nos rege, perda de interesse pela tecnologia e valorização do humano e individual; e o segundo, que a Terra reaja energicamente e que nos precipitemos, devido a uma glaciação ou alguma outra catástrofe natural ou devido à imbecilidade humana, numa Idade da Pedra... onde haverá que começar praticamente tudo de novo. É evidente que os tempos que se avizinham são tempos de ferro, não tempos de ouro.

Esta é a voz de alarme. Examinemos os factos.

Ante o efeito estufa “artificial” e a cada vez maior concentração de dióxido de carbono na atmosfera, que está a provocar um aumento “não natural” da temperatura média da Terra, a Organização Meteorológica Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente criaram, em 1988, o Painel Intergovernamental de Alterações Climáticas (mais conhecido pelas suas siglas em inglês IPCC).

Aí se reúnem milhares dos melhores especialistas mundiais e a sua missão é avaliar a informação científica disponível, assessorando os governos sobre a melhor maneira de atenuar os efeitos da mudança climática ou a adaptarem-se a eles. Este organismo publicou três volumosos relatórios síntese: o primeiro, em 1990, dizia que com os dados trabalhados “não era possível afirmar” que o aumento da temperatura média da Terra fosse consequência das actividades humanas; o segundo, em 1995, expressava que o conjunto de evidências disponíveis “sugere um certo grau de influência sobre o clima global”; e o terceiro, em 2001, faz referência a “INTERFERÊNCIAS ANTROPOGÉNICAS PERIGOSAS NO SISTEMA CLIMÁTICO”.

A temperatura média mundial aumentou quase 0,7 graus no último século. Pode parecer pouco, mas é uma mudança importante e muito rápida. Na época das glaciações, em que as calotes de gelo polares cobriam grande parte da Europa, a temperatura média era apenas cinco graus inferior à actual, e há três séculos, na chamada Pequena Idade do Gelo no Velho Continente, era somente um grau mais baixa. Na Península Ibérica, no último quarto de século, aumentou mais de um grau e meio, com temperaturas muito similares às que registava o norte de Marrocos em 1975.

furacão_Katrina
Imagem de satélite do furacão “Katrina”

Os especialistas estimaram, em 2001, que a temperatura média mundial aumentará entre 1,4 e 5,8 graus antes de finalizar o século XXI, e as previsões mais recentes são ainda mais graves. A Agência Europeia do Ambiente acaba de apresentar um relatório segundo o qual o aumento de temperatura do nosso continente, daqui até ao ano 2100, oscilará entre 2 e 6,3 graus centígrados. A ser assim, será a mudança mais rápida registada no clima desde há dez mil anos, depois da última glaciação. O que levaria a uma desertificação - escassez verdadeiramente alarmante de alimento e de água doce! E há versões mais alarmistas ainda, que se queixam que este último relatório “não acreditava que a Índia, o Brasil e a China, três países emergentes, pudessem emitir tanto como o estão a fazer”, pois, por exemplo, a China emitiu em 2004 tantos gases de efeito estufa como os Estados Unidos. Os últimos relatórios do IPCC também não incluíam os estudos dinamarqueses efectuados na Gronelândia que advertem que os gelos estão a fundir-se muito mais rapidamente do que se pensava e que isto pode levar a uma elevação do nível do mar de mais de seis metros, engolindo inúmeras cidades planas ao pé do mar. As últimas experiências realizadas na Universidade de Oxford anunciam um aumento na temperatura média de 8 graus para o final do século, dois graus acima da pior previsão da ONU. O problema é que se deixássemos, agora mesmo, de produzir TOTALMENTE gases que provocam efeito estufa, ainda assim a Terra subiria dois graus de temperatura média, suficiente para provocar todo o tipo de catástrofes e uma alteração climática.

desertificação

Ondas de calor como a que Portugal passou em 2003 serão cada vez mais frequentes e piores. As temperaturas extremas distanciar-se-ão cada vez mais e o sul do país pode, facilmente, transformar-se num deserto. Há muitos analistas que pensam que as futuras guerras não serão - como foram as do Afeganistão e agora a do Iraque - pelo petróleo, mas pela posse da água e dos recursos associados. O verdadeiro ouro líquido do futuro será a água, a bênção de uma água que é cada vez mais escassa. As fontes de água doce esgotam-se, os poços secam, bem como as reservas de águas subterrâneas fósseis (1), e muitos países como a Líbia ou a Índia dependem quase exclusivamente destas últimas para a sua agricultura. Na Líbia, por exemplo, a água fóssil utilizada para regar, depois de ter sido transportada centenas de quilómetros, excede em sete vezes a água que recebe a terra em forma de chuva. Quando esta água secar são previsíveis fomes extremas e migrações desesperadas. Relativamente à importância da água como causa de guerras presentes e futuras, Marq de Villiers afirma que a resistência israelita em aceitar um estado palestiniano está vinculada ao controlo de recursos hídricos dos Montes Golan  e da faixa de Gaza. O Egipto anunciou que não teria outro remédio senão ir para a guerra se a Etiópia desviasse em seu proveito uma parte significativa do Nilo Azul. A Índia e o Paquistão combatem pelo rio Indo; a Síria e a Turquia pelo Eufrates e pelo Tigre; o México e os Estados Unidos pelo rio Colorado; a Índia e o Bangladesh pelo Ganges; o Brasil e a Argentina pelo rio Paraná; a Namíbia e o Botswana pelo paraíso natural do delta do Okawango... E isto está apenas a começar.

Os relatórios referem-se ao efeito específico da acção humana, descontrolada, não às causas conhecidas da alteração climática que são: a actividade solar que não é constante; a inclinação do eixo da Terra; a maior ou menor excentricidade da órbita terrestre; a quantidade de pó inter-estelar; a disposição dos continentes que muda em muito longos períodos de tempo; a maior ou menor actividade vulcânica na Terra; os tipos e níveis de actividade biológica que influem na composição da atmosfera, e portanto o maior e menor efeito de estufa natural que produzem; as correntes marinhas que distribuem o calor pela superfície terrestre e cuja variação pode produzir mudanças bruscas de temperatura. Mas isto é o conhecido; quanto mais se estuda mais factores se encontram que podem produzir uma alteração climática, descontando todos aqueles que são agora insuspeitos e que podem surpreender-nos no futuro.

É importante recordar que o efeito estufa é um fenómeno natural e imprescindível para a vida na Terra, segundo os padrões actuais desta vida. Sem o efeito estufa a temperatura média da Terra seria de 18 graus abaixo de zero (agora é de 15 graus positivos) e com altos e baixos extremos entre o dia e a noite.

Diagrama_do_Efeito_de_Estufa
Diagrama do efeito estufa


A Terra recebe energia electromagnética proveniente do Sol, que percebemos, entre outras, como luz e calor. A temperatura da superfície terrestre resulta do equilíbrio da energia que a própria Terra recebe do Sol e aquele que reflecte, devolvendo-a para o espaço como radiação infra-vermelha. Uma parte desta luz e calor que a Terra reflecte e irradia não se perde no espaço, mas é retida por uns gases - os chamados gases de efeito estufa - que fazem parte da atmosfera; gases que aquecem e enviam de novo energia térmica e luminosa até à superfície da Terra, que por sua vez absorve uma parte e devolve outra que será, em parte, retida de novo pelos gases de efeito estufa. Isto gera um ciclo que é causa de um equilíbrio térmico - quando a quantidade de energia que entra e a que sai são iguais - e de uma temperatura estável da Terra maior do que se não existisse este efeito estufa. O Nitrogénio e o Hidrogénio não são os componentes básicos destes gases de efeito estufa, mas sim outros, que em pequenas proporções, têm uma importância fundamental no equilíbrio da vida. De entre todos os componentes naturais da atmosfera, o principal é o vapor de água e depois o dióxido de carbono, o metano, o óxido nitroso e o ozono. A vida média do vapor de água na atmosfera é muito pequena, apenas uma semana, mas o dióxido de carbono permanece nela mais de cem anos e o metano entre dez e quinze anos.

Os gases de efeito estufa emitidos pelo ser humano aumentaram exponencialmente desde a Revolução Industrial e estão directamente ligados ao nosso modo de vida, aos recursos energéticos e ao tipo de desenvolvimento económico que tende cada vez mais para a globalização e - esta é a chave máxima do problema - à superpopulação. A explosão demográfica é a bomba mais letal que conheceu a Terra e que pode fazer da nossa morada um deserto. Seis mil e quinhentos milhões de habitantes superam com acréscimos aquilo que a Terra pode suportar sem ser contaminada, depauperada, esgotada e convertida numa ruína estéril. E ainda que todos os analistas saibam que é assim, este tema quase tabu é, geralmente, o factor ausente nos debates ecológicos. O controlo demográfico, segundo directrizes mundiais é imperativo para a sobrevivência da Terra. Deveríamos ler os velhos textos tibetanos, as Estâncias de Dzyan, recompilados por H. P. Blavatsky, que referem como, quando os seres humanos invadiam a “Mãe” fazendo perigar a sua sobrevivência, ela os sacudia do seu dorso. Ou a epopeia do Mahabharata onde fala dos lamentos da Terra que já não pode suportar mais o peso e a indignidade dos Homens, seus filhos. Lamentos da Terra que não são diferentes dos lamentos surdos da Humanidade e que auguram catástrofes futuras.
De qualquer modo as previsões climáticas são difíceis, porque não estamos a falar de leis mecânicas, mas de uma rede muito complexa de causas e efeitos, onde qualquer variação mínima pode desencadear um processo imprevisível: é o equilíbrio e dinamismo da vida!

day_after_tomorrow
Imagem do filme O dia depois de amanhã

Todos nos sentimos impressionados, sem dúvida, com a superprodução de Hollywood “O dia depois de amanhã”, que descreve uma violentíssima alteração climática que culmina em glaciação (2). Na realidade, este filme pôs em cena e dramatizou a teoria do climatólogo Wallace Broecker e de outros. Propõe como consequência do aumento de temperatura e o consequente degelo das águas árcticas (água doce) a diminuição da salinidade da superfície marinha, já que a água doce é mais leve e, portanto, flutua sobre a água marinha. Esta película de água doce pode provocar uma interrupção parcial ou total da Corrente do Golfo do oceano Atlântico que, procedente do Sul, tempera as águas que banham as costas europeias e que é um dos mecanismos básicos de auto-regulação de temperatura que possui a Terra.

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Imagem de satélite onde podem ver as temperaturas da Corrente do Golfo

sto significaria um arrefecimento repentino de todo o Atlântico Norte, incluindo a Europa Ocidental, para além de violentas aberrações climáticas como tornados, tufões e tempestades de potência muito, muito superior às que já conhecemos e para as quais podemos estar mais ou menos preparados. Ainda que não de um modo tão violento, isto é o que defendem certas teorias astrológicas e ensinamentos tradicionais que referem que a entrada no signo zodiacal de Aquário tem um período inicial - que dura várias centenas de anos - de “gelo”, com uma diminuição quase glacial das temperaturas da Terra, período que varreria, definitivamente, a nossa actual forma civilizatória. É que, como rezam os ecologistas e é possível que a Terra afirme de um modo mais rotundo, OUTRO MUNDO É POSSÍVEL.

 

Nota: Os climatologistas afirmam que “anomalias” como o “El Niño”, o “Mitch” ou agora o “Katrina”, de efeitos terríveis, são a consequência do efeito estufa da Terra. Os ventos que correm até 240 kms/hora eram desconhecidos e podem, facilmente, destruir cidades inteiras.

Os desastres do furacão “Katrina” são um grito de alarme para tda a Humanidade.

 

José C. Fernández
Director Nacional da Nova Acrópole



(1) São chamados aquíferos fósseis os que estão isolados das águas superficiais e, portanto, não podendo renovar-se, esgotam-se e terminam para sempre.

(2) Este artigo foi escrito antes da catástrofe do “Katrina”. Não é necessário ver o filme, estamos a ver, de um modo descarnado e real, os primeiros grandes efeitos da mudança climática. As imagens do ocorrido e do que se prevê são pavorosas.

 

 

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