Logo_NA_Verde_2013    
     
  a   a   a   a   a   a   a   a   a   a  
                             
 

Afonso de Albuquerque, o César do Oriente - Parte II

 

Ler Parte I

 

3. Breves Reflexões sobre Afonso de Albuquerque

Afonso de Albuquerque
Fig. 4 - Gravura do séc. Séc. XVII de Afonso de Albuquerque


Afonso de Albuquerque não foi um mero guerreiro, foi no nosso entender um civilizador. Considerou o problema da Índia em todos os aspectos e procurou resolvê-lo simultaneamente no plano militar, político, social e económico. O génio omnímoda de Afonso permitiu sedimentar os alicerces para o futuro Império.

A estratégia militar, de alguma forma barbárie, tinha como objectivo fortalecer a posição dos portugueses nas negociações e conservar o monopólio do comércio e navegação. Afonso de Albuquerque não era um vulgar guerreiro que se lança à conquista por ambição ou para simplesmente promover a guerra. Podemos dizer que a sua estratégia obedecia a razões civilizatórias, militares e comerciais.

Afonso de Albuquerque tinha ideias mais nobres e mais amplas baseadas na velha ideia do Infante D. Henrique, de dar novos mundos ao mundo e de construir um império espiritual.  

 

 



Mais, na índia os portugueses encontraram uma civilização completa e não tribos selvagens. Os gentios da índia tinham religião, leis, códigos, instituições, literatura e ciência próprias.

Na altura em que D. Afonso chegou ao Oriente os portugueses tinham problemas gravíssimos: eram poucos e estavam num continente civilizado, denso e hermeticamente fechado aos europeus por via dos sistemas das castas.

O plano de génio de D. Afonso, fruto da sua intuição e experiência, é brilhante. Transformar os indígenas assimilando-os à civilização do Ocidente, identificando-a com o regime social do reino através de três políticas:

  1. Liberdade civil e tolerância religiosa, mantendo todos os organismos e instituições sociais indígenas;

  2. Promover o casamento dos seus soldados com mulheres indígenas, a chamada miscigenação;

  3.  Promover a conversão ao cristianismo.

A sua sábia política tornou-o querido dos povos que governou. O que sucedia, na verdade é que o governo português governava e as populações locais administravam. Estabeleceu leis e tribunais, protegeu o comércio. Não procurou explorar os vencidos tinha objectivos mais altos e mais nobres. 

Tal era a sua tolerância e visão de futuro que o senado de Goa gozava dos mesmos privilégios que o de Lisboa, podia corresponder-se directamente com o Rei. Pode ter inspirado as Organizações Internacionais dos nossos dias.

No fundo, através da suas políticas “internacionais” criou as bases para os futuros mecanismos do Direito Internacional.

Os Tratados que celebrava eram a materialização do que acreditava e da justiça com que agia. Eram documentos que indicavam as mercadorias negociáveis, os direitos a pagar e a equivalência das moedas.

Indicavam que todos os prejuízos dos portugueses seriam indemnizados e em compensação os portugueses eram obrigados a auxiliar os que com eles acordavam. Por exemplo o Acordo Comercial entre Portugal e o Rei de Calicute, 1 de Outubro de 1513. D. Afonso preconizou uma inovação, que hoje é usual nos nossos contratos, o princípio do Foro, os portugueses eram subtraídos à jurisdição das justiças locais, devendo ser julgados por autoridades portuguesas e na conformidade das leis do seu país, aparece no supra mencionado tratado pela primeira vez na história diplomática.

Afonso de Albuquerque preocupava-se com o seu povo e a sua instrução. Para expansão da língua e costumes portugueses institui escolas para preparar para o desempenho de funções públicas.

Tinha, até, preocupações científicas, foi Afonso de Albuquerque que explicou que a cor do mar vermelho se devia ao coral e musgo vermelhos.

Julgo, que podemos dizer, que D. Afonso mudou o mundo e lançou os alicerces para um mundo universal e global. Criou a primeira Aldeia Global.

 

4. Conclusões



D. Afonso de Albuquerque viveu e entregou a sua vida à máxima cabalista Querer, Orar e Poder. «Deus quer, o Homem sonha e a Obra nasce».

Mostrou que sem paz não pode haver justiça. Demonstrou, também, que a justiça e a sua aplicação podem mudar mentalidades, podem alcançar a paz. Que a Justiça é uma Virtude, não é propriedade de um povo, é universal.

Lançou as bases para a moderna diplomacia, que anula, consolida e permite os triunfos militares.

Foi um homem que compreendeu que a Fortuna é parte indomável de qualquer projecto, e que nos pede firmeza de Alma. É que é aí que o homem pode plasmar a sua liberdade interior, através do desenvolvimento das Virtudes. E que a Sorte protege os audazes.

 

 

«  .  .  .  .  .  .  o grande Cavaleiro,
Que ao vento velas deu na ocídua parte,
E lá, onde infante o Sol dá luz primeiro,
Fixou das Quinas santas o Estandarte.
E com afronta do infernal guerreiro,
(Mercê do Céu) ganhou por força, e arte
O áureo Reino, e trocou com pio exemplo
A profana mesquita em sacro templo.
O tempo chega, Afonso, em que a santa
Sião terá por vós a liberdade,
A Monarquia, que hoje o Céu levanta,
Devoto consagrando à eternidade.
Ó bem nascida generosa planta,

Que em flor fruto há-de dar à Cristandade,
E matéria a mil cisnes, que, cantando
De vós, se irão convosco eternizando.
De Cristo a injusta morte vingou Tito
Na de Jerusalém total ruína:
E a vós, a quem Deus deu um peito invito,
Ser vingador de sua Fé destina.
Extinguir do Agareno o falso rito
É de vosso valor a empresa dina:
Tomai pois o bastão da empresa grande

Para o tempo que o Céu marchar vos mande.»(2)

 

 

Margarida Mourão

 

 

Notas:

(2) Malaca Conquistada pelo grande Afonso de Albuquerque (1634), poema épico de Francisco de Sá de Meneses.

 

 

curso_filosofia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
  Nova Acrópole  
  imagem  
  CURSO FILOSOFIA PRÁTICA
A Sabedoria Viva das Antigas Civilizações
 
   
  Vide Programa do Curso  
 

  ACTIVIDADES n.a. EM PORTUGAL  
 

a

 
  Aveiro  
  Braga  
  Coimbra  
  Lisboa  
  Oeiras-Cascais  
  Porto  
   
  Notícias  
     

  NOVA ACRÓPOLE INTERNACIONAL  

  Anuários  
  Resoluções da Assembleia Geral  
     
  Perguntas Frequentes  
   
     
  Nova Acrópole Internacional  
     

SITES N.A. EM PORTUGAL

Porto
Coimbra
Aveiro
Braga
 

  outros cursos  

   
  Arte de Falar em Público  
  Cursos de Matemática e
Geometria Sagradas
 
  Florais de Bach  
  Outros Cursos  
     

  REVISTA ACRÓPOLE  

   
     

  NOVIDADES EDITORIAIS  

  TÍTULOS PUBLICADOS  
   
 

 
© Nova Acrópole 2009 | Optimizado para monitor 1024X800 | Mapa do site | Webmaster