A Astrologia Vocacional – Parte I

“A nossa missão de vida não é uma coisa, nem um lugar, nem uma profissão, nem um título. É ser. Deixai a vossa missão de vida indicar-vos o caminho. Quando vivenciais a vossa verdade, quando seguis com integralidade o vosso próprio caminho de vida, o Universo apoiar-vos-á sempre.”

Carol Adrienne

Introdução à Astrologia:

A Astrologia, mais do que uma ciência no sentido aristotélico da palavra, ou seja, uma constante em todas as conclusões que podemos obter das várias técnicas de interpretação, ela é um vasto saber que trabalha sobre as potencialidades do ser humano, auxilia-se de vários instrumentos de interpretação, tais como a matemática, a geometria, a astronomia, a filosofia, a psicologia, a morfopsicologia, etc. na busca de significado para a existência de cada ser vivo.

Utilizando o céu como espelho daquilo que se reflecte na Terra, a Astrologia trabalha em sincronicidade com o macro e micro cosmos. Na Grécia antiga, o sábio e filósofo Pitágoras determinava três aspectos fundamentais da realidade humana que ele associava ao Sol – Lua – Terra. O Sol representava a dimensão espiritual, a Lua a dimensão psicológica e a Terra a dimensão física.

O Sol é a representação arquetípica do Ser, fonte de verdade, de luz, de harmonia e também impulso vital para todas as formas de vida. A Lua é a representação da Psique ou Alma que se move entre dois mundos, sendo estes o mundo visível sensível e o mundo invisível supra sensível, os seus atributos são a sua capacidade de absorção, regeneração e libertação, também significam a vida e a morte, a memória e a intuição, a experiência e a consciência, a Lua é o símbolo da alma borboleta que está em movimento constante, sofrendo metamorfoses na sua crisálida de carne. A Terra é o corpo, um composto de vários estados de matéria em constante movimento e que serve de meio para tornar visível o invisível.

“A função não é vocação, a vocação é realização e motivação”

 

Se tomamos por exemplo o processo evolutivo de cristalização das gemas encontramos no carbono, matéria em estado bruto, as seguintes características: opacidade, impureza, permeabilidade, desorganização da estrutura molecular. No seu estado de desenvolvimento e perfeição o carbono é diamante que tem as seguintes qualidades: é matéria pura, coesa, resistente, translúcida, é perfeitamente organizada no seu processo de cristalização, o que a torna praticamente indestrutível. Por analogia podemos dizer que o Homem Solar, na sua última fase evolutiva, tem a mesma característica que o diamante: é unidade na multiplicidade, beleza e poder. Enquanto o carbono é parecido ao Homem Terrestre na sua fase inicial, é fragmentado e frágil devido à dispersão molecular. Esta falta de organização interior traduz-se pela obscuridade ou ignorância, porque só aquele que se conhece tem o poder de ver-se a si mesmo, onde há luz há conhecimento e isso possibilita o despertar da consciência. Deste modo o Homem Solar é aquele que absorve e actualiza os doze raios da experiência humana, pois o zodíaco é uma síntese simbólica dos doze modos de expressão da energia de vida.

O zodíaco constitui uma senda evolutiva e serpentina que se manifesta em cada movimento que realizamos fora e dentro de nós na busca da verdade. Todo o movimento subentende uma saída para chegar a algo. Todos os caminhos chegam e aspiram a algum lugar.

A Astrologia não é dogma nem fatalidade, ela meramente reflecte probabilidades e oportunidades. É ao Homem a quem compete ler e interpretar os seus sinais, e só ele se pode responsabilizar pelas suas escolhas, porque por detrás da máscara da personalidade fala a voz persistente do ser que com certeza sabe onde temos que chegar. No caminho obscuro e penoso do não-ser soa uma voz que perdura, à qual damos o nome de vocação: o sublime eco do ser que nos aguarda.

Os propósitos da Astrologia

1º) Conhecer-se melhor através dos pontos favoráveis e desfavoráveis. Orientar-nos em função do nosso potencial (vocação). Valorizar-nos como pessoa.

2º) Ajudar-nos a relacionar-nos com os outros através da aceitação da lei da complementaridade, difundindo o conceito de universalismo em vez do egoísmo. Todos necessitamo-nos uns dos outros para configurar uma harmonia (a imagem dos doze arquétipos).

3º) Despertar em nós a necessidade de viver plenamente cada ciclo, cada crise, cada momento como oportunidade de crescimento e renovação.

4º) Elevar a nossa consciência para além das vicissitudes da vida, sentirmo-nos parte do universo, colaboradores activos na organização do caos em cosmos, indo das trevas para a luz, da ignorância para a sabedoria e por último cumprir o nosso destino em plenitude.

A personalidade é um composto de dois atributos: o temperamento e o carácter. O temperamento é a matéria-prima e revela-se no exterior. O carácter é a força transformadora da matéria e revela-se desde o interior. O temperamento manifesta-se por tendências, é instintivo. O carácter manifesta-se através dos defeitos e das virtudes. A vocação é a justa coordenação e harmonização das tendências e das virtudes. A educação (educer – lat., fazer sair) é a arte de libertar o potencial e torná-lo acto.

A função não é vocação, a vocação é realização e motivação.

A palavra vocação vem do latim e significa convocação, ser chamado ou direccionarmo-nos para sermos nós mesmos.

A nossa vocação revela-se em quatro pontos:

1º) Nos nossos dons ou talentos naturais.

2º) Nos nossos sonhos da infância.

3º) Nas nossas intuições.

4º) Naquilo que nos faz sentir felizes.

Como ir ao encontro da vocação?

1º) Desenvolver a imaginação (o eu criativo fonte de motivação).

2º) Desenvolver a memória (reter e aprender com as experiências).

3º) Desenvolver a concentração (fixar e direccionar a energia).

4º) Desenvolver a atenção (observar e corrigir-se).

5º) Desenvolver a meditação (aprofundar e compreender os mecanismos da vida).

6º) Desenvolver o auto-controlo (domínio dos impulsos, dos pensamentos e emoções negativas)

7º) Desenvolver virtudes (paciência, generosidade, coragem, amizade, tolerância, persistência, fortaleza).

8º) Desenvolver aptidões manuais e intelectuais (através de uma formação e instrução interdisciplinar).

Resultado obtido:

1º) Empenho e determinação.

2º) Sentimento de crescimento e evolução.

3º) Sentirmo-nos felizes e realizados.

4º) A vida passa a ter um sentido.

5º) Beneficiamos os outros com aquilo que fazemos e sentimo-nos úteis.

6º) Pela lei se sincronicidade atraímos oportunidades.

Quando vivemos bem a nossa vida perdemos o medo do mundo, das pessoas, da morte mas sobretudo da vida.

Ao sentirmo-nos úteis vivemos em concórdia com a nossa alma e com o mundo e a maior felicidade do homem é poder expressar o poder do amor porque, citando o Prof. Jorge Angel Livraga, “Quanto mais damos mais temos, quanto mais amamos mais nos amam, isto é assim”.

 

Françoise Terseur

Pintora, Investigadora e Formadora da Nova Acrópole

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